17 de outubro de 2008


Apetece-me entrar... E eu vou.

... so help me God.

11 de outubro de 2008

The man who writes about himself and his own time is the only man who writes about all people and all time. - George Bernard Shaw

Era de noite. Ele olhara-a com uma nítida noção que o tempo não tinha passado entre a imagem que ele tinha na sua cabeça e a imagem que ele tinha diante de si. A noite passava, assim, correndo e ia tomando conhecimento de coisas que o faziam tremer por dentro, mesmo não sabendo como é que as coisas se desenrolariam no futuro.
Nessa madrugada, as coisas evoluíram na forma de uma criatura de duas cabeças: por um lado, o desejo imediato, puro, sanguíneo, de que as coisas brilhassem com a intensidade de mil Sóis, como se não houvesse um Amanhã, aquele de todos os dias, um momento em que tudo pára e tudo corre ainda mais veloz; por outro, a permanente certeza que esse Amanhã viria, inexorável, pétreo, a nítida claridade que aquilo era, apenas e só, um momento, sem certezas, com todas as dúvidas, aquele instante em que o jogador faz as suas apostas e que sabe que tem mais hipóteses de perder do que ganhar...

No entanto, constante e transversal a tudo isso, a Esperança.

Mais do que o conflito entre os interesses entre pessoas, a questão fulcral de tudo está no conflito interno, entre os interesses que uma pessoa tem. Todos o que possam haver, surgem de igual para igual. A diferença está no peso que cada um adquire, conforme as nossas crenças, as nossas convicções. E aí o verdadeiro conflito: entre aquilo que desejaríamos, de todo o coração, sem olhar a tempos, sem olhar a situações, e aquilo que se afigura como uma hipótese real. E, infelizmente, normalmente a voz do coração fala mais baixo, perante a dureza ígnea do que intuímos como realidade, do palpável. Do que é que se abdica nessas alturas? Sabê-lo-emos? Teremos a profunda consciência de tudo aquilo que estamos a abdicar, ao olharmos ao que julgamos ser uma necessidade mas que não passa de algo tão fátuo e transitório como uma fagulha que passa de ar quente ao ar frio?
E quantas, quantas vezes, a verdade das coisas está à nossa frente, mais forte do que a realidade sombria dos nossos medos, daquelas ideias pé-concebidas, embebidas no nosso cérebro desde tenra idade, que nos impedem de ser verdadeiramente felizes, que tomamos por tão reais como a pedra que está à nossa frente...

Dia nasce...

... a criatura devora-o...

Ele regressou a casa com uma única certeza e uma miríade de dúvidas: tinha feito, no momento, o que o seu Coração tinha pedido. Sentia-se feliz e isso alimentara-lhe a Esperança, aquele Algo que se alia à sua profunda crença que o Amor é a maior Força Existente e que o fazia acreditar que um dia (um dia...) faria com que as pessoas ouvissem mais o seu Coração do que a Máquina que traduz o que Ele diz e à qual damos (quase) sempre o crédito de ser a Voz Única da Realidade em que mergulhamos... Até lá (e para além disso), só lhe restava pegar de novo na sua mala (por instantes pousada), e seguir Caminho...

27 de setembro de 2008

"If you would be a real seeker after truth, it is necessary that at least once in your life you doubt, as far as possible, all things." René Descartes

O cérebro humano tem uma propriedade prodigiosa: esquecer-se que tudo o que está à nossa volta é transitório. E dentro desta segurança nas coisas, está o facto de acharmos que muitas coisas há que são eternas e que estarão sempre lá. Aliás, essa tendencia de pensamento começa logo desde cedo: o normal comportamento de um adolescente é de fazer as coisas achando-se Imortal. A morte é, nessa idade, uma daquelas coisas que está mesmo muito muito longe... Há planos que se fazem tendo em conta isso mesmo. Aliás, um plano, para existir, pressupõe uma base solida e consistente.
O que fazer, então, quando essa base, na realidade, não existe?

Reparem, a Dúvida Sistemática de Descartes não é a negação da Existência das coisas. Uma coisa existe... mas também pode não existir. É uma espécie de plano de contingência. E, para mim, uma maneira de verificar a veracidade, a realidade das coisas. Descartes pensava da seguinte forma: "só tenho uma certeza: eu existo." Aliás, é dele a celebre frase, que eu parafraseei dando origem ao título deste blog: "Penso, logo existo (Cogito, ergo sum)". E a partir daí constroi-se todo um sistema de pensamento. A dúvida sistemática leva à evolução das coisas. Porque é como se se pusesse todo o Universo a trabalhar, a mover-se. Ao questionar as coisas, e tudo o que lhes diz respeito, adquire-se uma nova perspectiva, avaliando a necessidade da existência das mesmas coisas, a sua pertinência, se são adequadas, o que se deve mudar, como se deve mudar, entre outras belezas do género. Para tudo isto, é necessário um forte sistema lógico e a constante verificação das premissas de base, garantia que a dedução final é válida e logicamente real.
Podemos, com tudo isto, incorrer no erro de aceitar pressupostos e "realidades" de outros como nossas. Mas isso é um erro que vai contra a premissa fundamental "só eu existo (porque penso)". É importante questionarmos tudo, ams tudo mesmo. Não é, como se vê, um imperativo de cariz espiritual (ou só desse cariz). É um imperativo da Vida. Há que duvidar das coisas, duvidar da sua certeza, procurando justificar a sua existência com razões e provas válidas.

A busca de provas é algo que se prova, muitas vezes, infrutífera. A dúvida sistemática não obriga à procura de provas, mas simplesmente, raciocinando sobre a existência das coisas. É um princípio básico dos racionalistas e, como é natural, um racionalista só pens em termos teoricos, para depois poder aplicar as suas deduções à realidade. É claro que a teoria é a mãe da prática e, como boa filha, esta fornece à mãe as provas... quando lhe convém e elas sejam possiveis de ser entendidas pela nosso limitado aparelho sensitivo. É por isso que eu prefiro aplicar a dúvida sistemática como um ponto de partida. Mas não é fácil lembrarmo-nos de o usar. Como disse no início, o nosso cérebro gosta de ter dados seguros e certos sobre os quais trabalhar e, quando não os têm nem sabe se os terá, assume que eles existirão, algures... é um erro que causa muitos transtornos mas que pode ser evitado. Mas não se preocupem (as almas mais perturbadas por falta de solo firme). Porque assim que começarem a duvidar sistematicamente das coisas, rapidamente encontram pressupostos mais logicos e realistas que vos deixarão mais tranquilos quanto ao futuro (um futuro, lembro, do qual nunca fomos nem seremos donos). E assim, sem saberem, terão evoluido mais um bocadinho.

21 de setembro de 2008

Ele avançou pelo pavilhão adentro. Trazia o seu instrumento na mão e algum receio. "Está na hora", pensou e assim, levantou a cabeça. O que traria aquela noite? Uma coisa era certa: memórias, e isso já estava a trazer.
Sabia que mais cedo ou mais tarde isso iria acontecer. Era inevitável, tal como ele sabia pela experiência anterior, que os dois grupos teriam que se encontrar para "medir forças". Não era fácil para ele estar agora no "outro" grupo, um grupo que ele próprio não via com bons olhos aquando da sua primeira passagem por aquelas paragens.

Metam isto na cabeça: nunca nos livramos completamente das situações que nos foram importantes. Mais cedo ou mais tarde acabamos por ir parar ao "local do crime". Mas as boas notícias são que as coisas nunca são iguais duas vezes. Ou antes, cabe a nós que as coisas não sejam iguais duas vezes. Vocês gostam de comer duas vezes seguidas (em duas refeições) a mesma coisa? Isso pode sempre acontecer mas está tudo nas nossas mãos, se gostámos da ultima refeição e queremos repetir, ou se queremos mudar. Deixando as dicas gastronómicas, são às lições do passado que devemos ir buscar as raízes das nossas escolhas, se é que queremos que tudo corra da melhor maneira possível, se queremos que alguma coisa mude, se queremos que as coisas sejam ainda melhor.

"-Tenho uma coisa para te dizer...
- Força!
- Lembras-te do quanto eu vos fazia a vida negra?
- Se lembro. Aquilo era terrível...
- Pois era. Na altura eu era um grande sacana, bastante diferente, acho daquilo que sou agora. E é por isso mesmo que te quero pedir desculpa por todas as coisas que eu te fiz e aos outros."

N. não respondeu. Continuou a falar das coisas estúpidas que lhes chegou a fazer mas ele reconheceu nos olhos de N. que este ficara surpreendido com o pedido de desculpas. Estava na altura de acertar contas e ele sabia-o. Assim o fez e isso trouxe-lhe um pouco mais de tranquilidade no meio de todo aquele remoinho de emoções. Foi com muita comoção que reencontrou velhos companheiros de caminhada, que suaram ao Sol com ele e apanharam chuva, que partilharam glórias e derrotas, com os quais se riu e chorou, com os quais partiu à descoberta de novos mundo, e, mais importante que tudo isso, com os quais cresceu. Reencontrar tais anjos no caminho é um prazer ao qual raramente se dava. No final, a ansiedade que antecipou o acontecimento deu lugar a uma tranquilidade e alegria que fez com que não quisesse sair dali. Afinal, há passados que vale toda a pena relembrar...

13 de setembro de 2008

Nuvens. Ontem vi algumas. Mas não eram nuvens normais. Achei estranho o carácter tão ténue e negro daquelas nuvens (se é que lhes posso chamar isso). Eram umas nuvens muito ligeiras, muito finas, não muito altas (tanto que pensei estar embrenhado nas mesmas) mas muito escuras. Nada mais havia no céu sem ser essas nuvens... e um pôr do sol magnífico. Era isso que me "perturbava", o carácter único dessas nuvens, no meio de um cenário tão positivo. E, além disso, notava-se claramente que elas estavam a ser sopradas desta zona para fora...
Olhei e sorri. "Que bela analogia!". As nuvens que se tinham aglomerado sobre a minha cabeça lentamente tinham começado a ser sopradas para bem longe, onde se podiam ver o quão ridículas eram, comparadas com tudo o resto que se passava à minha volta. No entanto tinham sido o suficiente para estragar a paisagem.

Tudo na Vida é uma escolha. É muitas vezes difícil de analisar imparcialmente, em absoluto (haverá absolutos na vida?) a dimensão, a gravidade de algo, a sua importância, o seu peso. Sabemos na pele o quanto nos afecta (quando nos afecta), o quanto dói e isso muda dramaticamente a nossa perspectiva sobre as coisas. Mas há que transcender as coisas, aquilo que nos acontece e eu sei o quanto isso é tão difícil, assim que começamos a centrarmo-nos em nós mesmos. É preciso olhar, abrir os olhos, se não formos capazes por nós, que procuremos alguém ou algo que nos ajude a fazê-lo. O poder está dentro de nós, é só querer mesmo alcança-lo, com propósito puro, com todo o coração e ver o que, querendo, aparece sempre. A Luz, como todos (consciente e inconscientemente) sabem, conquista sempre a escuridão, sendo que o contrário nunca se verifica.

Uma curva, outra curva, agora uma recta... acelerou. A paisagem deslizava suavemente a seus pés, os cenários sucediam-se a uma velocidade confortável. Estava com pressa, é verdade, mas sabia que aquele momento era irrepetível, que aquela manhã não voltaria a acontecer e, depois, tudo era novidade, tudo era fresco como o riso de uma criança. Apreciou pois. Memórias distantes assomaram à sua cabeça e ele riu-se. As nuvens, para ele, já estavam longe. Visíveis (ainda) mas longe. O seu coração era de novo isso mesmo: seu! Sentia-o no mais profundo do seu ser, sentia que a sua Vida (mais do que nunca) era isso mesmo: sua! Sabia também que a Vida iria ter as suas quezílias, chatices, lágrimas; era um facto assumido. Não agora. Ao rolar por aquelas estradas simples, rodeado de tão agradável paisagem, sentia que a sua Vida era como o cenário em que se deslocava; nublada ou solarenga, ela Era assim, em toda a sua plenitude e todas os seus matizes. Agora, era altura de aproveitar o Sol.

9 de setembro de 2008

Como pode um som nos fazer voltar à inocência perdida de outros tempos? uma aragem, um aroma regressar a tempos há muito passados, como se de um eco se tratasse? Subitamente o que julgávamos perdido volta. Não é doce, nem amargo, apenas é. Sempre esteve lá, sempre ocupou o seu lugar, sempre marcou a sua presença inequívoca que nós quisemos esquecer no dia-a-dia, concentrados em algo que entendemos que deveria acontecer.
Olhou para o telhado, para aquela pequena esquina onde quase se pendia, meio quebrada, uma simples telha e, sem dar conta, viajou no tempo a uma altura em que não havia electricidade ou gás, somente o calor humano de uma casa, um pequeno pedaço de lenha a arder sobre o lar e as conversas soltas (com mais ou menos entusiasmo) se faziam sentir entre as paredes. Passeou à chuva da manhã, da tarde e da noite, escutou silêncios que não voltam mais e chorou silenciosamente sem ninguém ver, entalado entre a emoção da perda e da descoberta das coisas que, espante-se, não mudaram.

Fez uma pequena curva. "Hoje vou por aqui...". Entrou num túnel e, tangivelmente, era um túnel do Tempo. Outro. Regressou à idade dos risos, das despreocupações, do epicurismo inconsciente que é a infância. Respirou fundo e pensou que, não podendo ser tudo, certas coisas haviam de ser sempre iguais... pelo menos o estado de espírito com que se vivia, se não noutras vidas, nesta vida, que, no fundo é aquela que importa. Mas sabia que as coisas têm que mudar, perdendo coisas, pessoas, lugares pelo caminho...

(...e, até que ponto, não nos perdemos a nós também? Creio que do ponto de vista (certo ou erróneo) que nós somos aquilo que nos rodeia e com o qual convivemos, se perdermos essas coisas à volta, acabamos por perdermos aquilo que somos. E a isto eu pergunto: aquilo que somos, ou aquilo que já não precisamos de ser? E esta pergunta acaba por eliminar o pressuposto que nós somos o que nos rodeia. Porque nós NÃO somos SÓ aquilo que nos rodeia. Isso, aprendi ultimamente, são meros sinais do ponto em que estamos. Também é, mas não somos só. Mais do que isso, podemos sempre voltar sempre àquelas coisas que ficaram para trás, sem que nos tornemos naquilo que éramos nessa altura.)

Mas, naqueles dias, tudo lhe parecia fora do vulgar. Parecia não existir neste mundo, sentindo-se um mero transeunte a observar e vigiar o que o rodeava. O porquê, não o sabia. Passava pelas coisas e as coisas não deixavam nele, por vezes, a mínima marca. Outras, as mais simples por vezes, deixavam nele uma indelével marca e faziam-no mergulhar numa espiral de pensamentos sobre o seu propósito no mundo. O mundo não era, a seus olhos, o mesmo mundo em que crescera, não se sentia integrado nas coisas, sentia que as coisas que fazia eram soltas como uma folha à deriva na superfície de um lago. Antes, sentia-se como que bem enquadrado numa figura, onde tudo o que fazia era suposto e tinha uma razão. Agora não conseguia perceber o motivo pelo qual as coisas aconteciam. Irritava-o esse desconhecimento ignóbil mas já tinha desistido de tentar perceber, por isso, (a contra-gosto) deixava-se levar. A incerteza dessa vida era angustiante por um lado). Ele não gostava de surpresas e não saber o que aí vinha era desesperante. Afinal, uma vida passada a régua e esquadro tinha sido o seu ideal até há uns tempos. Agora, nem isso. Era angustiante para ele sentir-se trancado numa esquadria que outros tinham desenhado por si, ou com o seu auxílio. Saber que o dia-a-dia seria sempre assim deixava-o fora de si.

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

O meio termo é difícil de encontrar por vezes, e outras, (como é provavelmente o caso) está mesmo à frente e uma pessoa até desconfia por ser tão fácil. Fácil até pode ser, mas o busílis está em, dentro de nós, aceitarmos que, de facto, é mesmo aquilo que procuramos. As coisas nem sempre se apresentam na forma que esperamos. E no meio deste chorrilho de (creio eu) lugares comuns alguma coisa há-de ser verdade.
Na vida dele, a Verdade era algo que era e que não era. Acostumado a certas verdades, agora mentiras, encontrava mentiras de antigamente que se revelavam verdades estranhamente absolutas. Tentem reconstruir uma casa num terreno que não conhecem e verão. Ele não conhecia este terreno e, apesar de ter entrado nele de livre e espontânea vontade, não lhe agradava.... para já... Preferia muito mais, de vez em quando, voltar a visitar as pessoas, lugares e caminhos em que tinha vivido, voltar aqueles sítios segurinhos, bonitinhos (nos quais gostaria de ter ficado tranquilo - a ganhar mofo e desperdiçado, talvez) procurando (qual vampiro) alimentar-se dalguma da atmosfera que ainda aí se poderia sentir, voltando a sentir-se, por breves instantes, inteiro. Mas, por ora, a visão daquela telha, meio quebrada, com musgo, serviu para fazer virar uma pagina que, não querendo que existisse, teve que existir para que pudesse sentir/perceber que um ciclo se fechava e, assim, pudesse crescer.

27 de agosto de 2008

E eis que, no rescaldo de um fim de dia (de ontem) magnífico, e não querendo tornar este blog num lyrics book (se bem que já é tarde para isso, mas eu prometo que os "lençois" hão-de voltar), aqui fica a letra do "som"...

Wake up kids
We've got the dreamers disease
Age fourteen
They got you down on your knees
So polite
You're busy still saying please
Frienemies
Who when you're down ain't your friend
Every night
We smash their Mercedes-Benz
First we run
And then we laugh 'till we cry

But when the night is falling
And you cannot find the light
If you feel your dream is dying
Hold tight

You've got the music in you
Don't let go
You've got the music in you
One dance left
This world is gonna pull through
Don't give up
You've got a reason to live
Can't forget
We only get what we give


Four a.m. we ran a miracle mile
We're flat broke
But hey we do it in style
The bad rich
God's flying in for your trial

But when the night is falling
And you cannot find a friend
You feel your tree is breaking
Just then

[refrão]

This whole damn world can fall apart
You'll be ok follow your heart
You're in harms way I'm right behind
Now say you're mine

[refrão]

Fly high
What's real can't die

You only get what you give
You're gonna get what you give
Just don't be afraid to leave

Health insurance rip off lying FDA big bankers buying
Fake computer crashes dining
Cloning while they're multiplying
Fashion mag shoots
with the aid of 8 dust brothers Beck, Hanson
Courtney Love and Marilyn Manson
You're all fakes
Run to your mansions
Come around
We'll kick your ass in!

Don't let go
One dance left

New Radicals - Maybe you've been brainwashed too - 1998

Houvessem mais destas assim...

30 de julho de 2008

I'm not afraid
Of anything in this world
There's nothing you can throw at me
That I haven't already heard
I'm just trying to find
A decent melody
A song that I can sing
In my own company

I never thought you were a fool
But darling, look at you. Ooh.
You gotta stand up straight, carry your own weight
'Cause tears are going nowhere baby

You've got to get yourself together
You've got stuck in a moment
And now you can't get out of it
Don't say that later will be better
Now you're stuck in a moment
And you can't get out of it

I will not forsake
The colors that you bring
The nights you filled with fireworks
They left you with nothing
I am still enchanted
By the light you brought to me
I listen through your ears
Through your eyes I can see

You are such a fool
To worry like you do.. Oh
I know it's tough
And you can never get enough
Of what you don't really need now
My, oh my

You've got to get yourself together
You've got stuck in a moment
And you can't get out of it
Oh love, look at you now
You've got yourself stuck in a moment
And you can't get out of it
Oh lord look at you now
You've got yourself stuck in a moment
And you cant gt out of it

I was unconscious, half asleep
The water is warm 'til you discover how deep
I wasn't jumping, for me it was a fall
It's a long way down to nothing at all

You've got to get yourself together
You've got stuck in a moment
And you can't get out of it
Don't say that later will be better
Now you're stuck in a moment
And you can't get out of it

And if the night runs over
And if the day won't last
And if your way should falter
Along this stony pass

It's just a moment
This time will pass

U2 (2000) - Stuck in a moment - All that you can't leave behind album


Pronto, eu sei que é U2 (sem minimizar, claro, mas nao é das minhas bandas favoritas) mas houve "Alguém" que pôs isto a tocar na minha jukebox mental e não pude resistir... Fits like a glove! ;) E "Eles" sabem...

P.S. - Como é natural nestas coisas, ao ir à procura da letra encontrei o video. Recomendo-o, como complemento do sentido com que postei a letra. Adoro a cena final! ;D

23 de julho de 2008

Surgiu-me nos últimos dias uma pergunta para a qual não tenho tido resposta: porque é que queres tanto dar a mão a alguém que não está, e ignoras as que estão estendidas?

Bem, é uma pergunta manhosa. Não tenho resposta e, francamente, sinto-me um pouco constrangido. Porque pareço ingrato, pareço desprovido de qualquer sentido de reconhecimento por aqueles que me cedem o seu tempo e boa-vontade, vendo-me mais em baixo (ou mais em cima), continuando-me a focar em quem não devia ter nenhuma consideração ou impulso de lembrança. O que é passado, passado está. No entanto, a nossa mente continua a processar e a lembrar-se de coisas perfeitamente inúteis ou que, existindo, só servem para nos magoar. Não é esse o caminho que quero mas também sei que bloquear-se esse tipo de pensamentos é inútil, uma perda de tempo e, em última análise, podemos ficar seriamente magoados. Que fazer então? Que fazer para esquecer a saudade do que nos fazia sentir bem?
A resposta óbvia é arranjar novas memórias, fixarmo-nos no presente e viver um dia de cada vez. Ora, isto, mais uma vez, não é fácil, e, de momento, é um trabalho de paciência. E essa foi outra coisa que me apercebi hoje. Este é um tempo para estar quietinho, esperar e ter paciência. Muita paciência. A inquietação e anseio por tempos antigos, em que a vida corria a 1000 à hora e pouco se pensava nela, pode assolar-nos de quando em vez mas há que reconhecer que tudo está certo no momento em que as coisas acontecem (como me vou rir quando reler isto). Não o tinha reconhecido até agora. Revoltava-me estar "quieto" em casa, não poder sair, ter sempre o mesmo dia-a-dia e, acima de tudo, esperar quando sentia (e sinto) que tudo à minha volta corre sem parar. "E eu aqui parado a olhar!", revoltava-me eu. Mas é suposto ficar a olhar (nem tudo o que é suposto sabe bem, não é?). É tempo disso. E, assim, esperarei.

12 de julho de 2008

Olho para trás, vejo tudo quanto escrevi e penso: serei este mesmo Eu? Penso na imagem que poderei dar ao escrever todas estas letras, todos os pequenos textos em que me exponho, em que tenho exposto toda a dor que me vem assolando (a qual é bem maior do que aquilo que descrevo) e chego à conclusão que devo parecer uma pessoa horrível, amargurada e totalmente desiludida com a Vida.

Estão certos.

No entanto, esse grau de desilusão a que cheguei permite-me largar todo o ser tendencial que existe numa pessoa que não desceu ao fundo do poço (será?) e poder tentar avaliar, imparcialmente, o valor que esta Vida tem.
É de noite e, por isso, as minhas palavras poderão sair mais... benevolentes. Hoje dei por mim a pensar, seriamente, que só as pessoas que receberam muito más notícias a seu próprio respeito e que vêm o seu futuro limitado é que (dizem) conseguem ver a Vida em todo o seu esplendor e beleza, dar o seu "real" valor (seja o que isso for). Pois nestes dias, apercebi-me que já dava à Vida algum valor no passado mas, no fundo, tudo acaba por correr em auto-gestão, ou seja, damos sempre tudo por garantido, que todas as coisas sempre estarão lá. Ora isto, quanto a mim, poderá ser duplamente perigoso: por um lado, isso é uma ilusão perigosa que, assim que se desvanece, mostra o quão periclitantes somos; por outro lado, desvanecida a ilusão em que se vivia, e tomado a consciência daquilo que aparentemente somos - um "grão" fugaz ao vento desta realidade - corre-se o sério risco de nos acharmos ainda mais diminutos e irrelevantes ao tomarmos consciência em simultâneo que, apesar de partirmos a qualquer instante, o mundo continuará, impassível e inamovível, como se nada fosse. "Céus, é a minha vida! Ao menos tirem um diazito de folga para pensarem no que se perdeu!", pensam então, e eu pergunto, vocês pensam nos milhares que estão a morrer de fome, de doenças, nos que estão a lutar contra doenças incuráveis, que dariam tudo para ter mais um dia como tiveram em tempos idos... o que eles não davam pelos tempos idos... Quando esses partem, lembram-se deles? Sabem sequer que eles partem? Não, pois não?... Por vocês também só os que vos são chegados é que se lamentarão mas o mundo continuará a girar e as pessoas a cantar no carro e a jantar alegremente em redor da mesa, enquanto que, ao redor de outra mesa, outras pessoas choram porque se extinguiu aquilo que para elas era uma Luz. E essas pessoas não serão as mesmas porque tudo na vida nos muda, e afinal, o mundo não é o mesmo porque essas pessoas mudaram. Porque o mundo somos nós. "Mas ele nao vai parar quando partirmos!!". Pois não. É angustiante, não é? Muito para além da mítica depressão de adolescente em que nos apaixonamos por correntes filosóficas que exploram essa vertente angustiante da Existência da vida.

A Existência? O que é isso?

Eu não sei e gostava que me explicassem. Porque as explicações que eu tenho, tenho-as tirado do que me acontece e, mesmo assim, não é com a frieza lógica de um raciocínio, o que contribui para uma franca confusão. São mais as excepções que a regra, antes, é mesmo a lógica de "cada caso é um caso". E é com base nisto tudo que olho e vejo (quando não estou perdido de nauseas e vertigens, deixando-me terrivelmente pessimista) que a Vida é, de facto, um milagre. Não o digo por ser bonito, não o digo tendo-o em mente todos os dias (nem de semana a semana, se calhar), não o digo porque estou quase a deitar-me e foi mais um dia que passou e ainda estou grato por estar vivo sem saber o que o amanhã me reserva. Digo-o porque é de facto um milagre, um milagre existirmos, um milagre termos essa capacidade de podermos mudar o mundo, de poder ter consciência do que nos rodeia (para o Bem e para o Mal), de apreciar (quando temos cabeça para isso) as coisas boas da vida, de sentirmos o Bem, o Amor, a Felicidade, a Alegria, a Vitória, o Mal, o Ódio, a Tristeza, a Desilusão, a Perda... Parafraseando o slogan de uma campanha, "É seres Humano, estúpido!". Se estou vivo, porque é que não hei-de aproveitar isso mesmo? É que mais facilmente estamos mortos (numa La Palissada de génio)! Isso sim, é que é para sempre! E aí é que não poderemos gozar nada (quem me conhece sabe que não sou totalmente desta opinião), não podendo usufruir, pelo menos, de tudo o que temos no presente. E essa história do Presente ainda é outra: sendo tudo tão fugaz e irrepetível porque é que não se há-de aproveitar tudinho até ao fim (desde que possamos)? Até as lágrimas, até as saudades...

É que somos um "grão", sim... mas um "grão" de Ouro!

4 de julho de 2008



Esta é sobre ti. Tem amor e ódio é para ires
ouvindo nas tuas horas de ócio.
Ínfima parte de um sonho perdido, libertei-o já
o tinha esquecido. É o sinal.
Espero um momento na sombra da rua, ouço
uma voz que me lembra a tua.
Passei pelo risco de sofrer por não ler
os teus sinais.
É o sinal para recomeçar.

Quero ver gente, quero ver a terra
chegar a casa e ter alguém à espera

quero um presente, quero ser bera
quero ser submissa, quero ser a fera
.

Leva-me às areias quentes que mastigam os
sentimentos e me deixam nua perante os
elementos. Ensina-me a escavar objectos sem
estragar, para que sorrir seja sempre vulgar.
Dá-me de beber finas gotas desse mel, para
que o meu saber não esteja só no papel.
Incita-me a lembrar do teu gosto pelo mar para
que um dia fique pronta a zarpar.

Espero que amanhã tudo seja diferente
e que tu possas estar presente.

Refrão (x2)

Incita-me a atirar os dados sem soprar
para que te vencer seja vulgar.

Refrão...

Mesa - Esquecimento - 2003(ou 4)

3 de julho de 2008

"In all affairs it's a healthy thing now and then to hang a question mark on the things you have long taken for granted."
B. Russell (o que eu adoro este homem!...)

Uhhnn?? A sério???...

Ao que eu adiciono (já mais a sério): e se nao formos nós a fazê-lo, a Vida trata disso.

29 de junho de 2008


Olhei-me há pouco ao espelho e não gostei do que vi. Não gosto do que vejo. Estou cansado, cansado demais para tudo. Sou a imagem da derrota, sinto-me derrotado por tudo, de inúmeras batalhas contra inimigos invisíveis, fantasmas, monstros horríveis, muitos dos quais que fazem parte do meu Eu físico. Dói-me tudo - corpo e alma. Sinto-me irremediavelmente perdido, só tenho vontade de chorar e não consigo, as lágrimas não me saem e ainda fico mais irritado por isso. E depois, pergunto-me: para quê? Para quê chorar, para quê entrar num pranto se vou continuar a sentir-me mal-disposto, derrotado, fraco, muito fraco... E prossigo, contendo tudo, tendo medo de tudo o que faço e de todos quanto encontro porque me sentirei mal e não posso sentir-me mal, "é uma vergonha, um homem assim e a sentir-se mal, olha para a figura que estás a fazer... Fraco, fraco!!..." Falta-me o ar, respirar fundo não ajuda, não me tira a dor, o mal-estar, não afasta os fantasmas, os dias passam e são somente "mais do mesmo"... a luz angustia-me, deprime-me (ainda mais, quem sabe), certos sons deixam-me atordoado, ainda mais mal-disposto, é a náusea que me invade e me persegue a cada momento do meu dia... é relato de dor este... de nada adianta contar mas esperava, secretamente, que ajudasse... no entanto, pelos vistos, este "mal" não desaparece nem por nada... é o fundo do buraco, é a Escuridão no seu pior, o espesso Medo para o qual resvalei e me fui afundando, estilo areia movediça... o Medo cerca-me em tudo o que faço, desde o primeiro acordar até ao ultimo bocejar antes de fechar os olhos... cada esquina da Vida me assusta, antes, o dobrar de cada esquina assusta-me, sem saber o que me espera mas sempre antecipando uma dor permanente e injusta... não há uma razão só para isso são muitas e muitas, com raízes profundas, de modo que agora cada coisa desconhecida que me apareça, cada coisa nova (mesmo com boas perspectivas) leva-me a uma desconfiança e falta de esperança atroz. Não esperar nada de bom é um pesadelo que ninguém deveria viver. Creio ser, até, contrário à natureza humana... mas é o meu dia-a-dia...

Que saudades de ser "normal"...

"I was standing by the edge of the water
I noticed my reflection in the waves
Then I saw you looking back at me
And I knew that for a moment
You were calling out my name
You took away my hero
Will you take away my pain..."

DT-1998

24 de junho de 2008

Look around
Where do you belong
Don't be afraid
You're not the only one

Don't let the day go by
Don't let it end
Don't let a day go by in doubt
The answer lies within

Life is short
So learn from your mistakes
And stand behind
The choices that you make

Free each day
With both eyes open wide
And try to give
Don't keep it all inside

Don't let the day go by
Don't let it end
Don't let a day go by in doubt
The answer lies within

You've got the future on your side
You're gonna be fine now
I know whatever you decide
You're gonna shine

Don't let the day go by
Don't let it end
Don't let a day go by in doubt
You're ready to begin
Don't let a day go by in doubt
The answer lies within...

Dream Theater - Octavarium (2005)

Dedicado à Cati, por... tantas coisas, escolhe umas...

17 de junho de 2008

Depois do ultimo comentário que recebi ao post anterior e enquanto estava a escrever a resposta ao mesmo, estava a lembrar-me de uma música (de um grupo do qual já transcrevi algumas letras para este blog). Como referi nesse comentário, uma das maneiras de nos sentirmos felizes é aliarmos a Paz com aquilo que Somos. E é nessa onda que vou transpor a letra, com a qual me identifiquei desde o primeiro momento em que a ouvi. Ressalvo que NÃO concordo com a linha que porei a itálico (pelos mesmos motivos que referi nesse comentário).

Once it was good, just to be alive
Life was so simple, I was satisfied with myself
You were a friend, it was crystal clear
I would have walked through fire for you, oh I swear

Look at me, I came to be the one you loathe
Now I know, it all makes sense
No defence, no more lies or alibis
Truth is pain
I feel for you no more...

Then I was lost, it broke my heart in two
Couldn't believe that you would sacrifice what we had
Now I get by, time will heal my wounds
Vengeance is mine when time will banish you into despair

Look at me, I came to be the one you loathe
Now I know, it all makes sense
No defence, no more lies or alibis
Truth is pain
I feel for you no more...


A.C.T. - Silence (2006)

P.S. - O "I feel for you no more" era a parte em que me andava a enganar... sem admitirmos as coisas, nunca se irá a lado nenhum.

10 de junho de 2008

O passado acaba sempre por nos alcançar. Sempre. Por mais que queiramos fugir, ele vem sempre ao nosso encontro, muitas vezes nem estando presente, sendo só a sua insinuação e possibilidade de existência que leva a uma materialização muito mais real (e agressiva). É como o azeite, é uma verdade que vem sempre ao de cima, por muito que o neguemos. Foge-se por vielas e travessas manhosas, recusando-nos revelar à luz do dia o bicho horrendo que personifica o Medo que nos atormenta. O pior de tudo é que ele ataca sem avisar e (ainda por cima) quando estamos com o pé em desapoio.

Isto é uma confissão.

A todos os que me conhecem pessoalmente e que, no último ano, conversaram comigo sobre este assunto (que direi a seguir) peço, antes de mais as minhas humildes e profundas desculpas. Menti-vos. Redondamente. E foi uma mentira que começou em mim e que, tendo-me mentido, menti-vos a vós porque foi uma mentira de Verdade pintada. A tinta, hoje, borrou.
No que é que vos menti? Simples. Tinha-vos dito que o que sentia em relação à Vânia era um assunto morto e encerrado. "Já a tinha esquecido, já a tinha ultrapassado, já não tinha efeito em mim", dizia eu, incauto da vergonhosa mentira a que me, e vos, submetia. Puro engano. Hoje fui brutalmente confrontado, não com ela (acho que cairia para o lado, extrapolando da reacção que eu tive hoje) mas muito simplesmente com uma situação em que, hipoteticamente, poderia vir a ser confrontado com ela, ou alguém desse tempo. Foram horas tormentosas, ficando sempre à espera de reconhecer em cada cara as "fatais" personagens, levando-me a ficar quase petrificado (e quem me conhece pode imaginar como fiquei), ou seja, o Medo atacava de novo e em força, apanhando-me completamente desprevenido.
No meio disto tudo não sei o que mais me assustava, se o simples acto de a encontrar (ou essas pessoas), ou da desilusão de a encontrar acompanhada (facto mais que natural, caso já tenha acontecido), ou a reacção dela caso me visse (e a minha também). Conjecturas. Factos a reter: sim, ela ainda "mexe" comigo (ou a imagem que dela guardei), em certas ocasiões sinto a sua falta e, mais ainda (e mais importante, provavelmente), nunca digam que aprenderam a lição. Como alguém, há bem pouco tempo, me disse: tu ouviste e fixaste mas não aprendeste a lição. Pois bem, eis-me de novo de volta aos bancos da escola. E, quiçá, ao canto da sala com as orelhas de burro. A todos, espero que me perdoem por faltar à verdade convosco.

6 de junho de 2008

... Do alto do meu promontório vejo-te chegar... Ainda não o sabes mas vejo-te chegar... estás lá longe, vais-te chegando à terra lentamente, como fina poalha que sobre uma mesa assenta... como que por acaso, chegas por entre rasgos de luz, danças de cores, brilhos mil que te rodeiam, pó de estrelas que, fátuas, surgem em pano de luzes e sombras... é uma dança, quase, inebriante, encantadora, com pés de sonho e toque de brisa... celebra-se e, ao longe, não se sabe porquê... a coberto da noite tudo é possível, o artifício do Homem tudo pode iluminar, tudo pode esconder, tudo pode festejar ou carpir... É insignificante, visto daqui, todo o aparato, mas, de facto, parece que só para ti tudo isto foi feito... Quem sabe se até foi?... Aproximas-te e tudo é celebrado, a chegada, a viagem, o que há-de vir e a Névoa onde tudo se esconde... mas ninguém sabe e, à vista de todos, este é o maior segredo que podemos guardar...

5 de junho de 2008

Naar zee, naar zee, naar zee,
O! mijn leven te water laten
Op zee, in de vind, op de golven!
Mijn smaak in grote reizen pekelen
Met door de winden opgeworpen schurm.
Mijn vleesvan avontuur met striemend water tuchtlgen,
Het bot van mijn bestaan in ocean kouden drenken,
Mijn cyclonisch en atlantisch wezen
Geselen, sneijden, kerven door winden, schulm en zon,
Mijn zenuwen als touwladders gestrekt,
Harp in de handen van de wind

Tradução:

“No mar, no mar, no mar,
Eh! pôr no mar, ao vento, às vagas,
A minha vida!
Salgar de espuma arremessada pelos ventos
Meu paladar das grandes viagens.
Fustigar de água chicoteante as carnes da minha aventura,
Repassar de frios oceânicos os ossos da minha existência,
Flagelar, cortar, engelhar de ventos, de espumas, de sóis,
Meu ser ciclónico e atlântico,
Meus nervos postos como enxárcias,
Lira nas mãos dos ventos!”


Alvaro de Campos

... a partir de um poema exposto em Oostende, provincia de West-Vlaanderen, Bélgica.

Quantos poemas à beira mar, nós, a nação que deu novos mundos ao mundo por via marítima, temos nós por cá?

1 de junho de 2008

Há regressos e regressos. Creio que, no imaginário de cada um, a palavra "regresso" possa evocar sentimentos bem positivos e algo nostálgicos. Não sei como é com o resto das pessoas, mas, para mim, "regresso" e "casa" são quase gémeos siameses. Não consigo, espontaneamente, associar regresso a coisas desagradáveis.
Não foi esse o caso deste meu último regresso. Este enquadrou-se perfeitamente no meu conceito: doce, sereno e esperado... rever esta terra bendita e amaldiçoada, sentir o ar (um pouco menos o sol, mas isso não importa), a energia que rodeia... Mas fui apanhado desprevenido. Passo a explicar: a adaptação a um país estranho (estando nós nesse país totalmente sós) é um processo complexo (não é fácil ser romano em Roma). Se não conhecermos a língua, habituarmo-nos à mesma é um trabalho árduo - se depois a queremos assimilar, mais trabalho ainda há a fazer. Depois, os ritmos. Cada país, cada cidade tem o seu pulsar muito próprio; sermos apanhados no remoinho do seu dia-a-dia pode ser complicado mas nada que não se preveja. Por último (e este não se faz em meses mas em anos) a mentalidade. Com este é preciso ter cuidado, não sejamos "contaminados" pela mesma. Uma coisa é compreender, outra é adoptar (a não ser os bons hábitos). Findo tudo isto, sentindo-nos medianamente integrados, a ideia que nos sobrevem é que apesar de tudo mantemos a nossa identidade como cidadão de outro país.

Tudo muito bem.

Experimentem, no entanto, regressar (depois de todo esse trabalho feito) ao vosso país de origem. Pois é, não é linear. Nós já NÃO somos aquilo que éramos. Não somos (no nosso caso) "só" Portugueses. Somos Portugueses e mais qualquer coisa... Qualquer experiência (pessoal) modifica a pessoa. Podemos não gostar, manter a nossa isenção ao máximo mas a questão é que estamos (subliminarmente) a ser modificados, sem nos darmos conta. Sem nos darmos conta, da mesma forma que dizíamos "no meu país, não é assim..." ou "nós fazemos de outra maneira...", passamos a dizer a mesma coisa quando regressamos "lá eles faziam assim...". Isto não implica, ressalve-se, que concordemos com uma maneira ou com outra. No fundo, creio que é uma forma de mostrar que passamos por aquela experiência, que aprendemos qualquer coisa com ela e que (espera-se) usemos do melhor. No meu caso, não nego que, na mudança subliminar, tenha aprendido a gostar do local onde estive; não sei o que é que gosto nele nem porque é que gosto dele - só sei que gosto (será um caso de síndrome de Estocolmo?). Citando Pessoa "Primeiro estranha-se, depois entranha-se...".
... E agora, à luz de tudo isto, pergunto(-me), regressei, ou parti?

12 de maio de 2008

Perder-me. Eis algo que tenho feito por aqui. Tenho-me perdido pelas ruas, com esse mesmo propósito: tão só e apenas perder-me. É uma decisão fácil, basta chegar a um sitio em que nunca tenhamos estado e dizer, "agora vou por aqui" sem saber o que espera ao virar da esquina.
Ontem foi o melhor desses dias (nesse objectivo): tendo ido a Antwerpen (leia-se Ántverpên), não sabendo o que me esperava, deparei-me logo à partida com uma cidade, de um tamanho da qual pensava que só Bruxelas teria neste país. Mas não. Tinha, pois, a tarefa facilitada. Cidade enorme, sem ponta por onde lhe pegasse. E, assim, vagueei...
Porquê perdermo-nos? Por vezes faz falta. Faz falta perdermo-nos, não termos certezas de nada na vida, ou, pelo menos, deixarmos as coisas que julgamos que são referências para que saibamos que podemos (ou não) viver sem essas referencias, desmascarar falsos ídolos, pés de barro, ilusões e miragens que nos desviam de onde deveriamos caminhar... Cada um saberá por onde... E depois as surpresas, os encontros inesperados, as descobertas, a intensa força de descobrir que somos auto-suficientes e conseguirmos, mergulhando na obscuridão, vencer o desconhecido (que tantas vezes assusta) e trazer Luz (ou trazer à Luz) coisas que estavam bem escondidas na bruma.
Acredito, assim também, que ao mesmo tempo que parto à descoberta de novas geografias, novos locais, parto analogamente à minha Descoberta, à procura de novos caminhos no meu Interior, de asteroides no meu Universo pessoal, de novas e maravilhosas galáxias que nos constituem, entrelaçando-se assim os dois actos de forma muito interessante. Perdermo-nos obriga a isso. Obriga a centrarmo-nos em nós mesmos, obriga a ter certezas pessoais, internas, saber que somos capazes, no meio do imponderável, de manter a serenidade. Tendo como ponto de referência o "Estou aqui. Este sou Eu e vim aqui parar porque quis." encontramos novos caminhos para outras paranças, porque aceitamos, à partida, a Responsabilidade do que fazemos (passo enorme) e quem somos. Só esse gesto é revelador, experimentem se o desejarem... Tudo o resto, cada um saberá o que encontrará.