15 de março de 2008

"The greatest challenge to any thinker is stating the problem in a way that will allow a solution."
(O maior desafio de um pensador é aferir o problema de forma a que permita uma solução)
B. Russell

Ora aqui está o nosso amigo Bertrand novamente à carga, numa citação encontrada por acaso! Devo dizer que não conheço muito da sua vida mas ouvi há uns tempos coisas que não me agradaram sobre certos pontos de vista seus (dos quais não me recordo)... De qualquer forma, não estou aqui para julgar o homem, simplesmente, quero pensar um pouco sobre esta tirada filosófica...

Todos os problemas, para serem compreendidos como problemas, têm que ser aferidos. Os mecanismos de reconhecimento foram inicialmente descritos por Kant, sendo a sua explanação prosseguída por célebres e eminentes epistemologistas como K. Popper (corrijam-me se estiver enganado!). Dependendo, creio, da perspectiva pela qual o aferimos, poderemos vislumbrar uma saída para o novelo que tenhamos em mão. Ora, é aqui que o problema gera outro problema porque encontrar uma perspectiva de solução é quase tão difícil como encontrar a própria solução. No entanto, assim que a encontramos (a perspectiva), o objectivo final torna-se muito mais real. Esta é a minha interpretação e creio que foi nisto que Russell se revelou um "Senhor": ele era um Vulgarizador da Filosofia, tornou-a, com os seus raciocínios rápidos, acessível ao "comum dos mortais", reabriu uma nova época de Racionalismo, de Análise da Realidade ao longo de um século, no qual pareceu que as pessoas fizeram demais e pensaram (correctamente) "de menos" e que, também graças a isso, ou não, se encaminha para uma era de obscurantismo tecnológico, ou seja, "não me interessa como funciona, desde que funcione! Alguém há-de saber isso...". Será este o mundo em que queremos viver?

12 de março de 2008

Betracht dies Herz und frage mich,
Wer hat die Kron' gebunden,
Von wem sind diese Wunden?
Sie ist von mir und doch für mich.
Sieh, wie es Blut und Wasser wient,
Hör, was die Zähren sagen,
Die letzten Tropfen fragen,
Ob es mit dir nicht redlich meint...
Ergib dich, hartes Herz,
Zerfließ in Reu und Schmerz.

Tradução:

Repara neste Coração e pergunta-me,
Quem entrelaçou esta Coroa,
De quem são estas Feridas?
Fui eu que a fiz e sou eu que a carrego.
Vê, este coração chora Sangue e Água,
Escuta o que dizem as Lágrimas:
As ultimas gotas perguntam
se não és sincero...
Rende-te, Coração duro,
E derrete-te em Remorsos e Dor.

Engelsarie aus Grabmusik - W.A. Mozart, 1767

11 de março de 2008

Depois dos ultimos posts, altamente musicais, chega a altura de algo completamente diferente...
Queria partir... de um filme. Vi este filme na 6ª feira e o título é "Into the Wild" (O Lado Selvagem, título em Portugal). E, daí partindo, a pergunta que faço é: quantos de nós têm entrado em contacto com o seu lado selvagem? Quantos é que se ligaram aquele lado em que tudo está imaculado, o local em que são realmente livres? É um local assustador? Pode ser (se assim o deixarmos)! E o caminho para lá chegar não é, muitas vezes, fácil. Pelo caminho, muitas barreiras há que nos impedem de lá chegar... muitos caminhos, muitas encruzilhadas... a Dúvida assola-nos, os nossos preconceitos e regras de auto-domínio impedem-nos de chegar ao nosso ponto mais genuíno... As regras da sociedade, nas quais estamos integrados, e as quais nos são incutidas desde a mais tenra idade, viram-se (quantas vezes!) contra nós e desviam-nos... Perdemo-nos! Esse é um Local ao qual convém que retornemos frequentemente. É lá que está a Essência! Quando tudo no mundo falha, eis algo do tamanho do Universo, dentro de nós, que nunca falhará...

9 de março de 2008

Temptation-
Why won't you leave me alone?
Lurking Every Corner, everywhere I go...

Self Control-
Don't turn your back on me now
When I need you the most...

Constant pressure tests my will
My will or my won't
My Self Control escapes from me still...

Hypocrite-
How could you be so cruel
and expect my faith in return?

Resistance-
Is not as hard as it seems
When you close the door...

I spent so long trusting in you
I trust you forgot
Just when I thought I believed in you...

[Sample is Meryl Streep from the film "Falling In Love".]
"What're you doing?
What're you doing?"


It's time for me to deal
Becoming all too real
living in fear-
Why did you lie and pretend?
This has come to an end
I'll never trust you again
It's time you made your amends
Look in the mirror my friend...

[Sample is Jeremy Irons from the film "Damage".]
"That I haven't behaved as I should"
[Sample is Mary Beth Hurt from the film "Light Sleeper".]
"Everything you need is around you. The only danger is inside you."
[Sample is Jeremy Irons from the film "Damage".]
"I thought you could control life, but it's not like that. There are things you can't control."


Let's stare the problem right in the eye,
It's plagued me from coast to coast...
Racing the clock to please everyone,
All but the one who matters the most...

Reflections of reality
are slowly coming into view...
How in the hell could you possibly forgive me,
After all the hell I put you through?!?

It's time for me to deal,
Becoming all too real,
living in fear-
Why'd I betray my friend?
Lying until the end!
Living life so pretend!
It's time to make my amends,
I'll never hurt you again...



... e é isto, basicamente!...

6 de março de 2008

Confrontaram-me, ainda há minutos, com o meu passado. E, mais engraçado, com um momento que eu considero muito positivo! Foi muito giro!
O Passado é algo imutável. Coisas boas ou coisas más, ninguém lhes pode mexer. Jamais! Por um lado isso parece cruel (visto que é impossível passarmos pelo mesmo) mas por outro é um alívio porque NÃO temos de passar pelos mesmos momentos maus. De qualquer forma, o Passado parece ter a irritante mania de nos querer "apanhar". E sobretudo, de tentar subverter coisas boas em coisas más, ou más em boas (ou ainda piores). É aí, nesses momentos, creio, que nós vemos o quão forte nós somos, o quanto estamos em paz com aquilo que vivemos. Tudo o que vivi, bom ou mau, sei que teve um propósito, e aquilo que ficou eternizado foi o que eu sentia na altura. Olhando para trás, posso rir-me, posso chorar, posso sentir saudades mas não quer dizer que voltasse a fazer ou evitasse. Já está feito, teve um propósito! Eu escolho viver no Agora. Se isso implicar ser confrontado pelo que disse ou fiz (que tenho a certeza que o fiz com a maior das Verdades), que seja. Há que separar as coisas, a única variável comum ao (meu) Passado e ao Agora, sou eu! E mesmo essa variável, é isso mesmo: uma variável. Mudei, e mudei porque tenho um Passado. Ou seja, sou e não sou o mesmo. Será necessário julgamento e/ou condenação por isso? Podia agora ir pela questão de crimes (mesmo crimes, termo judicial) passados, criminosos que nunca foram julgados e que o deviam ser, mas não é dessa(s) situação(ões) que falo. Falo do nosso passado pessoal, daquele que só a nós diz respeito, sem dano físico pessoal. E mesmo assim, ele tem essa tendência estranha de "pedir contas"... Então, que peça! Mas que se saiba que, ou já paguei, ou estou a pagar...

2 de março de 2008


... e, um dia, muitas como esta haverão. Grazzie Nocas!

1 de março de 2008

...mas eis que deslizo pelo fino macadame e me dou surpreendido. Aquela sensação típica de alguém que se passeia à beira rio num fim de tarde invade-me... Ninguém o definiu melhor como Cesário...

"Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer. (é mais o contrário, mas pronto, não posso mexer nas rimas...)

...

Batem os carros de aluguer, ao fundo,
Levando à via-férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista, exposições, países:
Madrid, Paris, Berlim, Sampetersburgo, o mundo! [...]"

Lisboa era uma cidade bonita ao fim do dia... A Luz que envolvia a zona ribeirinha era suave como uma cobertura de caramelo quentinho, acabadinho de fazer, e douradito. O cheiro no ar trouxe-me a nostalgia de anos há muito passados e sinto-me pleno de energia e bem-estar... Só me apetecia expandi-la em todas as direcções, que todos sentissem o que sinto!... Olho em meu redor, há sorrisos, há serenidade, há beijos e carinhos, há sorrisos e brincadeiras, conversas de fim de tarde, pequenas sinfonias numa "Opera Universalis" no qual me sinto, simples, figurante... e assim, ouvindo os ultimos acordes da encenação do dia, oiço o cair do pano indigo, sentindo a aturdida preparação para o número da noite...

Hoje, como num dia longínquo, senti-te, Lisboa, a sorrir... Era esse sorriso teu, ou de quem, "alguém", por aí anda?...

27 de fevereiro de 2008

When I find myself in times of trouble, mother Mary comes to me,
speaking words of wisdom, let it be.
And in my hour of darkness she is standing right in front of me,
speaking words of wisdom, let it be.

Let it be, let it be, let it be, let it be.
Whisper words of wisdom, let it be.

And when the broken hearted people living in the world agree,
there will be an answer, let it be.
For though they may be parted there is still a chance that they will see,
there will be an answer, let it be.

Let it be, let it be, .....

And when the night is cloudy, there is still a light that shines on me,
shine until tomorrow, let it be.
I wake up to the sound of music, mother Mary comes to me,
speaking words of wisdom, let it be.

Let it be, let it be, .....

The Beatles

Ontem vi a retransmissão dos Grammy's deste ano... A certa altura, como é apanágio do espectáculo, apareceu uma versão, que me tocou especialmente, do "Let It Be" dos Beatles, cantada em Gospel. Para mim foi, sem dúvida o momento alto daquela noite... Finalmente um arranjo à altura da musica e da letra!... Questão pendente: quem é a "mother Mary"?

23 de fevereiro de 2008

Muitos poderão perguntar-se porque é que eu ponho tantas letras de músicas num blog que, supostamente, é dedicado ao pensamento sobre as coisas simples (ou não!) como sentimentos que nos podem assolar, de tempos a tempos, em fases da vida, ou que são permanentes... Isto tem dois motivos: o primeiro é por ser absolutamente melómano. Quando ponho qualquer coisa, tenho a irritante mania de imaginar que, a par com a letra, estou a colocar (subliminarmente) a música... é uma pena que nem na vida real eu consiga colocar, transmitir as emoções que sinto ao ouvir uma música com a qual me identifico... seria a perfeita forma de comunicação! Transmitir emoções, inequívocas, entre dois humanos seria maravilhoso.
O segundo motivo, é que as letras, sendo poesia, são o que de melhor consigo encontrar para exprimir o que sinto... Lamento os pobres compositores que aqui cito, por nunca terem imaginado que as suas obras são citadas por motivos tão banais... É poesia de fácil acesso, poesia de "esticar o braço" e já está... não tenho paciência para pegar num livro de conceituada poesia (a não ser nos que já peguei, nos tempos de antanho) e sentir-me identificado com o que se escreve... Normalmente, quando isso eventualmente acontece, há dois tipos de poemas com que me deparo: aqueles que são tão banais e repetitivos que até chateiam, e aqueles que só nas aulas de Português (ou outra língua) podem ser decifrados, de tão críptica é a sua linguagem... Nisso, as letras de músicas têm mais um argumento a favor - o seu factor críptico é facilmente decifrável pelas emoções que a música transmite. No entanto...

No entanto, percebi que as coisas podem não ser assim... Tenho encontrado ultimamente letras que não correspondem ao que a música está a transmitir. Oiço a música antes de perceber o que está a ser cantado e tenho uma impressão que a música será sobre um tema. Procuro então a letra e espanto-me que o que é cantado é quase o oposto do que eu senti pela música. Um exemplo disso é a musica que já aqui postei "The Weed of all Mankind" dos Kaipa. Mas tenho encontrado mais.

A Vida é mudança. A Vida está em mudança. Lembro-me dos tempos em que sentia uma profunda vontade de escrever, ainda não sabendo do quê, e em que as palavras fluíam assim que eu me sentava em frente à folha de papel. Era também o tempo em que conseguía memorizar todas as letras que me apareciam à frente e rara era aquela que não me dissesse algo, ou que não conseguísse aplicar num contexto, ou que não traduzisse ou levantasse uma emoção forte. Com o tempo, tornou-se difícil memorizar mais letras mas, mais ainda, encontrar alguma que me dissesse algo. Comecei, então a interessar-me por álbuns que contassem uma história (os concept albums), já que ao longo de uma história as pessoas passam por muitas emoções e, muitas vezes, as histórias que são contadas são fragmentos das experiências pessoais de quem as escreve... Também isso passou. Compreendo (ou acho que compreendo) que a Vida me diz: está na hora de seres tu a escreveres aquela poesia que, mais que nunca, te tocará - a tua. É aquela a que tu poderás voltar, sempre que quiseres e com a qual te vais identificar sempre... E apesar de já ter escrito qualquer coisa noutros tempos, acho que "esta" há de ser um bocado diferente...

14 de fevereiro de 2008

"A sorte, para chegar até mim, tem de passar pelas condições que o meu carácter lhe impõe."

Não sei de quem é esta frase mas sei quem ma mandou (e desde já lhe mando um grande abraço). São frases providenciais que nos aparecem no caminho, nem que seja para me pôr um sorriso na cara (como pôs).
Em primeiro lugar, e depois de algum pensar, subscrevo esta frase. A parte mais estranha aqui é coadunar o conceito de "sorte" com "o meu carácter lhe impõe". A primeira questão é: o que é a sorte? Haverá mesmo sorte? Depende. Se acreditarmos em coincidências, sim, creio que se pode admitir a existência da sorte, já que o conceito de sorte depende do conceito de acaso (que irá dar, obrigatoriamente, à noção de coincidência). Sigamos por este caminho. Para sabermos que algo que nos acontece é uma sorte, tem este acontecimento de ser por nós processado como um acontecimento benéfico, o que depende do nosso carácter e daí a frase fazer todo o sentido.
Outra análise. Independentemente do processo que acabei de referir, suponhamos que existem as condições que criamos para que a sorte aconteça. Daí o célebre dito popular "A sorte somos nós que a fazemos" ou o seu inverso "Quem semeia ventos, colhe tempestades". Novamente, estas condições dependem do nosso carácter, de como nós sentimos as coisas e queremos que elas aconteçam. Se as coisas acontecerem como nós queremos, é uma sorte, claro! Mas aqui perde-se o sentido de acaso que o conceito de sorte implica.
Eu não acredito na sorte. Simplesmente porque não acredito no acaso. No entanto, fico surpreendido com as coisas boas que simplesmente me aparecem no meu caminho e celebro-as. Por vezes não sei reconhecer assim tão bem que são boas, ou exagero no bom que uma situação é, mas isso são contas de outro rosário. Se puder fazer a minha "sorte", faço-a. Se não, sigo a minha Vida, que é só o que tenho de fazer, e depois logo se vê. O que conta, como sempre, é o Agora, já o tinha dito, porque é no Agora que se decidem as coisas e não no Passado (o qual só serve para se tirarem lições) ou no Futuro (que é um bom factor para nos pôr a mexer no Agora, que não existe, onde tudo está por decidir e que, por isso, é errado fiarmo-nos).

12 de fevereiro de 2008

Como não me apetece papaguear como costume (não vá eu criar espectativas em quem não devo), ponho simplesmente esta letrinha...

It's getting dark, I hear a voice
It's whispering
I turn around but no one's there
Against my face I sense a breath
I close my eyes, I'm flying
A mellow smell, I taste the air
I realize someone's lying next to me
I feel a hand against my hair, it makes me weak
I'm crying

No one's there to tell you when the moment's coming
You will ever hear when there's a thunder drumming
A tenth of a second, that is all it takes

Everyone says they know how I feel
But I have a wound that won't heal

I see your eyes in every face
You look at me, but I'm afraid to look at you
I'm filled with guilt, I'm filled with grief
It hurts me so, it's painful
I hear your voice in every sound
You talk to me, but I'm too weak to talk to you
They say that time will heal the wound
How do they know? It's my wound!!

No one's there to tell you when the moment's coming
You will ever hear when there's a thunder drumming
A tenth of a second, that is all it takes

Everyone says they know how I feel
But I have a wound that won't heal

Are you there?
I am here
Everywhere
You're in the end
Are you there?
I am here
Everywhere
You're in the end

Life isn't fair, you would taking away far too soon
I have to move on, I've got a wound that won't heal

A.C.T. - Silence (2007)

7 de fevereiro de 2008

Hoje estou com a telha. E tirando hoje, tenho andado com a telha. Mas sobretudo hoje, andei especialmente com a telha. Estou a começar a chegar à brilhante conclusão que o mundo não vale a pena o esforço. Lutar é palavra vã. É um mundo onde os egos se degladiam por terem mais peso que o do próximo, onde o bem que é feito não é retribuído nem na mais ínfima atitude de cordialidade. Vão pro diabo que vos carregue!

Mudando de assunto, e falando de algo que vale a pena ser falado (porque proveio de alguém que vale a pena o esforço), chegou-me ás mãos a seguinte frase:

"É um equívoco acreditar que um sistema de pensamento baseado em mentiras é fraco. Nada que tenha sido feito por uma criança de Deus deixa de ter poder. Todas as crenças são reais para aquele que acredita."

À partida esta ideia soa-me perfeitamente lógica mas é necessário analisar cada uma das afirmações que a compõe.
1ª parte - "É um equívoco acreditar que um sistema de pensamento baseado em mentiras é fraco." A nossa sociedade é baseada num sistema de mentiras. Todos sabemos isto. É ela fraca? Como a sociedade se tornou num lugar demasiado grande para verificarmos que, noutro ponto, ocorreu efectivamente algo, confiamos nos meios que nos veiculam a informação. Tirando no mundo científico, não creio que haja outro meio em que se verificam as fontes. Mesmo qualquer imagem que nos apareça no televisão pode ser editada de modo a ajustar-se aos interesses que estão por detrás de quem dá a notícia. Creio que foi assim que se passou no 11 de Set, em que mostraram imagens do povo palestiniano a festejar, notícia prontamente desmentida pelos próprios, afirmando que as imagens mostradas já eram antigas. É uma questão de credibilidade de quem nos fornece a informação. Politicamente é a mesma coisa: o sistema foi montado tendo em conta uma representatividade de proximidade mas, com o tempo, essa proximidade desvaneceu-se, substituiu-se pela representatividade do partido e, consequentemente, a representatividade dos seus interesses. Tendo em conta que um partido é sempre uma organização um pouco (ou um muito) obscura, não creio que seja um bom augúrio termos pessoas a defender interesses que não fossem os nossos. Conclusão logica: se o fundamento inicial e fundamental se perdeu (já não é verdade), então o sistema é uma mentira. Em termos de sistema de pensamento (lógico ou metafísico) a coisa já pia de outra forma. Envolve um dado importante: fé e a fé, como sabemos, é cega. Num sistema de pensamento temos sempre uma boa parte que é intangível, logo, fica ao nosso critério acreditarmos ou não que seja verdade, mesmo sem provas cabais. E o contrário está também correcto, visto que a mentira é também inverificável. Portanto, em termos absolutos, é viável haver um sistema de pensamento baseado em mentiras. É na inverificabilidade, na intangibilidade que reside a força do sistema.
2ª parte - "Nada que tenha sido feito por uma criança de Deus deixa de ter poder." O que é uma criança de Deus? Fazendo prova de fé, creio que somos todos crianças/filhos de Deus e, como tal, teremos tyodo o poder que Ele nos dá para realizarmos o que tivermos a realizar. Mas ponho-me agora no outro lado da barricada: e se não formos filhos de Deus, mas do acaso? Que poder nos é concedido? Sentimos em nós que temos um poder qualquer mas quem no-lo terá dado? A própria condição humana? A condição de sermos livres, de termos uma vontade? O Poder é independente, por esta ordem de ideias, de sermos crianças de Deus ou não. Independentemente do sistema de pensamento que utilizarmos ser mentira ou não, o poder intrínseco que temos garante que tornemos a matéria da nossa fé real e consistente (não usaria aqui a palavra forte ou fraca).
3ª parte - "Todas as crenças são reais para aquele que acredita." É a integração das duas anteriores! A crença em algo, baseado na fé, tornada realidade pela nossa vontade e poder de o tornar real, ou seja, verificando que existe sobreposição do imaterial, do intuído pela fé, com o que os seus sentidos captam e mente processa (numa palavra, o real) transporta sensivelmente o intuído para a realidade, transmite-lhe força de realidade. Integrando isto com a 1ª parte, não podendo verificar a veracidade concreta do que intui, mesmo que seja mentira, passa a ser real. Não confundir aqui real com verdadeiro, ou lógico com verdadeiro, ou lógico com real. São três conceitos distintos. O verdadeiro pode não ser lógico ou real, o real pode não ser verdadeiro (como só uma mentira o sabe ser) ou lógico e o lógico pode não ser verdadeiro (através de raciocínios distorcidos) ou real (no fundo, uma utopia).

Eu tenho crenças. Para mim são verdadeiras, são reais e têm força. Não as enfio pela garganta abaixo de outros, são para consumo próprio. Um dia alguém poderá mostrar que acredito numa mentira e aí todo o sistema desabará. Tudo bem. Mas faz parte da condição humana acreditarmos em algo superior a nós mesmos, nem que seja no nosso próprio potencial, na nossa existência. Até os nihilistas acreditavam em algo que no fundo era um não-algo: o nada. Admiravam-lhe a infinitude e o facto de nos/tudo transcender, de ele provir e a ele voltar. Mas sempre acreditavam em qualquer coisa. Bom pra eles!

4 de fevereiro de 2008

Alguém me disse há pouco que, comparando a minha escrita de ultimamente com a de antigamente (quanto antigamente não o sei, mas deduzi que é um antigamente antiguinho), que perdi um bocado da alegria ao escrever... citando (e nao fiques zangada por isso) "parece que quando escrevias na altura não havia uma sombra qualquer sobre ti que há agora...". É normal. A Vida é um processo complexo e, quando uma pessoa é processada, é normal que vá perdendo um pouco da inocência pelo caminho. É assim que eu interpreto ou justifico as palavras desta minha amiga. Acabei por lhe explicar mais propriamente quais as partes do processo responsável por esta perda de inocência, longos e complexos demais para que os explique aqui. A meu ver, creio serem uma mistura de sonhos perdidos, realidades adquiridas e uma estranha sensação de "daqui para onde vou eu?", substancialmente diferente de estar perdido; é uma sensação de estar a fazer o próprio caminho, a própria estrada e percorrê-la. E esta é uma sensação terrível, no sentido de "adamastora", saber que está tudo nas nossas mãos. Muitos sentir-se-iam felizes com esta "dádiva", o poder de fazer o caminho e de o trilhar, mas questão essencial (e não andei a ver Homem-Aranha a mais) é que com maior poder vem maior responsabilidade. E é essa responsabilidade que assusta. Pessoas há que sabem o que eu quero dizer com isto, elas próprias parte desta responsabilidade. Por isso, não me venham com a história de "tens é medo de fazer qualquer coisa com a tua vida" porque se há coisa que não tenho é isso, levantando-me todos os dias para tentar mandar o show para a frente, como grande parte das pessoas. Se podia fazer mais? Se calhar podia, podia meter-me no primeiro avião para África e ir lá ajudar quem precisa (e são tantos...), podia meter-me noutro avião e ir para um país com um nível de vida melhor que este mas nenhum destes é o meu caminho. Não são a minha "cena". Também ainda estou a tentar perceber mais propriamente qual é a minha "cena" mas vou começando a vislumbrar. O que não é o mesmo que vislumbrar o caminho.

26 de janeiro de 2008

Et voilá! Finalmente, após horas de experimentação informática em HTML, aqui está o novo rosto aqui do espaço (os autores estão no rodapé). O modelo que escolhi está optimizado para o Explorer e não tanto para o Firefox, no qual o titulo e o link superior (para uma página de citações - não me lembrei de melhor mas estou aberto a sugestões!) podem aparecer desformatados. Posto isto, só me resta assegurar que tentarei que a "conversa" continuará a ser o mais estimulante ou interessante possível, como tenho tentado desde os idos de 2004 (tarefa hercúlea!). Espero que gostem! :)

23 de janeiro de 2008

Et ressurrexit tertia die...

- Mas porque é que acabaste com aquilo?...
- É pá, eu achava que aquilo já tinha perdido o sentido inicial, basta ler os posts do inicio... Sabes que nos últimos tempos muitas coisas têm perdido o sentido para mim... o blog foi mais uma coisa delas...
- Tudo bem, mas as pessoas gostavam, de o ler. Paras assim com o blog, sem mais nem menos, as pessoas vão achar que não tens consideração por elas.
- Tens razão. Mas garanto-te que tenho a maior das considerações por elas. Afinal são elas que dão sentido a um blog... se bem que até nisso as coisas mudaram porque originalmente nem estava à espera que alguém lesse o que eu tinha para escrever... foi mesmo porque me apetecia mandar o isco e deitar-me à sombra da arvore a repousar... se mordesse, mordeu!... Por acaso agora no final até estavam a morder relativamente bem! (risos)
- Ok, mas vê lá isso... Acho que se calhar te precipitaste... não tens saudades de escrever lá?
- É claro que sim, aliás eu próprio ainda lá vou de vez em quando ver o que escrevi de outras vezes, levantar o bolor dos arquivos... Por outro lado, eu agora tenho outro local (físico) onde posso escrever e estou a entusiasmar-me por isso... Sabes onde é que da outra vez escrevi?
- Não
- Na Peninha! Digo-te, é brutal! Se pudesse mexer a caneta com o pensamento, ou só sustentá-la no ar, garanto que ela escrevia sozinha...
- Lá estás tu a exagerar... aquilo até é bonito mas... olha, tu é que sabes o que te inspira... tu e cada um...
- Pois, e também foi por um bocado de falta de inspiração que eu fechei aquilo. Ás vezes até queria escrever qualquer coisa e não tinha ponta de ideia sobre que escrever... e tu sabes que eu adoro escrever imenso, textos longos. Escrevia lá meia dúzia de linhas e não conseguia escrever mais! Era frustrante! Além disso, comecei a ver que acabava por escrever sempre sobre a mesma coisa... sentia que me estava a repetir... isso é que eu sentia que era uma ofensa a quem se dava ao trabalho de ler o que eu escrevia...
- Olha, eu não achei isso. Fiquei mais ofendido por teres dito que terminaste o blog.
- Mas era assim tão bom, gostavas assim tanto?
- Bem, não era nenhum romance do Lobo Antunes mas lia-se bem... era diferente...
- Então olha, não sei... vou pensar no assunto..."

E pensei. Pensei no prazer que tinha em partilhar muitas das coisas convosco, para que pudessem saber como é que outra pessoa sente e vê a vida, talvez para se aperceberem que existem mais pessoas que se angustiam com o que vocês se angustiam, que têm as mesmas frustrações mas que, tal como vocês, não desistem e vão à luta. Porque a Vida é uma luta. A Vida dá trabalho e, talvez por isso, é que ela não é nada fácil por vezes. Custa levantar do chão? Custa! mas tem de ser... Custa engolir sapos? levar um estalo e não dizer nada? sermos insultados e não responder? sofrermos injustiças e não poder corrigir? aturar o mau feitio e ignorância dos outros? sofrermos desilusões dia sim dia sim? dizerem-nos que não e afinal, com boa vontade até se diria que "sim" mas não estão para isso? não ter as vontadinhas satisfeitas? Acordem meus queridos, a Vida é isto e muito mais... muitíssimo mais... é a busca pelo que está certo, pelo que se tem mesmo que fazer, a busca do "sonho", é transcendermo-nos mais do que aquilo que julgamos possível, é sermos herois cada minuto, a cada respirar e cada pulsação por enfrentarmos cada dia com uma coragem que não se sabe de onde é que vem mas que nos impele a continuar... porque tem de ser... mas o "porque tem de ser" tem motivos que a razão desconhece e aí somos impelidos para as palavras do poeta e lembramo-nos do coração e percebemos que o "tem de ser" está gravado a letras de Amor no nosso coração... acordarmos de manhã e descobrir um motivo diferente do "tem de ser" dá-nos energia renovada e entusiasmo para abrir os olhos e rirmo-nos para o sol... Aconteceu-me isso ontem!... senti-me muito bem e senti uma atmosfera, um ambiente tão parecido com o que senti há uns bons anos atrás que dei por mim a sorrir muito... Nestes dias conturbados dou por mim a sorrir muitas vezes... mas também dou por mim a querer chorar muitas vezes... é conforme o que a vida me oferece e eu aceito, devoro-a em dentadas suculentas e peço ainda mais! Saboreio cada emoção, cada sorriso, cada lágrima, cada "pequeno ódio de estimação", cada gargalhada, cada pensamento que me ocorre fora do comum, cada sonho, cada pesadelo... Mas não pensem que sou mais ou menos do que vocês! Vocês também são assim ou, se não são, têm o potencial para o ser! Pois somos Humanos, Únicos e é nossa a Vida...

Não me canso de o repetir e vou continuar a fazê-lo até que nunca mais ninguém leia isto... numa resposta aos comentários que me fizeram tinha dito que dei a minha palavra como não ia continuar com o blog... Pois bem, que a desonra caia sobre mim por não ter mantido a minha palavra nisto (situação raríssima) mas sou Humano e também erro (não me servindo disto como desculpa) e por isso aqui estou... O sentido original não é o mesmo? Paciência, a Vida também não é sempre a mesma coisa! O giro é escrever sobre ela e ver ao longo do tempo como é que ela mudou. Não prometo actualizações frequentes mas prometo que cada vez que encontrar algo de útil e diferente para partilhar que o farei... esse é o meu compromisso de Honra e este cumpri-lo-ei porque o meu coração está aí também... como li por aí, "enquanto houver um que venha ler, vale a pena continuar a escrever..."... e assim será...

7 de janeiro de 2008

Ladies and Gentlemen, last but (never) not least...

Morreu ontem o Homem... Luiz Pacheco (do qual aqui reproduzi um excerto de um texto seu), faleceu ontem com 82 anos de uma vida em pleno e com ainda muito para nos dar... e chocar (como era seu hábito) as mentes mais fechadas deste país, aquelas que aceitam o pó em cima da mesa e, sobretudo, das mentes... se puderem, aconselho, tentem encontrar obras suas. Não vão dar esse tempo por perdido.

Foi este o meu conselho neste que foi o 1º post de 2008. E o último. De sempre. De hoje em diante, este blog fechou as portas. Não por Luiz Pacheco (convém dizer), mas por mim. A razão deste blog deixou de existir há algum tempo (vinha eu a reparar) e acho que a blogosfera vai agradecer. O site manter-se-á activo por mais uns meses (max. um ano) mas depois encerrá-lo-ei de vez. Para qualquer assunto, aqui fica o e-mail: lux.elementum@gmail.com . Foram 3 anos e uns meses em que ficaram patentes momentos muito importantes da minha vida, em que conheci, através do blog, pessoas extraordinárias, se debateram por vezes ideias...em suma, uma óptima experiência!

A todos os que leram, muito obrigado e bem hajam! E sim, enquanto houver vida, estes serão sempre dias conturbados...

24 de dezembro de 2007

Tenho pensado muito no que vou escrever mas acho que o melhor é fazê-lo como sempre fiz: "straight from the heart"...
É Natal, não é preciso eu acrescentar mais nada quanto a isto, é um facto, estamos na época festiva... Milhões de pessoas têm milhões de motivos para gostarem desta época mas eu pertenço aos outros milhões de pessoas que têm milhões de motivos para detestarem esta época... As minhas razões têm raizes profundas e, como "planta" que é, todos os anos cresce e cresce e cresce...
O mundo não está um lugar bonito para se viver... podia ser mas não está a ser um lugar bonito para se viver e não são épocas como estas que ajudam a ser... muito pelo contrário, é uma época onde a hipocrisia e o cinismo imperam... Não estou a dizer que haja boa vontade algures, até pode haver, mas acho que acima de tudo existe um puro sentimento de inveja e ciúme, algo que se sobrepõe ao aclamado espírito de comunhão e solidariedade que deveria caracterizar o Natal... são as compras que se "têm" que fazer para 90% das pessoas que não se gosta realmente mas que se "tem" de oferecer senão ficamos com a impressão de se ter ganho um inimigo para a eternidade, é a corrida de encontrar uma prenda melhor do que a do ano passado mas não suficientemente boa ou melhor que a que vamos dar aos que gostamos que, por sua vez, não será melhor que a que já nos demos, é a má vontade com que se arrastam as crianças que queria um brinquedo que não vão receber porque é muito caro e vão ter que se contentar com um muito pior, é o mau humor das pessoas nas compras, é isto, é aquilo e aqueloutro, é só dizer...
As minhas razões são mais pessoais... baseiam-se num conjunto de experiências que aconteceram e nunca deviam ter acontecido, e noutras que aconteceram e deixaram de acontecer... O Natal é para as crianças, lá isso é e tem de ser assim... o meu Natal foi assassinado aos 10 anos. Porque foi aos 10 anos que deixei de fazer uma festa de crianças (ou com crianças) para fazer uma festa sem crianças, só pessoas idosas com as quais não me identificava minimamente... família, sim, mas família que não me dizia nada, que só via quase de ano a ano, em contraste com outra família que eu via quase todos os fim-de-semana... Natal sem alegria, Natal com queixas, ressentimentos à mesa, um Natal de nome, só casca, esqueleto... Não melhorou durante anos, até há 4 anos, altura em que mudei de casa e fiz a primeira consoada só com os meus pais... Pensei a início que seria mais uma consoada sem vida mas foi especial, diferente, muito gira... No entanto, há um aspecto muito importante no Natal: a preparação do mesmo! Isto, até aos 10 anos foi fantástico, deixou de o ser, e há 2 anos voltou a ser durante, precisamente, 2 anos... este ano voltou a deixar de ser e, portanto, não tenho nada que me diga que é Natal porque não o preparei minimamente.
As prendas.. bem, disso não me posso queixar porque nunca recebi prendas daquelas de sonhar (o que é diferente de não receber prendas)... fui, o que costumo chamar, um "babão" - passava a época pré-Natalícia a babar-me com o que via na televisão e depois babava-me com aquilo que eu via os outros tinham recebido... se isto era mau, pior ficou porque calhou-me o castigo de Sísifo: quando tinha chegado ao cimo (a uma situação boa), a pedra rebolou de novo para o fundo da encosta... coisas da Vida...
A nossa vida também é feita de memórias. E muitas vezes é das memórias que se cria a expectativa de coisas que hão-de acontecer... As minhas memórias de Natal são, na sua maioria, más. Mas também tenho memórias boas e é nisso que penso nestas alturas e não me deixa tão amargo em relação a esta época... De resto, motivos todos temos para encarar as coisas de uma forma ou outra... O meu 1º desejo de Natal não se vai realizar, já o sei, o meu 2º também não (e era tão simples) mas o meu 3º desejo espero que se concretize: que, quem quer que leia isto, tenha um Natal (em todas as suas vertentes) bem melhor do que os que eu tive, sem ressentimentos, sem amarguras, mas com muita muita alegria e Amor!...

18 de dezembro de 2007

"And when we touch the future dies,
I see the face of my demise,
I'm all alone without a friend,
I see my fate; my bitter end...

Thought I was the bigger man
But all I've done is a grain of sand...
Thought I gave the best of me
But all it was, was vanity...

All is vanity
All is vanity..."

Spock's Beard - Snow

Constatações, dúvidas, vislumbres de um futuro (indesejado)... :/

16 de dezembro de 2007

Ultimamente, por vezes, sinto-me assim...

Our garden is running dead dry
We're watching the flowers die
This Eden is running to weed
Under dense and darkened skies
We're watching love die

Weeds linger past the doors
Green fingers from the dark fields
The thorn cut thru the walls
Piercing thru the armours
It'll reach out for your heart

This evil is still standing by
They strike by the end of the day
This Sinister parasite dwell
In this house where there used to be love
Now it borders to hell

They feed on fear and weakness
Like a sleeping cancer growth
Screaming to break free
To join the dawn of madness
Where King of Chaos rule

Now passing borderlines
We're stunned, disarmed and helpless
A crown of thorn to rule us
In years of silent sadness
The weed of all mankind


Outras vezes sinto-me assim...

You don't know who sent you here - You can't see them pull the strings
I bet they've got a damn good reason - I hope there's someone listening
Ihope what they say is true - That God can see thru souls of men
And all the blood upon our windows will be like teardrops in the rain...

...

Where did all the goodness - where did all Love go?
Where is all the kindness - can love find a home?
First you build me up and then you break me down.
I don't want your money - I just need your time.
World is getting older now! World is getting colder now!
Egos getting bigger - It's playground for the wicked!
No one is really listening - No room for reasoning!
The cash machine just opened up it's jaws & now it's giggling.

Look when you stand on the brink of that dark hole
It's like the world just collapsed in this space.
If you look for a trace of redemption - You're not likely to find in this place


Mas, apesar de tudo, em pano de fundo, sinto-me sempre assim...

I'm the voice of summer - now won't you ride the wave?
I am life in motion & laughter on the scale.
If you take me seriously - I'll take you serious too
Ride together into the sunset, that's all we can do.
You can call me dreamer - You can call me plain.
A tiny bit of sunshine in between the driving rains.
You can call me father - You can call me son.
A little bit of yesterday & future wrapped in one.

...

Hey - when you stand on the brink
Looking for answers - looking for answers
Love is One - Love is all - Love is kind
Love put on many faces
Love is the only answer - Love's what you feel
You can invest in love but never ask for payback...

Bonito quando outros conseguem dizer o que sentimos e somos...

Letras por "The Flower Kings" e "Kaipa"

8 de dezembro de 2007

Paro e olho pela janela. É fim de tarde... O contraste da luz de dentro e de fora faz-me lembrar certas pessoas... Mas ainda não vou por aí. Prefiro limitar-me (e é o que é neste momento) à luz que vejo desaparecer lá fora e a que está cá dentro, no quarto... Tento tirar uma foto para mais tarde poder recordar de como aconchegante, como "memoriosa" é este conjunto de cores que eu vejo. Infelizmente não tenho o melhor aparelho para isso e a foto fica-se pelas intenções...
Não queria ficar em casa hoje. Não sei porquê. Apetecia-me sair, estar com pessoas, falar de tudo e de nada, mas por aqui fiquei... De repente, num destes momentos em que tudo pára e nos pomos a olhar sem razão para um local, reparei no que disse acima e imediatamente a minha memória viajou... Bom da coisa, viajou para locais onde me senti tão bem, e melhor ainda, viajou para diversas ocasiões... Foi a altura da serenidade, a altura do recolhimento, uma luz que se vai e outra que chega, ou que parece que chega porque a que se vai era mais forte e a outra já la estava... sempre esteve... Nunca passaram por isso com pessoas? Eu já, e sem dúvida que aquilo que senti se dividiu entre a alegria do tesouro (re)encontrado/reconhecido e o sentimento de estupidez de termos demorado tanto tempo a reconhecer algo que sempre esteve lá. E não, a não estou a falar de ninguém em particular nem de algo que esteja a passar... simplesmente lembrei-me! Mas comecei há pouco a falar da diferença de luz nas pessoas. Tenho sentido (mais ultimamente que outra coisa) isso nas pessoas... Estando com elas sinto o que elas podem ser, conhecendo como conheço as suas atitudes, o seu modo de pensar, aquilo em que acreditam e, não raramente, sinto um grande potencial naquilo que são. É claro que, no fundo, é apenas uma imagem do que elas realmente são visto que, pela nossa condição, nunca saberemos como serão. Mas também, que interessa saber? Só se for por medo! Queremos saber com o que contamos, para quê? Para nos defendermos (por medo), por interesse? Eu costumo dizer que gosto de conhecer as pessoas mas também admito que não é somente pelo prazer que tenho em conhecê-las; ocasiões há, e sobretudo se tiver que conviver diariamente com elas, é para defesa ("gathering some intel")... Mas novamente o medo, aquele que se disfarça ardilosamente de coisas tão comuns que, se formos a dar por isso, já estão impregnadas no nosso quotidiano... e tão depressa ele se entranha que nem damos conta do quanto ele consegue manobrar as nossas atitudes... Há pouco tempo falei de uma vertente, nas relações amorosas, mas aplica-se a tantas tantas coisas... E, obviamente, levando o raciocínio até ao fim, é o Medo que leva a que a diferença entre aquilo que somos e aquilo que podemos ser se acentue... O mais engraçado é que, se agora se confrontarem com o "porque é que" fazem, e se o Medo estiver na base do que fazem, ele próprio vai criar barreiras de defesa. Como? Óbvio: gerando mais medo! É a única coisa que sabe fazer! :D Não cedam... confrontem o que sentem, o que fazem, os velhos hábitos bolorentos sem sentido e pensem se vale mesmo a pena gastar a vossa energia com isso quando podiam gastá-la em algo muito melhor: em como serem mais felizes e mais vocês próprios...

Olho agora pela janela e já é noite... o sentimento agora é outro: descanso, introspecção para o que se fez, preparar o amanhã... quem disse que, quando a luz está longe, não acontecem coisas importantes?...
Pegando na sugestão da Nocas, cá vai o meu contributo para a cadeia (esta até é interessante) da pag. 161...

E reza assim a dita página...

"-Quero lá saber da próxima geração, querido. O que me interessa, somos nós.
- Só és rebelde da cintura para baixo - afirmou ele.
Para ela, o dito soava extremamente espirituoso, e apertou Winston nos braços, encantada.
Os meandros da doutrina do Partido não lhe despertavam o mínimo interesse. Sempre que ele começava a falar dos princípios do SOCING, do duplopensar, da mutabilidade do passado, da negação da realidade objectiva, e se punha a usar palavras de novilíngua, ela mostrava-se maçada e confusa dizendo não ligar a essas coisas. Já se sabia que eram tudo balelas, por isso de que servia estar alguém a ralar-se? Sabia quando aplaudir e quando apupar, e chegava! À insistência dele em falar sobre tais assuntos, tinha o hábito desconcertante de adormecer. Era capaz de adormecer a qualquer hora e em qualquer posição. Conversando com ela, Winston percebeu a facilidade em exibir uma aparente ortodoxia sem se ter a menor noção do que era a ortodoxia. De certo modo, a visão que o partido fomentava do mundo e das coisas impunha-se com maior êxito às pessoas incapaz de a compreender. Podia-se levá-las a aceitar as mais flagrantes violações da realidade, porque nunca viam claramente a enormidade do que se lhes pedia, nem se interessavam suficientemente pela vida pública para se aperceberem do que estava a acontecer. Graças à falta de entendimento, conservavam saúde de espírito. Engoliam tudo e mais alguma coisa, e o que engoliam não lhes fazia mal, pois não deixava atrás de si o menor resíduo, como grãos de milho, sem serem digeridos, entram e saem pelo corpo de um pássaro."

1984, George Orwell (pag. 161 da edição portuguesa pela editora Antígona)

Não foi nada fácil escolher um excerto com sentido próprio para se colocar aqui... Ora, como eu não tenho amigos blogueiros, pela minha parte fico por aqui... :)

3 de dezembro de 2007

"The only limit to our realization of tomorrow will be our doubts of today." Franklin D. Roosevelt

Eu sei que é bom chegar a um blog, vermos as coisas e sairmos como se uma lufada de ar fresco nos tivesse atingido, deixando-nos bem dispostos, ou, de alguma forma, diferentes... Mas também é bom pensarmos nas coisas que nos aparecem por isso, aqui vos lanço o "reptil": comentai a frase supra-plagiada!


P.S. -"A child of five would understand this. Send someone to fetch a child of five." Groucho Marx

28 de novembro de 2007

Não, hoje não tenho nenhum apontamento mais profundo para partilhar convosco... vou simplesmente falar da foto que faz parte do novo visual cá do estaminé... esta foto foi tirada no inicio do Verão, na Peninha, em plena serra de Sintra, e fala por si... para mim, não é só uma foto bonita (pelo menos, para mim, é!)... há muito simbolismo, a começar pelo local, nos elementos que a compõem... seja, ou não, só uma foto achei que merecia um lugar neste cantinho onde partilho um pouco do meu mundo...

17 de novembro de 2007

" - Posso bem dizer isto sozinho. O amor humano é um acto de solidão. Falarei sozinho. Vi-te a primeira vez no corpo de outra mulher, o nosso amor é uma série de acasos, encontros e desencontros, aparece nos olhos desta, nas palavras de outra, nas carícias e ternura de uma outra... Vive, cresce, enriquece-se de semelhantes contrastes, sedimentos, memórias, repulsas, ódios, amarguras, desesperanças, todas elas casuais, inesperadas... É como um feto: rola no calor vazio do mar uterino até tomar forma, definir-se entre homem e mulher, leva tempo, uma vida interior a nascer - as mães é que sabem. Até nascer, inteiro e perfeito, definido. E quando isso acontece, quando já sabemos tudo dele, está pronto para morrer. Amei-te no corpo doutra, talvez fosse já o teu corpo a saudade doutro ou um outro corpo onde juntei tudo, tudo, dos corpos que conheci. Amei-te muito, ah! sim, amei-te muito e sei-o porque te amo ainda. No meio da desesperança e do medo, qualquer coisa há e sobe acima das nossas cabeças, dá sinal de nós lá mesmo onde não ousámos chegar, donde desistimos, ao cimo no mais alto, onde as nossas mãos não tocam e o barulho dos nossos gritos mal pode ouvir-se... Aí, lá no alto,está o nosso amor - pobre, ferido, sujo, humílimo embora, e tão cheio de medo, tão apavorado, tão frágil. Como um papagaio de criança, que golpe de vento derruba no chão, ou a falta de vento lhe corta o voo, ou a um gesto irreflectido do menino que segura a guita se estatela, partido, sobre as árvores, os muros, além. Amo, logo existo. Essa é a grande verdade. Mas tão frágil este amor, tão mesquinho, tão dependente das coisas. Tão torturado. Como o amor de mãe, tal e qual como o amor de mãe: parece forte e eterno e um dia, um dia como ainda não houvera outro assim, vamos beijar a nossa mãe à cama, como todas as manhãs desde crianças, dar-lhe os bons-dias, e ela já lá não está. Dizemos «bom dia, mãezinha» e não nos responde, olhamo-la calada e quieta e não percebemos, nos seus olhos abertos há uma tristeza tão grande, tão vazia e tão calada, uma tristeza como nunca víramos outra assim, uma tristeza que já não é para nós, que não tem nada a ver connosco, sem irritação, sem mágoa, sem zanga, sem dúvidas, mas parada e vazia, ausente, alheia, calma. Uma tristeza imperturbável e altiva. Olhamos a nossa mãe e pela primeira vez temos medo. É já uma outra pessoa, hostil e calada, uma coisa imunda que se afaste e repele, nos dá vontade de fugir. E a pergunta que eu agora lhes faço, a vocês que uma bela manhã, quando tudo parecia certo e igual, quando tudo estava como na véspera, viram a vossa mãe morta, posta ajeitada num caixão e tudo de repente ficou diferente e desumano, e vocês sozinhos num mundo hostil e parado, o que eu pergunto é isto: lembram-se, lembras-te, da tua mãe? dos risos, do cheiro das suas roupas, das palavras murmuradas, da carícia suave dos seus beijos? Lembras-te? E das vezes que a viste chorar,e chorar por tua causa, por ti? Nesse dia o mundo mudou e era tudo tão forte e coerente e organizado até então; pois lembras-te, é o que te pergunto, como era o mundo antes? Conheço um rapaz que já nem se lembra como era o rosto da mãe, outros nem sabem o que isso foi, tristes que nunca a viram. O meu pai ensinou-me pouco, mas dizia: «perdi pai e perdi mãe, posso perder tudo o mais». E, no entanto, quando me perdeu a mim que lhe saí ao torto, essa é uma história comprida, chorou... Assim é o amor dos homens, tão incerto e desprevenido, tão mutável e enganador. [...]"

in Exercícios de Estilo, Luiz Pacheco,1971

6 de novembro de 2007

Como é que se pode ir à luta de qualquer coisa quando, à partida, se sai numa posição defensiva? Como nos entregarmos a outra pessoa quando se pensa acima de tudo em nos protegermos a nós mesmos? Hoje foi isso que me apercebi num colega meu... O rapaz está (e muito bem) a ficar "apanhado" por uma pessoa que eu conheço... ambos são optimas pessoas, ambos têm um passado algo doloroso (quem não tem?) e ambos têm medo de se magoar... naturalíssimo... No entanto, querem proteger-se... investirem e protegerem-se... ir e ficar... estão a ver a lógica da coisa? Pois... eu também não! Quando, de uma vez por todas, é que as pessoas deixam de viver no Medo e passam a viver na Luz? Cheguei a dizer-lhe isto: já estou como a música dos Xutos - "se gosto de ti, se gostas de mim, se isso nao chega tens o mundo ao contrário..." Esses tipos é que têm razão! Só encontro pessoas assim á minha volta! Como querem que um possível relação dê certo se se baseia no medo e nao no Amor que, supostamente, deveriam partilhar (e partilhar implica dar um bocadinho... isto em termos práticos...)? E das relações parto para o resto... como queremos que a Vida evolua se temos medo das sombras, da escuridão, do nevoeiro pelo qual por vezes temos que passar para que isso aconteça? Há fantasmas na Vida? Há. Temos que os enfrentar? Temos!... porque é por isso que eles existem, para os enfrentarmos, com todo o coração e com muito Amor, para que, de cada luta, sejamos mais nós, mais Humanos, mais Divinos...

22 de outubro de 2007

Hoje estive com uma amiga minha que já nao via ha muito tempo. Soube muito muito bem! Sabe sempre bem rever pessoas de um passado cada vez mais distante, sentir que o tempo não passou, que se conversa como se ainda ontem estivessemos estado juntos...
Infelizmente, no meio de risadas e de conversas triviais, o tema central não era propriamente feliz. Não o vou, obviamente, revelar, mas a verdade subjacente é a da felicidade inerente e do que fazer quando essa felicidade está, erradamente, indexada ao que realmente importa: o nosso Eu, a Alma, o Interior. Soa a egoista? Respondam-me então, se não formos nós a viver a nossa vida, quem o fará? A Felicidade (conceito tão vago) é algo que só depende de nós. Nós a atraimos, nós a repelimos. Factores externos sempre existiram e sempre existirão, certamente, mas se estivermos consolidados em nós e cientes do que verdadeiramente somos, saberemos por as coisas em perspectiva e, assim, diminuir o possivel sofrimento tantas vezes desnecessário... no final, e no essencial, tudo se resume a isto: AMEM-SE, por favor (a vós mesmos)! Contra mim falo, certamente, porque quantas vezes me esqueço disto, no calor das situações... e, se calhar também, por saber desta verdade essencial é que reclamo tanto :)

14 de outubro de 2007

"To be, or not to be, that is the Question:
Whether 'tis Nobler in the minde to suffer
The Slings and Arrowes of outragious Fortune,
Or to take Armes against a Sea of troubles,
And by opposing end them: to dye, to sleepe
No more; and by a sleepe, to say we end
The Heart-ake, and the thousand Naturall shockes
That Flesh is heyre too? 'Tis a consummation
Deuoutly to be wish'd. To dye to sleepe,
To sleepe, perchance to Dreame; I, there's the rub,
For in that sleepe of death, what dreames may come,
When we haue shuffel'd off this mortall coile,
Must giue vs pawse. There's the respect
That makes Calamity of so long life:
For who would beare the Whips and Scornes of time,
The Oppressors wrong, the poore mans Contumely,
The pangs of dispriz'd Loue, the Lawes delay,
The insolence of Office, and the Spurnes
That patient merit of the vnworthy takes,
When he himselfe might his Quietus make
With a bare Bodkin? Who would these Fardles beare
To grunt and sweat vnder a weary life,
But that the dread of something after death,
The vndiscouered Countrey, from whose Borne
No Traueller returnes, Puzels the will,
And makes vs rather beare those illes we haue,
Then flye to others that we know not of.
Thus Conscience does make Cowards of vs all,
And thus the Natiue hew of Resolution
Is sicklied o're, with the pale cast of Thought,
And enterprizes of great pith and moment,
With this regard their Currants turne away,
And loose the name of Action. [...]"

Hamlet, Act III, Scene IV

No belo "Olde Aenglish"... se nao perceberem, repitam em voz alta que chegam lá... e pensem no que ele diz...

9 de outubro de 2007

Para os que ficaram espantados com o meu ultimo post contra-corrente, devo dizer que tudo o que me leva a escrever como escrevi não se deve a um dia ou outro mau. Deve-se a muita muita coisa... Felizmente os meus olhos parece que andam a escolher ver o que é preciso e por isso é que, se calhar, pode parecer que insisto em ver as coisas de uma forma em vez de outra... A questão aqui é que eu vejo as duas formas. E chateia-me que, sabendo que há coisas que podiam ser bem melhores, não o sejam... Não é insistir em olhar pro escuro, é ficar irritado com os escuros que estragam a paisagem... mas, apesar de tudo, estes escuros têm todos lugar no mundo... o meu problema é quando eles estão mal distribuidos, sobretudo por quem nao merece... (um bocado a filosofia "not in my backyard!")

Ainda hoje, houve uma esperta alminha que se atreveu a mandar vir comigo sem ter necessidade/justificação... Após uma cena assaz desagradavel, afastei-me placidamente e percebi que essa senhora, mais cedo ou mais tarde, vai ter a resposta para a atitude que tem... Mas fiquei indignado, mais do que com a atitude, com o facto de ela mandar postas de pescada sobre a minha maneira de ser sem nunca antes me ter visto... O problema do preconceito é um problema que pode ser grave visto que tem raízes, não só no ambiente em que a pessoa foi criada, mas na sua propria maneira de ser, inata. Fico possuido quando vejo pessoas assim mas imediatamente lembro-me que elas são apenas o que escolheram ser. De qualquer forma essa maneira de ser facultar-lhes-á imensas lições ás mãos de outros não tão indulgentes como eu... Mas são este tipo de coisas que, consecutivamente me vão acontecendo e, para as quais, eu vou começando a dizer "chega!" porque têm sido mesmo, mesmo demais. E como estas, muitas outras...

Esclarecidos? ;)

7 de outubro de 2007

Na profunda dualidade que somos todos nós, momentos há por vezes em que nos sentimos unicos, unos em nós, sem qualquer margem para dúvidas daquilo que somos e daquilo que seremos... Ultimamente digo que me tenho sentido tudo menos uno. Sinto-me estilhaçado por dentro, sem qualquer tipo de orientação, com quereres demais a surgirem-me dentro da mente e da alma, esforçando-me quase subliminarmente serenar-me para que a minha mente nao siga o rumo do que sinto emocionalmente... mil pedaços, mil destinos, mil quereres, um tudo de nada feito... Gostaria de poder explanar concretamente o que sinto, os “sintomas” digamos, mas não é fácil ou, pelo menos, são demasiado extensos e sensíveis para que fale deles... Estou num sítio que sempre me aliviou e que, desta feita, continua a ter o mesmo efeito “terapêutico”... sempre desejei aqui escrever qualquer coisa, inspirado pela atmosfera e levado pela intuição... Tenho andado prestes a rebentar com tanta indignação, revolta e dor do que vejo à minha volta... Ninguém disse que ia ser assim tão dificil... Nestas alturas tento manter em mente que posso ter o pavio curto e que muitissima mais gente há que deve ter razões para se queixar... Mas esta é a MINHA vida e como também não são os outros que a vão viver por mim, acho que sim, que devo manter a minha perspectiva das coisas. Sim, estou revoltado porque a minha vida não é minimamente aquilo que eu espero que seja, sem um mínimo de justiça tendo em conta aquilo que sou e aquilo que outros á minha volta são... OK, talvez tenha escolhido esta vida para mim, desta forma... se o fiz, é porque tenho de aprender com isso e, sobretudo, a dar a volta por cima... Mas, e sendo estes tempos em que pouco ou nenhumas razões tenho para acreditar nisso, devo explanar (em todo o seu esplendor/negritude) a minha revolta. Eu mereço mais! Pessoas muito piores do que eu (verdadeiros répteis, mas quem sou eu para julgar) vivem á grande e safam-se ainda melhor! Pessoas que tratam as outras como lixo e que continuam a ter material para processar e continuar a torná-las lixo! Eu não faço isso, nunca pedi nem vi assim as pessoas, não roubo, não minto, mato-me a trabalhar, a tentar ajudar e no fim... nada... a mesma existência mísera de sempre, sempre a mesma rotina, sem emoção, sem diferença, sem nada...acordo, como, falo, rio, choro da mesma forma de todos os dias, numa existência presa num ciclo, num absurdo que não sei como quebrar... A todos aqueles que, por algum motivo, desejaram tal facto, parabens, conseguiram que os vossos desejos se tornassem realidade. Sou infeliz, talvez de uma forma que poucos possam considerar válida, mas suficientemente dolorosa para me sentir a afogar como se me tivessem calçado uns sapatinhos de cimento e, pluft!, lá pra dentro que é isso é que tu mereces... Se estiver a ser Calimero, que seja, sou eu, sao os meus sentimentos e isso é que importa... Há alturas assim na vida de todos mas há também alturas em que a coisa ja dura tempo a mais e agora só me apetece dizer CHEGA! Chega de gozar comigo, chega de serem falsos, chega de brincar com os sentimentos, chega de mentir, CHEGA! E não me digam que estou a receber o que dei porque isso só revela que, no fundo, pertencem ao grupo dos que não me conhecem, nem se interessam por conhecer... Podem chamar-me arrogante, inflexível, frio e que vou ficar sozinho (e sim, isso é um problema pra mim) mas pelo que tenho recebido acho que não posso continuar a virar boa cara, é demais... E, posto isto, vamos á vida porque ela não espera por ninguém!...

2 de outubro de 2007

Na minha ronda diária pelos blogs deste país, fui surfando e saltitando de blog em blog e tenho visto coisas do arco-da-velha... ha pessoas para tudo, para saber de tudo, para fazer de tudo e para escrever de tudo... essa é a grande virtude do mundo cibernético: poder falar tudo aquilo que se quer, como se quer e quando se quiser... Tenho visto blogs extremamente simples, outros com uma prosa que, na melhor tradição de Saramago, será preciso cursar Letras (ou Português A Plus +) para se compreender o sentido e o porquê de tal escrita... o que é que certas pessoas querem dizer quando escrevem o que escrevem... querem exteriorizar o que escrevem ou querem dar ares de superioridade, que sabem ser tão complexos que nem vale a pena ler duas vezes e reflectir. Eu chamo a isto "fazerem das pessoas parvas". De que vale escrever-se o que quer que seja se os outros nao vão compreender? E já nem falo das fotos ou videos que publicam...
Mas é possivel ser também profundamente claro e, mesmo assim, não nos entenderem... muito me questionei eu sobre esse facto, o porquê de tamanha cegueira na interpretação do que se escreve... cheguei á conclusão que não é propositada, que depende meramente da maneira de ser de cada um, da maneira que cada um escolheu para entender o que o rodeia... Mas isso tem sido algo que me tem angustiado há já muito tempo: a comunicação entre iguais (que, supostamente, o somos). Podemos ser o mais claros possíveis a falar directamente com outra pessoa mas, por virtude da nossa "cegueira" (isto está muito saramaguesco, e eu que nem cheguei a acabar o Evangelho do JC, isto ha alguns muito bons anos...), podemos estar a intuir exactamente o contrário. Por isso, deixo a questão no ar, porquê falar-se, porquê tentar comunicar se, mesmo quando explicamos as coisas tipo B-A-BA, o outro lado NUNCA irá compreender mas, simples e só, vislumbrar o conteudo, imediatamente remetendo-o e moldando-o á sua realidade... No momento máximo de simpatia, diz-se: "estou a perceber", mas é a maior das mentiras, só se percebem as palavras e raramente, ou nunca, o conteúdo... epo menos como nós o sentimos ou intuímos... É algo angustiante, pensar que podemos passar a nossa vida por este mundo sem que ninguem nos entenda... é o mais provável, até.

Lembrei-me agora, isto foi muito á Kant, não foi? Quem sabe (e nao estou a querer julgar-me tanto como esse génio, nem pouco mais ou menos!) se não foi esse mesmo problema que o levou a escrever essa loucura que é a Critica da Razão Pura...

22 de setembro de 2007

A Época está a chegar... O que é a Época, perguntam vocês? A Época (que não a de caça) é a altura do ano em que mais prazer tenho em ir passear... as condições ficam reunidas: luz, calor e transito (pouco)... Parto á descoberta de qualquer coisa, de um sítio novo, perto ou longe... Hoje acordei assim, com a sensação brutal, avassaladora que a Época está a chegar... a luz hoje indica-me isso... fui á janela mas, no entanto, a temperatura ainda nao estava certa... ainda faz calor a mais... Parecia um paradoxo, acordar assim tão activo, tão estimulado, como que a olhar as coisas de uma maneira contrastante com a maneira como as via ontem e depois, abri a janela e vi que não era assim, que a diferença para ontem nao era, sensivelmente, nenhuma... No entanto continuo a sentir as coisas da mesma maneira como quando acordei... basta fechar os olhos e sentir as coisas... Não sei o que se passou durante a noite (sei com o que sonhei e foi bem estranho) mas hoje... :)

"Now I've been happy lately,
Thinking about the good things to come,
And I believe it could be,
Something good has begun..."

Cat Stevens, 1971

17 de setembro de 2007

Quero responder ao sr. Gee Dubya Bush!

"...agradecer o facto do povo portugues apoiar a causa do povo iraquiano e do Afeganistão pela liberdade!"

Ó Bushas! Burro do ca%*lho!!! Read it loud and clear!!!! WE DON'T SUPPORT YOUR CAUSE!!! WE DON'T GIVE A FUCKING SHIT FOR YOUR FREEDOM CAUSE!!! GET THE FUCK OUTTA IRAQ NOW!!!

E quanto a ti Socrates, se pegasses nas tuas sapatilhas de ballet e fosses pra tua terra correr a pegar num arado e numa junta de bois (da tua raça) para ganhar com o teu insignificante suor a vida (em vez de andar a beijar o cu a burros), mesmo assim acho que não saberás que é para esse cenário que nos estás a levar... Ganha juizo ó palhaço!!

Acabei de utilizar a minha Liberdade de Expressão! Agora processa-me como fizeste ao outro!

16 de setembro de 2007

Vi isto noutro blog a que fui parar (Fuck with my brain) e achei piada!

7 coisas que tenho de (quer dizer, é mais "gostaria de...", tenho é muito radical...) fazer antes de morrer:

- Viver na Noruega
- Escrever um album de musica
- Ir à Antartida
- Compreender as pessoas
- Formar uma família
- Sentar-me à beira do Lago Constance a ouvir Grieg
- Serenar-me internamente

7 coisas (pessoas) que mais gosto:

- Música
- Dias cinzentos
- Conduzir
- Ir á Peninha
- Ir á praia no Inverno
- Conhecer pessoas
- Conhecer-me

7 prazeres futeis (ou então não):

- Dormir
- Brincar
- Tocar (ou tentar tocar) música
- Falar pelos cotovelos, divagar
- Tocar "air guitar" e "air drums"
- Partir sem rumo
- Olhar nos olhos dos outros

7 coisas que mais digo:

- Dasssss!!!
- Só na onda da amizade...
- Tipo...
- Isso é do mai' rico!...
- Meeeeen...
- Fraude!...Isso é algo fraudulento!...
- Ó pá!!!

7 coisas que faço bem (esta é a mais dificil, devia ser "7 coisas em que me desenrasco"):

- Ouvir as pessoas
- Fazer pensar as pessoas
- Alegrar as pessoas
- Entristecer as pessoas
- Dar conselhos
- Guardar segredos
- Dormir

7 coisas que não faço ou não sei fazer:

- Disfarçar o que sinto
- Gabar-me
- Tocar musica bem
- Levantar-me bem disposto
- Fugir das situações
- Magoar alguem de propósito
- Pactuar com injustiças

7 coisas que não gosto:

- Injustiça
- Mentira
- Dor
- Faltas de respeito
- Cortes á ultima da hora
- Pessoas que se fecham em si mesmas
- Música mal feita ou mal tocada

Parece impossivel mas isto é bem dificil de se fazer... se nao acreditam, experimentem! :)

13 de setembro de 2007

Estava agora a ver o "Silencio dos Inocentes" pela enésima vez mas esta foi a primeira desde que vi o "Hannibal", o "Red Dragon", a sequela e a prequela, respectivamente, e a pre-prequela "Hannibal Rising"... Dei por mim, então, a reparar na maneira como estava a ver o filme... Não foi tanto por ter visto os filmes da trilogia mas mais por ter visto o Rising... Aquele filme muda absolutamente tudo... do objecto de misterio que é Hannibal Lecter, depois do filme passamos a ver Hannibal Lecter o justificado... não o inocente, obvio... Nada pelo que ele tenha passado quando criança justifica as suas atitudes homicidas, se bem que, no fundo, ele nao deseja nada menos do que nós desejamos muitas vezes: respeito e uma boa lição para que é... mal-educado... O problema é que ele não se contem... é uma mente brilhante mas traumatizada e retorcida... Hannibal Lecter é a nossa hiperbole mais rebuscada, é o nosso melhor e o nosso pior... Lembro-me de encarar a Clarice como a "heroina" e agora acho-a uma autentica simploria, com alguma artimanha apesar de tudo... Estou a ver a cena que justifica o título do filme, a parte em que ela confessa a razao da sua fuga da quinta e, percebe-se logo, razao ultima da sua entrada para o FBI..."Clarice!!... Avise-me quando esses cordeiros ficarem em silencio..."... Hannibal consegue tudo o que quer, porque é o que de mais inteligente existe no ser humano... a sua vantagem, como sempre (e em jeito de antecipação da era que viria surgir), é a informação - informação que poucos neste mundo querem realmente saber: ele conhece o ser humano. As vidas, as rotinas, as pequenas coisas do dia a dia sao apenas estradas para chegar á essência de cada um... desse ponto, e sob esse ponto de vista, ele passa a ser juiz, júri e carrasco (avalia, julga/sentencia e executa), mais uma vez, um sonho (ou pesadelo) de qualquer um... poderá ser isso que nos atrai nesta série de filmes mas que também nos repugne... A informação, assim e como sempre, pode ser usada para o bem ou para o mal... neste filme tudo se confunde, antes, tudo é ambíguo, tudo tem duas cabeças... quem é o bom, quem é o mau?... Neste filme, Clarice é incrivelmente "cinzenta", nao se enquadra em nenhuma das facções, se bem que o seu ardil na pseudo-proposta (um mobil para começar a fazer falar Hannibal) é uma mentira (algo mau) mas feito a bem... quanto mais rápido as pessoas julgarem os personagens pelas situações imediatas, mais rapidamente se enganam... quanto maior o erro, maior a queda, e a grande ironia (diante a "trilogia+1"... pronto, a tetralogia... se bem que...) é a vida de Hannibal... a grande "chapada" vem no ultimo filme feito (que nao deve ter sido por acaso a ser o ultimo, a "chave")...
Como em tudo na vida, é preciso ver as coisas como aconteceram ao longo do tempo... não é por acaso que temos memória e capacidade de projecção para o futuro... há que ver a história toda, se queremos compreender o melhor possivel, ver a "wider picture"... essa é, quanto a mim, a maior lição deste conjunto de filmes... quantas vezes não a esquecemos?...

11 de setembro de 2007

Durante as minhas divagações por blogs deste país, dei comigo a pensar "é pá, adorava ter piada como este gajo..."... Ideia consequente, lembrei-me de escrever as coisas que gostava de ser ou de fazer...
Gostava de ter um sentido de humor acutilante, gostava de ser um génio (qual deles nao sei), gostava de saber desenhar com um estilo único, gostava de voar, gostava de ser telepata, gostava (ás vezes) de ser mosquinha, gostava de poder compreender tudo o que me dizem como se eu fosse a propria pessoa, gostava de estar aqui e noutro lugar, gostava de poder atravessar o oceano a nado, gostava de poder ver todos em paz, gostava de ver o que está do "outro lado", gostava de poder apreciar (ou pelo menos ter paciência para) todos os vegetais e fruta (infelizmente, tal nao acontece...), gostava de tocar como o Charlie Parker ou o John Coltrane, gostava de viver da música, gostava de poder fazer um horário á minha maneira, gostava de viver na Noruega, gostava de poder estalar os dedos e ter o trabalho feito (só se não fosse musico, caso em que o proprio trabalho é um prazer), gostava de poder guardar comigo todos os cheiros bons que ja senti, gostava de congelar momentos, gostava que os Dream fossem meus amigos, gostava de ser sempre criança (e viva o Peter Pan!) para poder acordar todos os dias e não pensar no que é que ia fazer - improviso!, gostava de dar ao Gilberto Gil "aquele abraço", gostava de encontrar os meus colegas da primária todos de novo, gostava de amar tanto quanto quem me ama...

...a esta hora sao os que me lembro... nada mau!

8 de setembro de 2007

Nao sei porque está-me a apetecer escrever sobre este final de tarde... estou sentado na minha varanda, a ver o sol a desaparecer por detrás dos montes que se vêem na paisagem circundante a minha casa... Hoje o tempo esteve nostálgico, chego mesmo a dizer carinhoso... a Luz cuja presença se fez sentir hoje, ligeiramente coberta por uma névoa dava uma sensação de Paz e conforto...tempo ideal, portanto, para escrever... com este tempo, lembranças do passado, de tempos muito bons passam-me pela cabeça... lembranças da infancia, lembranças de fim de férias, lembranças mais recentes também, porque, e tenho de o admitir, nem só na minha infância passei por bons momentos... O sol que desaparece por hoje bate-me suavemente na cara... queria mais... mais destas sensações, mais desta luz, mais destes dias... A cidade estende-se aos meus pés, no seu pulsar costumeiro mas mais relaxado... afinal, apercebam-se ou não, todo este ambiente acaba por influenciar as pessoas e tudo se faz com muito mais calma... é a hora do regresso, é a hora do recolher... oiço as pessoas a chamar pelos filhos para virem jantar (ha tanto tempo que não ouvia isto)... prepara-se a noite, essa que nos seus mistérios traz todos os sonhos que queremos e que não queremos... respiro fundo... sabe bem estar em paz com o que nos rodeia, sabe bem estar em paz com a Luz, sabe bem senti-la connosco... o melhor de tudo é que, mesmo recolhendo-me para tudo o resto o que tenho que fazer, tudo isto está comigo... hoje, no Jogo, os dados sairam-me bem...
É só para dizer: da proxima venham prevenidos de oculos de sol! As trevas não podem durar para sempre ;)

6 de setembro de 2007

Correndo o risco de ser "banal", e sendo eu músico (ou tento sê-lo), acho que devo dedicar um post à Voz... Sim, ele era a Voz, sim, ele será sempre a Voz... cantava como nenhum outro, encantava como poucos encantaram... quando eu penso em tenor, penso nele... Não gosto de ópera, acho até que, de todas as formas de música (que não a é só) é a mais incompreensível e obtusa... mas no meio de tanta gritaria, uma Voz houve que fazia Música.. e isso, a meu ver, é muito difícil... Assim, aqui fica a minha simples homenagem ao "Maestro" Luciano Pavarotti... Que a sua voz ecoe pelos séculos fora!

3 de setembro de 2007

Quero falar de tanta coisa mas não consigo... queria ter mil bocas pra falar mas não as tenho... queria ter mil braços para fazer mil coisas e so tenho dois... queria mil corações para poder amar e só tenho um... one shot... só tenho dois olhos na cara para ver o que está à minha volta e uma mente já em sobre-rotação que não para, nunca para, dia e noite, de pensar no que não deve... milhentas ideias que me vêm à cabeça do que foi, do que é, do que poderia ser, do que poderá ser... não há controlo nenhum sobre o mundo, sobre o que se passa, nada é seguro, nada é certo... é uma noite que corre, um sorriso volátil, uma lagrima escondida, uma vida e um espírito que nos perpassa... tento agarrar o agora e escapa-se-me entre os dedos em gotas de instantes... alguma coisa há que permaneça? Avanço, sem saber para onde vou ou ao que vou, porque, de tudo, é do passado que me quero livrar para viver o futuro...

(foto tirada no inesquecível ano de 2004, algures na A1, sentido Porto-Lisboa)

27 de agosto de 2007

Fui, recentemente, ver a exposição do World Press Photo '07. A ideia que eu tinha antes de ir para lá era completamente diferente da ideia com que fiquei depois de sair de lá... Mas não vou falar da qualidade técnica das fotos (não sou ninguém para isso), limitando-me apenas a dizer que, de facto, quem é pro é pro!...
Quis ir á exposição com o sentido de ver no material aqueles ínfimos de alma que se conseguem captar por quem a paixão tem pela fotografia, acreditando piamente que, com uma máquina, se podiam cumprir (aproximadamente) os medos dos primeiros tempos da arte: não se deixar fotografar com medo que a alma lhes fosse roubada... Mas eu não queria isso... só queria que a alma das coisas, das pessoas, dos acontecimentos, naqueles instantes, ficasse captada... queria ver se isso era, de facto, possível... O facto de serem tiradas por profissionais da informação levava-me, no entanto a pensar que o seu objectivo poderia ser tirar uma imagem simbólica e imediata, e não uma imagem profunda (que poderá incluir o simbolismo)... a velocidade do mundo da informação com certeza não tem contemplações pela profundidade da alma, pensei eu... No entanto, a esperança é a ultima a morrer e aí fui...
Entrei na exposição e logo à primeira foto percebi que tudo aquilo que eu esperava, e mais, ser-me-ia mostrado... A exposição abria com uma foto sobre os dias de conflito há uns tempos no Líbano... a foto parecia o "Guernica" do Picasso... diferentes estados de espírito estavam retratados na mesma, desde a impassividade e concentração, passando pela tristeza e choque, á resignação do "olha, já está, já está..."... Segui a exposição e outras realidades foram mostradas, desde fotos instantâneas que me pareceram autênticos quadros compostos até momentos capturados que pediam meças aos melhores tecnicos de Hollywood...
E as pessoas?... Sim, as pessoas... e a alma humana?... também a havia lá, muitas vezes dissimulada por um "n" de factores envolventes que, se lhes fosse dada muita atenção, rapidamente passariam de "moldura" a "tema central"... a força, a garra, a tristeza, a alegria, a ternura, o espanto, a ânsia, a apreensão, muitas muitas mais... sim, vi a alma humana nas fotos, independentemente da sua cultura ou raça, estava escrita em cada curva, cada variação de luz, em cada olhar, em cada gesto congelado no tempo por uma objectiva, as mesmas emoções em pessoas e situações separadas por milhares de quilometros... tiveram as fotos o mérito de mostrar a alma, o movimento, o passado, o presente e o futuro próximo, o fugaz e a eternidade... melhor seria retratar também aquilo que uma pessoa "é" mas para isso seria necessário não uma, antes um album inteiro de fotos como aquelas... e mesmo assim tenho quase a certeza que não chegariam...

19 de agosto de 2007

..."É giro não é?"...
"Bah, oauis, c'est trop cool! Il y a pas des choses comme ça en France!"...
"Então e as Ardenas?"
"Oh, c'est pas tout a fait comme ça... pas si grand... tout à fait pas si beau... en plus, aux Ardennes on peut sentir la fumée des voitures encore..."

...Vou no carro e sinto a luz... mas o mais estranho são as sensações que tudo isto traz... e pela primeira vez desde há muitos muitos anos, tenho essa sensação estupida da partida, de alguém que vai partir do mundo que me rodeia... uma sensação em tudo semelhante à que eu sentia quando os meus tios e a minha avó partiam para França no final do Verão e eu queria partir com eles para que aqueles dias fossem infindos... será que também quero isso desta vez?
Chamo a esta luz "a luz do adeus"... qualquer coisa que anuncia o fim de um ciclo, curto ou longo, mas um fim de um ciclo... é uma luz nostalgica, uma luz, no entanto, confortante, mas não como aquela luz do por do sol que nos diz "hoje acabou-se, mas amanhã isto continua"... conforta por que é quase uma chamada de atenção para reflectirmos sobre tudo o que vivemos nos ultimos tempos, quase que a dizer "Quem é bom para ti, quem é?"... mas é simplesmente a luz do acabou-se! Como pode isso ser? A luz está associada á presença, à existência, ao que chega e não ao que parte!... Mas sim, eu sinto que também serve esse propósito... Com a luz, tudo é possível... Tenho o meu coração que não me deixa mentir...

12 de agosto de 2007

De volta ao sonho... estive na realidade da terra dos meus pais e até um pouco mais longe... bem mais longe... por 4 dias fui serrenho!
As férias ainda nao acabaram e o sonho continua aqui em lisboa... tão fátuo e real como qualquer outro que tenhamos de olhos abertos ou fechados... sim, porque a diferença entre eles é pouca ou nenhuma: de olhos abertos podemos sonhar, a dormir podemos viver coisas com uma definição e sensações como se fosse de dia... daí que tudo é sonho e tudo é realidade... Em sonhos e nas realidades sinto as mesmas coisas, em sonhos e nas realidades sinto os mesmos medos, as mesmas espectativas, as mesmas ambições, os mesmos amores, os mesmos encontros e desencontros... Mas, serão os sonhos melhores que as realidades?

29 de julho de 2007

... e eis quando dou por mim no cimo de um montículo a olhar para a mais batida das paisagens... é banal mas o aroma que está no ar faz-me pensar em alegrias de outros verões, muito, muito distantes... deve ser o calor que liberta tais odores... olho á minha volta e desejo estar em todo o lado e em lado nenhum... com a minha mente estou em mil lugares ao mesmo tempo, com as milhentas pessoas que não podem, não querem ou não se lembram de estar comigo nos tempos mais recentes... Deduzo que está na altura de estar sozinho... um dos meus cães toca-me nas pernas, como que a dizer "eu estou aqui". Admiro-me. Nunca ficou muito tempo ao meu lado quando o ia passear noutras vezes... estou a milhas de distância, estou com outras pessoas, pessoas que eu conheço mas que não se comportam como na realidade... é um mundo ideal, aquele que que concebo, um mundo gerado á minha idealidade, á minha medida, em que as pessoas se comportam como espero... um mundo em que as pessoas assumem o que sentem, agem de acordo com isso, tentam melhorar se os sentimentos nao são os melhores e, sobretudo, não mentem, não falham promessas, são flexiveis e compreensivas... Algo há mais que me perturba: o facto de, apesar de sair com alguns amigos, a vinda pra casa ser absolutamente um anti-climax... sinto-me tão vazio como antes... o vazio que me preenche (bela antítese) e nao me larga... vazio, solidão e angustia... se se pudesse resumir a vida em 3 palavras, seriam estas...

Estou de férias. Mas, como dizem os ingleses, "on hollidays" e não "on vacation"... a diferença é subtil: se são passadas em casa ou em viagem. Não posso ir "on vacation". A conjuntura de tudo e de todo não mo permite... há prisões que são más, como a da mente... as da alma são piores...

24 de julho de 2007

...de mal a pior...

I can't escape it
It leaves me frail and worn
Can no longer take it
Senses tattered and torn

Hopeless surrender
Obsession's got me beat
Losing the will to live
Admitting complete defeat

Fatal Descent
Spinning around
I've gone too far
To turn back round

Desperate attempt
Stop the progression
At any length
Lift this obsession

DT-2002

... my words exactly...

21 de julho de 2007

Dia de sol mas mais parece de indiferença... Estive rodeado de gente e é impressionante como tudo me passou ao lado... centenas de pessoas estavam no sitio onde fui passear e em nenhuma delas reconheci alguma familiariedade... podemos estar no meio de imensa gente e sentirmo-nos infinitamente invisiveis...
Parei num jardim e tentei viajar mentalmente... fundir-me com a terra envolvente e sentir-me uno com qualquer coisa... não consegui... algo me fugia, me escapava entre os dedos, sentindo-me com um campo de forças repelente de todas as pessoas à volta...

Cada vez menos eu confio nas pessoas... não pode haver dedicação se não houver palavra... e eu estou farto que as pessoas nao tenham palavra...

17 de julho de 2007

Que preço tem a dedicação?...
Hoje o mundo meteu-me nojo, um asco puro e absurdo na sua logica ininteligível... Para onde quer que olhava não senti o minimo de ligação ás pessoas, à terra, aos animais, ao trabalho, ás palavras, a tudo... Era um grandioso espectáculo de non-sense! Apetecia-me voltar ao meu estado molecular, básico, elementar... Cada palavra que me dirigiam era retornada pelo mais profundo desprezo, indignação, indiferença... Estava noutro planeta, com o corpo na Terra, a vaguear qual alma penada...

"...o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos..."

Esta é do Ensaio sobre a Cegueira.. nunca li o livro, aliás, nunca li (totalmente) nenhum livro do velho Nobel... Mas empatizo-me com a frieza logica com que ele escreve... o que se vê é o que é, o que se ouve é o que é.
O medo nos tornou e nos continuará a cegar, modulando as nossas atitudes, tornando-nos irracionais, só reaccionais... é isso que eu sou agora: um ser reaccional, reajo aos impulsos, faço e digo o que me apetece e deste mundo, do qual nao tenho afinidade, senão pelo Som, só quero que se dane... Não vale o esforço, não vale a dor, não vale o Nada que nos invade... e não me venham com o Amor... esse está cada vez mais escondido... e já agora, vale a pena lutar pelo quê?o que é valer a pena?o que é que vale?quanto é que vale? o Valor é um conceito muito bonito, mas de fraca aplicação... olho para as estátuas erigidas, para os quadros levantados e penso de que valeu isto? a esmagadora maioria das pessoas nao faz ideia do que se passou, de quem era esta pessoa que agora nao é senão uma figura de formas agradabilizadas... Puro desperdício de tempo, esse que também é uma ilusão mas ao qual nos agarramos como se fosse precioso... É NADA! é um nada, é sei lá o que... que se dane tudo!...até as palavras...

23 de junho de 2007

Relatividades...

Quantas vezes nao caimos nós (nas nossas, tantas vezes, vidinhas confortáveis) a pensar o quanto somos uns pobres coitados, que a nossa vida é isto e aquilo e aqueloutro... Fartamo-nos e tornamos os nossos problemas um bicho de sete cabeças e, pior, ficamos obcecados com isso, ao ponto de deixar que a nossa vida gire única e exclusivamente em torno disso... Mas, se nos dignarmos a olharmos á nossa volta, rapidamente encontramos algo que nos centra no lugar a que pertencemos... Tudo isto me faz lembrar o ditado "De contente te doi um dente" ou mesmo outro "A galinha da vizinha é sempre melhor que a minha...". Sim, poder-se-iam aplicar esses ditos...
Muitas vidas há que são bem piores que as nossas... pelo menos falo por mim... há quem lute contra a doença... há quem lute contra a pobreza ou a vida dificil de bocas pra sustentar sem condições... há quem lute contra a ilusão da sua vida ser inútil e despropositada (pelo sofrimento), quando tantas pessoas há (aparentemente) sem problemas... O referencial cartesiano não é para ser levado a sério a toda a hora... é essencial centrarmo-nos em nós para nos apercebermos onde estamos mas é fundamental olhar á nossa volta porque sem o redor não há centro... A importância das coisas é relativa. Só existe aquela que lhes quisermos dar... Porque não dar importância ás pessoas que entram na nossa vida, ou ao Bem que nos acontece a qualquer momento?... Eu sei que custa, também tenho os meus momentos de desilusão e desgosto, mas um caminho mais luminoso é possível... "Ajuda-te, que Deus te ajudará.." é outro dito que me veio á cabeça agora... quando o "aluno" está pronto, o "mestre" chegará... querem ajuda? querem-na mesmo? então esperem um bocado e estejam atentos porque ela aparecerá... e quando aparecer não esperem que venha sob a forma que esperam... pode ela vir das mais diversas formas, até das que menos nos agradam, mas tal como um rochedo a cair na terra faz pó (que depois assenta), também o pó que fere a vista ao cair em nós rapidamente revela algo que se mostra belissimo...E nunca podemos esquecer isto: podemos sofrer mas nunca estamos esquecidos... e nunca é em vão...

21 de junho de 2007

Light and shadow...

Ou, na bela lingua de Camões, Luz e Sombras... Pois é, acho que posso resumir o meu dia dessa forma. Luz, porque, estando de folga por uns dias fui dar uma volta, sem constrangimentos de tempo, até à belissima Sintra (sobretudo sua serra) e apaziguei a minha alma com o que vi... Sombras porque, neste preciso momento, os meus Dream Theater estão a actuar no Porto (na sua Chaos in Motion Tour) e eu não estou lá... agora só para o próximo álbum... Já fui abençoado (a palavra é essa) com um concerto deles. Foi em 2002 e posso dizer que foi emocionante. Os Dream estavam no seu pico, depois de lançarem "Six Degrees of Inner Turbulence" (o 2º album favorito nas minhas preferências) e eles tiveram a coragem, na praça Sony, de tocar o tema que dá o nome ao álbum, que se estende por mais de 40 minutos... Não me admira, mesmo sabendo que a maioria das pessoas nao os conhecem, que o Coliseu hoje esteja a abarrotar... Já em 2002, a praça Sony estava cheínha... Seguindo a logica de que, o que é bom rapidamente se sabe, acho que deviam ter reservado o Dragão (se eles quisessem continuar no Porto) em vez do clássico Coliseu... Espero que da próxima se dignem a vir a Lisboa (que nunca lhes fez mal nenhum)...

16 de junho de 2007

Os "D. Sebastiões" !

Num súbito regresso ao passado, que mui agradado me deixou, três titulos (há muito perdidos...):

- Dream Theater (who else?): When Dream and Day Unite

- Dream Theater: Metropolis Pt. 2 - Scenes from a Memory

- The Flower Kings - Adam and Eve


... Tão bom!... :D

13 de junho de 2007

Hoje amanheci com a alma em penumbra... Acordei cedo com o coração em pranto, com ideias e pensamentos dolorosos na minha mente, coisas que não consegui, durante o resto da manhã deste feriado, eliminar do meu coração... Sinto-me preso a uma vida que não desenvolve no sentido que desejava, da qual não tenho o pouco que peço, onde (como alguém desse) o que à partida parece bom e com futuro, se revela ter pouco ou nenhum... Hoje sou a Dor, hoje sou o Tormento, cíclicos demais para que eu veja uma saída possível mas muito desejada... Nunca me senti tão sozinho... Mas, citando novamente os DT "How can I feel abbandoned, even when the world surrounds me?..."... Parece um contra-senso, algo ilogico mas bastante real... Não faço a mítica pergunta, que fiz eu pra merecer isto porque sei o porquê, apesar de nunca ter decidido nada para isso neste Mundo... O que eu pergunto é, porque é que não sabia o quanto isto ia custar?... O que disse Ontem, sobre o que sentia, mostrou-me a Vida que tudo é Ilusão...

Quando chegará a Luz?...

12 de junho de 2007

Memórias...

Staring at the empty page before me
All the years of wreckage running through my head
Patterns of my life I thought I don't be
Revealing hurt for shame and deep lament

Overwhelming sorrow now absorbs me
As the pen begins to trace my darkest past
Signs throughout my life that should have warned me
Of all the wrongs I've done for which I must repent

I once thought it better to regret
Things that I have done when haven't
Sometimes you've got to be wrong
Learn the hard way
Sometimes you've got to be strong
When you think it's too late

Staring at the finished page before me
All the damage now so clear and evident
Thinking 'bout the dreaded task in store for me
A bitter fear at the thought of my amends

Hoping that the step will help restore me
To face my past and ask for forgiveness
Cleaning up my dirty side of this unswept street
Could this be the beginning of the end

Dream Theater- 2007

Há dias assim...

5 de junho de 2007

Espaços...

Todos nós (presumo) temos o habito de nos imaginar, após visualização de um filme com cenas bem apanhadas á beira mar ou beira rio, num cenário desse tipo... Imaginamo-nos, normalmente, no mesmo cenário que acabámos de ver... Ontem estive num filme desses. Não era na América ou num pais cliché como qualquer outro... era cá, na nossa Lisboa... Não é meu habito passear junto á beira rio mas ontem isso proporcionou-se e passei um tempo maravilhoso na Expo, á noite... não estava muita gente, a temperatura era amena e eu pensei: porque é que não há mais oportunidades assim? Mais espaços assim? Eu sei que isto parece um pouco político mas, numa Era em que a atenção á Terra é cada vez maior, e numa Era em que nos apercebemos cada vez mais da necessidade de ambientes limpos, que espaços livres e abertos são tao vitais como bons transportes ou segurança, deveria ser feito um esforço para que esses espaços se proporcionassem e desenvolvessem... Confesso que tenho o problema de ter que andar milhas para encontrar um desses ambientes e fico triste ao observar o potencial de certas zonas á volta de Lisboa, onde coisa que não faltam são espaços para se desenvolver tais ambientes... Até os haverem (que haverão), levo a noite de ontem na alma...