When I find myself in times of trouble, mother Mary comes to me,
speaking words of wisdom, let it be.
And in my hour of darkness she is standing right in front of me,
speaking words of wisdom, let it be.
Let it be, let it be, let it be, let it be.
Whisper words of wisdom, let it be.
And when the broken hearted people living in the world agree,
there will be an answer, let it be.
For though they may be parted there is still a chance that they will see,
there will be an answer, let it be.
Let it be, let it be, .....
And when the night is cloudy, there is still a light that shines on me,
shine until tomorrow, let it be.
I wake up to the sound of music, mother Mary comes to me,
speaking words of wisdom, let it be.
Let it be, let it be, .....
The Beatles
Ontem vi a retransmissão dos Grammy's deste ano... A certa altura, como é apanágio do espectáculo, apareceu uma versão, que me tocou especialmente, do "Let It Be" dos Beatles, cantada em Gospel. Para mim foi, sem dúvida o momento alto daquela noite... Finalmente um arranjo à altura da musica e da letra!... Questão pendente: quem é a "mother Mary"?
27 de fevereiro de 2008
23 de fevereiro de 2008
Muitos poderão perguntar-se porque é que eu ponho tantas letras de músicas num blog que, supostamente, é dedicado ao pensamento sobre as coisas simples (ou não!) como sentimentos que nos podem assolar, de tempos a tempos, em fases da vida, ou que são permanentes... Isto tem dois motivos: o primeiro é por ser absolutamente melómano. Quando ponho qualquer coisa, tenho a irritante mania de imaginar que, a par com a letra, estou a colocar (subliminarmente) a música... é uma pena que nem na vida real eu consiga colocar, transmitir as emoções que sinto ao ouvir uma música com a qual me identifico... seria a perfeita forma de comunicação! Transmitir emoções, inequívocas, entre dois humanos seria maravilhoso.
O segundo motivo, é que as letras, sendo poesia, são o que de melhor consigo encontrar para exprimir o que sinto... Lamento os pobres compositores que aqui cito, por nunca terem imaginado que as suas obras são citadas por motivos tão banais... É poesia de fácil acesso, poesia de "esticar o braço" e já está... não tenho paciência para pegar num livro de conceituada poesia (a não ser nos que já peguei, nos tempos de antanho) e sentir-me identificado com o que se escreve... Normalmente, quando isso eventualmente acontece, há dois tipos de poemas com que me deparo: aqueles que são tão banais e repetitivos que até chateiam, e aqueles que só nas aulas de Português (ou outra língua) podem ser decifrados, de tão críptica é a sua linguagem... Nisso, as letras de músicas têm mais um argumento a favor - o seu factor críptico é facilmente decifrável pelas emoções que a música transmite. No entanto...
No entanto, percebi que as coisas podem não ser assim... Tenho encontrado ultimamente letras que não correspondem ao que a música está a transmitir. Oiço a música antes de perceber o que está a ser cantado e tenho uma impressão que a música será sobre um tema. Procuro então a letra e espanto-me que o que é cantado é quase o oposto do que eu senti pela música. Um exemplo disso é a musica que já aqui postei "The Weed of all Mankind" dos Kaipa. Mas tenho encontrado mais.
A Vida é mudança. A Vida está em mudança. Lembro-me dos tempos em que sentia uma profunda vontade de escrever, ainda não sabendo do quê, e em que as palavras fluíam assim que eu me sentava em frente à folha de papel. Era também o tempo em que conseguía memorizar todas as letras que me apareciam à frente e rara era aquela que não me dissesse algo, ou que não conseguísse aplicar num contexto, ou que não traduzisse ou levantasse uma emoção forte. Com o tempo, tornou-se difícil memorizar mais letras mas, mais ainda, encontrar alguma que me dissesse algo. Comecei, então a interessar-me por álbuns que contassem uma história (os concept albums), já que ao longo de uma história as pessoas passam por muitas emoções e, muitas vezes, as histórias que são contadas são fragmentos das experiências pessoais de quem as escreve... Também isso passou. Compreendo (ou acho que compreendo) que a Vida me diz: está na hora de seres tu a escreveres aquela poesia que, mais que nunca, te tocará - a tua. É aquela a que tu poderás voltar, sempre que quiseres e com a qual te vais identificar sempre... E apesar de já ter escrito qualquer coisa noutros tempos, acho que "esta" há de ser um bocado diferente...
O segundo motivo, é que as letras, sendo poesia, são o que de melhor consigo encontrar para exprimir o que sinto... Lamento os pobres compositores que aqui cito, por nunca terem imaginado que as suas obras são citadas por motivos tão banais... É poesia de fácil acesso, poesia de "esticar o braço" e já está... não tenho paciência para pegar num livro de conceituada poesia (a não ser nos que já peguei, nos tempos de antanho) e sentir-me identificado com o que se escreve... Normalmente, quando isso eventualmente acontece, há dois tipos de poemas com que me deparo: aqueles que são tão banais e repetitivos que até chateiam, e aqueles que só nas aulas de Português (ou outra língua) podem ser decifrados, de tão críptica é a sua linguagem... Nisso, as letras de músicas têm mais um argumento a favor - o seu factor críptico é facilmente decifrável pelas emoções que a música transmite. No entanto...
No entanto, percebi que as coisas podem não ser assim... Tenho encontrado ultimamente letras que não correspondem ao que a música está a transmitir. Oiço a música antes de perceber o que está a ser cantado e tenho uma impressão que a música será sobre um tema. Procuro então a letra e espanto-me que o que é cantado é quase o oposto do que eu senti pela música. Um exemplo disso é a musica que já aqui postei "The Weed of all Mankind" dos Kaipa. Mas tenho encontrado mais.
A Vida é mudança. A Vida está em mudança. Lembro-me dos tempos em que sentia uma profunda vontade de escrever, ainda não sabendo do quê, e em que as palavras fluíam assim que eu me sentava em frente à folha de papel. Era também o tempo em que conseguía memorizar todas as letras que me apareciam à frente e rara era aquela que não me dissesse algo, ou que não conseguísse aplicar num contexto, ou que não traduzisse ou levantasse uma emoção forte. Com o tempo, tornou-se difícil memorizar mais letras mas, mais ainda, encontrar alguma que me dissesse algo. Comecei, então a interessar-me por álbuns que contassem uma história (os concept albums), já que ao longo de uma história as pessoas passam por muitas emoções e, muitas vezes, as histórias que são contadas são fragmentos das experiências pessoais de quem as escreve... Também isso passou. Compreendo (ou acho que compreendo) que a Vida me diz: está na hora de seres tu a escreveres aquela poesia que, mais que nunca, te tocará - a tua. É aquela a que tu poderás voltar, sempre que quiseres e com a qual te vais identificar sempre... E apesar de já ter escrito qualquer coisa noutros tempos, acho que "esta" há de ser um bocado diferente...
14 de fevereiro de 2008
"A sorte, para chegar até mim, tem de passar pelas condições que o meu carácter lhe impõe."
Não sei de quem é esta frase mas sei quem ma mandou (e desde já lhe mando um grande abraço). São frases providenciais que nos aparecem no caminho, nem que seja para me pôr um sorriso na cara (como pôs).
Em primeiro lugar, e depois de algum pensar, subscrevo esta frase. A parte mais estranha aqui é coadunar o conceito de "sorte" com "o meu carácter lhe impõe". A primeira questão é: o que é a sorte? Haverá mesmo sorte? Depende. Se acreditarmos em coincidências, sim, creio que se pode admitir a existência da sorte, já que o conceito de sorte depende do conceito de acaso (que irá dar, obrigatoriamente, à noção de coincidência). Sigamos por este caminho. Para sabermos que algo que nos acontece é uma sorte, tem este acontecimento de ser por nós processado como um acontecimento benéfico, o que depende do nosso carácter e daí a frase fazer todo o sentido.
Outra análise. Independentemente do processo que acabei de referir, suponhamos que existem as condições que criamos para que a sorte aconteça. Daí o célebre dito popular "A sorte somos nós que a fazemos" ou o seu inverso "Quem semeia ventos, colhe tempestades". Novamente, estas condições dependem do nosso carácter, de como nós sentimos as coisas e queremos que elas aconteçam. Se as coisas acontecerem como nós queremos, é uma sorte, claro! Mas aqui perde-se o sentido de acaso que o conceito de sorte implica.
Eu não acredito na sorte. Simplesmente porque não acredito no acaso. No entanto, fico surpreendido com as coisas boas que simplesmente me aparecem no meu caminho e celebro-as. Por vezes não sei reconhecer assim tão bem que são boas, ou exagero no bom que uma situação é, mas isso são contas de outro rosário. Se puder fazer a minha "sorte", faço-a. Se não, sigo a minha Vida, que é só o que tenho de fazer, e depois logo se vê. O que conta, como sempre, é o Agora, já o tinha dito, porque é no Agora que se decidem as coisas e não no Passado (o qual só serve para se tirarem lições) ou no Futuro (que é um bom factor para nos pôr a mexer no Agora, que não existe, onde tudo está por decidir e que, por isso, é errado fiarmo-nos).
Não sei de quem é esta frase mas sei quem ma mandou (e desde já lhe mando um grande abraço). São frases providenciais que nos aparecem no caminho, nem que seja para me pôr um sorriso na cara (como pôs).
Em primeiro lugar, e depois de algum pensar, subscrevo esta frase. A parte mais estranha aqui é coadunar o conceito de "sorte" com "o meu carácter lhe impõe". A primeira questão é: o que é a sorte? Haverá mesmo sorte? Depende. Se acreditarmos em coincidências, sim, creio que se pode admitir a existência da sorte, já que o conceito de sorte depende do conceito de acaso (que irá dar, obrigatoriamente, à noção de coincidência). Sigamos por este caminho. Para sabermos que algo que nos acontece é uma sorte, tem este acontecimento de ser por nós processado como um acontecimento benéfico, o que depende do nosso carácter e daí a frase fazer todo o sentido.
Outra análise. Independentemente do processo que acabei de referir, suponhamos que existem as condições que criamos para que a sorte aconteça. Daí o célebre dito popular "A sorte somos nós que a fazemos" ou o seu inverso "Quem semeia ventos, colhe tempestades". Novamente, estas condições dependem do nosso carácter, de como nós sentimos as coisas e queremos que elas aconteçam. Se as coisas acontecerem como nós queremos, é uma sorte, claro! Mas aqui perde-se o sentido de acaso que o conceito de sorte implica.
Eu não acredito na sorte. Simplesmente porque não acredito no acaso. No entanto, fico surpreendido com as coisas boas que simplesmente me aparecem no meu caminho e celebro-as. Por vezes não sei reconhecer assim tão bem que são boas, ou exagero no bom que uma situação é, mas isso são contas de outro rosário. Se puder fazer a minha "sorte", faço-a. Se não, sigo a minha Vida, que é só o que tenho de fazer, e depois logo se vê. O que conta, como sempre, é o Agora, já o tinha dito, porque é no Agora que se decidem as coisas e não no Passado (o qual só serve para se tirarem lições) ou no Futuro (que é um bom factor para nos pôr a mexer no Agora, que não existe, onde tudo está por decidir e que, por isso, é errado fiarmo-nos).
12 de fevereiro de 2008
Como não me apetece papaguear como costume (não vá eu criar espectativas em quem não devo), ponho simplesmente esta letrinha...
It's getting dark, I hear a voice
It's whispering
I turn around but no one's there
Against my face I sense a breath
I close my eyes, I'm flying
A mellow smell, I taste the air
I realize someone's lying next to me
I feel a hand against my hair, it makes me weak
I'm crying
No one's there to tell you when the moment's coming
You will ever hear when there's a thunder drumming
A tenth of a second, that is all it takes
Everyone says they know how I feel
But I have a wound that won't heal
I see your eyes in every face
You look at me, but I'm afraid to look at you
I'm filled with guilt, I'm filled with grief
It hurts me so, it's painful
I hear your voice in every sound
You talk to me, but I'm too weak to talk to you
They say that time will heal the wound
How do they know? It's my wound!!
No one's there to tell you when the moment's coming
You will ever hear when there's a thunder drumming
A tenth of a second, that is all it takes
Everyone says they know how I feel
But I have a wound that won't heal
Are you there?
I am here
Everywhere
You're in the end
Are you there?
I am here
Everywhere
You're in the end
Life isn't fair, you would taking away far too soon
I have to move on, I've got a wound that won't heal A.C.T. - Silence (2007)
It's getting dark, I hear a voice
It's whispering
I turn around but no one's there
Against my face I sense a breath
I close my eyes, I'm flying
A mellow smell, I taste the air
I realize someone's lying next to me
I feel a hand against my hair, it makes me weak
I'm crying
No one's there to tell you when the moment's coming
You will ever hear when there's a thunder drumming
A tenth of a second, that is all it takes
Everyone says they know how I feel
But I have a wound that won't heal
I see your eyes in every face
You look at me, but I'm afraid to look at you
I'm filled with guilt, I'm filled with grief
It hurts me so, it's painful
I hear your voice in every sound
You talk to me, but I'm too weak to talk to you
They say that time will heal the wound
How do they know? It's my wound!!
No one's there to tell you when the moment's coming
You will ever hear when there's a thunder drumming
A tenth of a second, that is all it takes
Everyone says they know how I feel
But I have a wound that won't heal
Are you there?
I am here
Everywhere
You're in the end
Are you there?
I am here
Everywhere
You're in the end
Life isn't fair, you would taking away far too soon
I have to move on, I've got a wound that won't heal A.C.T. - Silence (2007)
7 de fevereiro de 2008
Hoje estou com a telha. E tirando hoje, tenho andado com a telha. Mas sobretudo hoje, andei especialmente com a telha. Estou a começar a chegar à brilhante conclusão que o mundo não vale a pena o esforço. Lutar é palavra vã. É um mundo onde os egos se degladiam por terem mais peso que o do próximo, onde o bem que é feito não é retribuído nem na mais ínfima atitude de cordialidade. Vão pro diabo que vos carregue!
Mudando de assunto, e falando de algo que vale a pena ser falado (porque proveio de alguém que vale a pena o esforço), chegou-me ás mãos a seguinte frase:
"É um equívoco acreditar que um sistema de pensamento baseado em mentiras é fraco. Nada que tenha sido feito por uma criança de Deus deixa de ter poder. Todas as crenças são reais para aquele que acredita."
À partida esta ideia soa-me perfeitamente lógica mas é necessário analisar cada uma das afirmações que a compõe.
1ª parte - "É um equívoco acreditar que um sistema de pensamento baseado em mentiras é fraco." A nossa sociedade é baseada num sistema de mentiras. Todos sabemos isto. É ela fraca? Como a sociedade se tornou num lugar demasiado grande para verificarmos que, noutro ponto, ocorreu efectivamente algo, confiamos nos meios que nos veiculam a informação. Tirando no mundo científico, não creio que haja outro meio em que se verificam as fontes. Mesmo qualquer imagem que nos apareça no televisão pode ser editada de modo a ajustar-se aos interesses que estão por detrás de quem dá a notícia. Creio que foi assim que se passou no 11 de Set, em que mostraram imagens do povo palestiniano a festejar, notícia prontamente desmentida pelos próprios, afirmando que as imagens mostradas já eram antigas. É uma questão de credibilidade de quem nos fornece a informação. Politicamente é a mesma coisa: o sistema foi montado tendo em conta uma representatividade de proximidade mas, com o tempo, essa proximidade desvaneceu-se, substituiu-se pela representatividade do partido e, consequentemente, a representatividade dos seus interesses. Tendo em conta que um partido é sempre uma organização um pouco (ou um muito) obscura, não creio que seja um bom augúrio termos pessoas a defender interesses que não fossem os nossos. Conclusão logica: se o fundamento inicial e fundamental se perdeu (já não é verdade), então o sistema é uma mentira. Em termos de sistema de pensamento (lógico ou metafísico) a coisa já pia de outra forma. Envolve um dado importante: fé e a fé, como sabemos, é cega. Num sistema de pensamento temos sempre uma boa parte que é intangível, logo, fica ao nosso critério acreditarmos ou não que seja verdade, mesmo sem provas cabais. E o contrário está também correcto, visto que a mentira é também inverificável. Portanto, em termos absolutos, é viável haver um sistema de pensamento baseado em mentiras. É na inverificabilidade, na intangibilidade que reside a força do sistema.
2ª parte - "Nada que tenha sido feito por uma criança de Deus deixa de ter poder." O que é uma criança de Deus? Fazendo prova de fé, creio que somos todos crianças/filhos de Deus e, como tal, teremos tyodo o poder que Ele nos dá para realizarmos o que tivermos a realizar. Mas ponho-me agora no outro lado da barricada: e se não formos filhos de Deus, mas do acaso? Que poder nos é concedido? Sentimos em nós que temos um poder qualquer mas quem no-lo terá dado? A própria condição humana? A condição de sermos livres, de termos uma vontade? O Poder é independente, por esta ordem de ideias, de sermos crianças de Deus ou não. Independentemente do sistema de pensamento que utilizarmos ser mentira ou não, o poder intrínseco que temos garante que tornemos a matéria da nossa fé real e consistente (não usaria aqui a palavra forte ou fraca).
3ª parte - "Todas as crenças são reais para aquele que acredita." É a integração das duas anteriores! A crença em algo, baseado na fé, tornada realidade pela nossa vontade e poder de o tornar real, ou seja, verificando que existe sobreposição do imaterial, do intuído pela fé, com o que os seus sentidos captam e mente processa (numa palavra, o real) transporta sensivelmente o intuído para a realidade, transmite-lhe força de realidade. Integrando isto com a 1ª parte, não podendo verificar a veracidade concreta do que intui, mesmo que seja mentira, passa a ser real. Não confundir aqui real com verdadeiro, ou lógico com verdadeiro, ou lógico com real. São três conceitos distintos. O verdadeiro pode não ser lógico ou real, o real pode não ser verdadeiro (como só uma mentira o sabe ser) ou lógico e o lógico pode não ser verdadeiro (através de raciocínios distorcidos) ou real (no fundo, uma utopia).
Eu tenho crenças. Para mim são verdadeiras, são reais e têm força. Não as enfio pela garganta abaixo de outros, são para consumo próprio. Um dia alguém poderá mostrar que acredito numa mentira e aí todo o sistema desabará. Tudo bem. Mas faz parte da condição humana acreditarmos em algo superior a nós mesmos, nem que seja no nosso próprio potencial, na nossa existência. Até os nihilistas acreditavam em algo que no fundo era um não-algo: o nada. Admiravam-lhe a infinitude e o facto de nos/tudo transcender, de ele provir e a ele voltar. Mas sempre acreditavam em qualquer coisa. Bom pra eles!
Mudando de assunto, e falando de algo que vale a pena ser falado (porque proveio de alguém que vale a pena o esforço), chegou-me ás mãos a seguinte frase:
"É um equívoco acreditar que um sistema de pensamento baseado em mentiras é fraco. Nada que tenha sido feito por uma criança de Deus deixa de ter poder. Todas as crenças são reais para aquele que acredita."
À partida esta ideia soa-me perfeitamente lógica mas é necessário analisar cada uma das afirmações que a compõe.
1ª parte - "É um equívoco acreditar que um sistema de pensamento baseado em mentiras é fraco." A nossa sociedade é baseada num sistema de mentiras. Todos sabemos isto. É ela fraca? Como a sociedade se tornou num lugar demasiado grande para verificarmos que, noutro ponto, ocorreu efectivamente algo, confiamos nos meios que nos veiculam a informação. Tirando no mundo científico, não creio que haja outro meio em que se verificam as fontes. Mesmo qualquer imagem que nos apareça no televisão pode ser editada de modo a ajustar-se aos interesses que estão por detrás de quem dá a notícia. Creio que foi assim que se passou no 11 de Set, em que mostraram imagens do povo palestiniano a festejar, notícia prontamente desmentida pelos próprios, afirmando que as imagens mostradas já eram antigas. É uma questão de credibilidade de quem nos fornece a informação. Politicamente é a mesma coisa: o sistema foi montado tendo em conta uma representatividade de proximidade mas, com o tempo, essa proximidade desvaneceu-se, substituiu-se pela representatividade do partido e, consequentemente, a representatividade dos seus interesses. Tendo em conta que um partido é sempre uma organização um pouco (ou um muito) obscura, não creio que seja um bom augúrio termos pessoas a defender interesses que não fossem os nossos. Conclusão logica: se o fundamento inicial e fundamental se perdeu (já não é verdade), então o sistema é uma mentira. Em termos de sistema de pensamento (lógico ou metafísico) a coisa já pia de outra forma. Envolve um dado importante: fé e a fé, como sabemos, é cega. Num sistema de pensamento temos sempre uma boa parte que é intangível, logo, fica ao nosso critério acreditarmos ou não que seja verdade, mesmo sem provas cabais. E o contrário está também correcto, visto que a mentira é também inverificável. Portanto, em termos absolutos, é viável haver um sistema de pensamento baseado em mentiras. É na inverificabilidade, na intangibilidade que reside a força do sistema.
2ª parte - "Nada que tenha sido feito por uma criança de Deus deixa de ter poder." O que é uma criança de Deus? Fazendo prova de fé, creio que somos todos crianças/filhos de Deus e, como tal, teremos tyodo o poder que Ele nos dá para realizarmos o que tivermos a realizar. Mas ponho-me agora no outro lado da barricada: e se não formos filhos de Deus, mas do acaso? Que poder nos é concedido? Sentimos em nós que temos um poder qualquer mas quem no-lo terá dado? A própria condição humana? A condição de sermos livres, de termos uma vontade? O Poder é independente, por esta ordem de ideias, de sermos crianças de Deus ou não. Independentemente do sistema de pensamento que utilizarmos ser mentira ou não, o poder intrínseco que temos garante que tornemos a matéria da nossa fé real e consistente (não usaria aqui a palavra forte ou fraca).
3ª parte - "Todas as crenças são reais para aquele que acredita." É a integração das duas anteriores! A crença em algo, baseado na fé, tornada realidade pela nossa vontade e poder de o tornar real, ou seja, verificando que existe sobreposição do imaterial, do intuído pela fé, com o que os seus sentidos captam e mente processa (numa palavra, o real) transporta sensivelmente o intuído para a realidade, transmite-lhe força de realidade. Integrando isto com a 1ª parte, não podendo verificar a veracidade concreta do que intui, mesmo que seja mentira, passa a ser real. Não confundir aqui real com verdadeiro, ou lógico com verdadeiro, ou lógico com real. São três conceitos distintos. O verdadeiro pode não ser lógico ou real, o real pode não ser verdadeiro (como só uma mentira o sabe ser) ou lógico e o lógico pode não ser verdadeiro (através de raciocínios distorcidos) ou real (no fundo, uma utopia).
Eu tenho crenças. Para mim são verdadeiras, são reais e têm força. Não as enfio pela garganta abaixo de outros, são para consumo próprio. Um dia alguém poderá mostrar que acredito numa mentira e aí todo o sistema desabará. Tudo bem. Mas faz parte da condição humana acreditarmos em algo superior a nós mesmos, nem que seja no nosso próprio potencial, na nossa existência. Até os nihilistas acreditavam em algo que no fundo era um não-algo: o nada. Admiravam-lhe a infinitude e o facto de nos/tudo transcender, de ele provir e a ele voltar. Mas sempre acreditavam em qualquer coisa. Bom pra eles!
4 de fevereiro de 2008
Alguém me disse há pouco que, comparando a minha escrita de ultimamente com a de antigamente (quanto antigamente não o sei, mas deduzi que é um antigamente antiguinho), que perdi um bocado da alegria ao escrever... citando (e nao fiques zangada por isso) "parece que quando escrevias na altura não havia uma sombra qualquer sobre ti que há agora...". É normal. A Vida é um processo complexo e, quando uma pessoa é processada, é normal que vá perdendo um pouco da inocência pelo caminho. É assim que eu interpreto ou justifico as palavras desta minha amiga. Acabei por lhe explicar mais propriamente quais as partes do processo responsável por esta perda de inocência, longos e complexos demais para que os explique aqui. A meu ver, creio serem uma mistura de sonhos perdidos, realidades adquiridas e uma estranha sensação de "daqui para onde vou eu?", substancialmente diferente de estar perdido; é uma sensação de estar a fazer o próprio caminho, a própria estrada e percorrê-la. E esta é uma sensação terrível, no sentido de "adamastora", saber que está tudo nas nossas mãos. Muitos sentir-se-iam felizes com esta "dádiva", o poder de fazer o caminho e de o trilhar, mas questão essencial (e não andei a ver Homem-Aranha a mais) é que com maior poder vem maior responsabilidade. E é essa responsabilidade que assusta. Pessoas há que sabem o que eu quero dizer com isto, elas próprias parte desta responsabilidade. Por isso, não me venham com a história de "tens é medo de fazer qualquer coisa com a tua vida" porque se há coisa que não tenho é isso, levantando-me todos os dias para tentar mandar o show para a frente, como grande parte das pessoas. Se podia fazer mais? Se calhar podia, podia meter-me no primeiro avião para África e ir lá ajudar quem precisa (e são tantos...), podia meter-me noutro avião e ir para um país com um nível de vida melhor que este mas nenhum destes é o meu caminho. Não são a minha "cena". Também ainda estou a tentar perceber mais propriamente qual é a minha "cena" mas vou começando a vislumbrar. O que não é o mesmo que vislumbrar o caminho.
26 de janeiro de 2008
Et voilá! Finalmente, após horas de experimentação informática em HTML, aqui está o novo rosto aqui do espaço (os autores estão no rodapé). O modelo que escolhi está optimizado para o Explorer e não tanto para o Firefox, no qual o titulo e o link superior (para uma página de citações - não me lembrei de melhor mas estou aberto a sugestões!) podem aparecer desformatados. Posto isto, só me resta assegurar que tentarei que a "conversa" continuará a ser o mais estimulante ou interessante possível, como tenho tentado desde os idos de 2004 (tarefa hercúlea!). Espero que gostem! :)
23 de janeiro de 2008
Et ressurrexit tertia die...
- Mas porque é que acabaste com aquilo?...
- É pá, eu achava que aquilo já tinha perdido o sentido inicial, basta ler os posts do inicio... Sabes que nos últimos tempos muitas coisas têm perdido o sentido para mim... o blog foi mais uma coisa delas...
- Tudo bem, mas as pessoas gostavam, de o ler. Paras assim com o blog, sem mais nem menos, as pessoas vão achar que não tens consideração por elas.
- Tens razão. Mas garanto-te que tenho a maior das considerações por elas. Afinal são elas que dão sentido a um blog... se bem que até nisso as coisas mudaram porque originalmente nem estava à espera que alguém lesse o que eu tinha para escrever... foi mesmo porque me apetecia mandar o isco e deitar-me à sombra da arvore a repousar... se mordesse, mordeu!... Por acaso agora no final até estavam a morder relativamente bem! (risos)
- Ok, mas vê lá isso... Acho que se calhar te precipitaste... não tens saudades de escrever lá?
- É claro que sim, aliás eu próprio ainda lá vou de vez em quando ver o que escrevi de outras vezes, levantar o bolor dos arquivos... Por outro lado, eu agora tenho outro local (físico) onde posso escrever e estou a entusiasmar-me por isso... Sabes onde é que da outra vez escrevi?
- Não
- Na Peninha! Digo-te, é brutal! Se pudesse mexer a caneta com o pensamento, ou só sustentá-la no ar, garanto que ela escrevia sozinha...
- Lá estás tu a exagerar... aquilo até é bonito mas... olha, tu é que sabes o que te inspira... tu e cada um...
- Pois, e também foi por um bocado de falta de inspiração que eu fechei aquilo. Ás vezes até queria escrever qualquer coisa e não tinha ponta de ideia sobre que escrever... e tu sabes que eu adoro escrever imenso, textos longos. Escrevia lá meia dúzia de linhas e não conseguia escrever mais! Era frustrante! Além disso, comecei a ver que acabava por escrever sempre sobre a mesma coisa... sentia que me estava a repetir... isso é que eu sentia que era uma ofensa a quem se dava ao trabalho de ler o que eu escrevia...
- Olha, eu não achei isso. Fiquei mais ofendido por teres dito que terminaste o blog.
- Mas era assim tão bom, gostavas assim tanto?
- Bem, não era nenhum romance do Lobo Antunes mas lia-se bem... era diferente...
- Então olha, não sei... vou pensar no assunto..."
E pensei. Pensei no prazer que tinha em partilhar muitas das coisas convosco, para que pudessem saber como é que outra pessoa sente e vê a vida, talvez para se aperceberem que existem mais pessoas que se angustiam com o que vocês se angustiam, que têm as mesmas frustrações mas que, tal como vocês, não desistem e vão à luta. Porque a Vida é uma luta. A Vida dá trabalho e, talvez por isso, é que ela não é nada fácil por vezes. Custa levantar do chão? Custa! mas tem de ser... Custa engolir sapos? levar um estalo e não dizer nada? sermos insultados e não responder? sofrermos injustiças e não poder corrigir? aturar o mau feitio e ignorância dos outros? sofrermos desilusões dia sim dia sim? dizerem-nos que não e afinal, com boa vontade até se diria que "sim" mas não estão para isso? não ter as vontadinhas satisfeitas? Acordem meus queridos, a Vida é isto e muito mais... muitíssimo mais... é a busca pelo que está certo, pelo que se tem mesmo que fazer, a busca do "sonho", é transcendermo-nos mais do que aquilo que julgamos possível, é sermos herois cada minuto, a cada respirar e cada pulsação por enfrentarmos cada dia com uma coragem que não se sabe de onde é que vem mas que nos impele a continuar... porque tem de ser... mas o "porque tem de ser" tem motivos que a razão desconhece e aí somos impelidos para as palavras do poeta e lembramo-nos do coração e percebemos que o "tem de ser" está gravado a letras de Amor no nosso coração... acordarmos de manhã e descobrir um motivo diferente do "tem de ser" dá-nos energia renovada e entusiasmo para abrir os olhos e rirmo-nos para o sol... Aconteceu-me isso ontem!... senti-me muito bem e senti uma atmosfera, um ambiente tão parecido com o que senti há uns bons anos atrás que dei por mim a sorrir muito... Nestes dias conturbados dou por mim a sorrir muitas vezes... mas também dou por mim a querer chorar muitas vezes... é conforme o que a vida me oferece e eu aceito, devoro-a em dentadas suculentas e peço ainda mais! Saboreio cada emoção, cada sorriso, cada lágrima, cada "pequeno ódio de estimação", cada gargalhada, cada pensamento que me ocorre fora do comum, cada sonho, cada pesadelo... Mas não pensem que sou mais ou menos do que vocês! Vocês também são assim ou, se não são, têm o potencial para o ser! Pois somos Humanos, Únicos e é nossa a Vida...
Não me canso de o repetir e vou continuar a fazê-lo até que nunca mais ninguém leia isto... numa resposta aos comentários que me fizeram tinha dito que dei a minha palavra como não ia continuar com o blog... Pois bem, que a desonra caia sobre mim por não ter mantido a minha palavra nisto (situação raríssima) mas sou Humano e também erro (não me servindo disto como desculpa) e por isso aqui estou... O sentido original não é o mesmo? Paciência, a Vida também não é sempre a mesma coisa! O giro é escrever sobre ela e ver ao longo do tempo como é que ela mudou. Não prometo actualizações frequentes mas prometo que cada vez que encontrar algo de útil e diferente para partilhar que o farei... esse é o meu compromisso de Honra e este cumpri-lo-ei porque o meu coração está aí também... como li por aí, "enquanto houver um que venha ler, vale a pena continuar a escrever..."... e assim será...
- É pá, eu achava que aquilo já tinha perdido o sentido inicial, basta ler os posts do inicio... Sabes que nos últimos tempos muitas coisas têm perdido o sentido para mim... o blog foi mais uma coisa delas...
- Tudo bem, mas as pessoas gostavam, de o ler. Paras assim com o blog, sem mais nem menos, as pessoas vão achar que não tens consideração por elas.
- Tens razão. Mas garanto-te que tenho a maior das considerações por elas. Afinal são elas que dão sentido a um blog... se bem que até nisso as coisas mudaram porque originalmente nem estava à espera que alguém lesse o que eu tinha para escrever... foi mesmo porque me apetecia mandar o isco e deitar-me à sombra da arvore a repousar... se mordesse, mordeu!... Por acaso agora no final até estavam a morder relativamente bem! (risos)
- Ok, mas vê lá isso... Acho que se calhar te precipitaste... não tens saudades de escrever lá?
- É claro que sim, aliás eu próprio ainda lá vou de vez em quando ver o que escrevi de outras vezes, levantar o bolor dos arquivos... Por outro lado, eu agora tenho outro local (físico) onde posso escrever e estou a entusiasmar-me por isso... Sabes onde é que da outra vez escrevi?
- Não
- Na Peninha! Digo-te, é brutal! Se pudesse mexer a caneta com o pensamento, ou só sustentá-la no ar, garanto que ela escrevia sozinha...
- Lá estás tu a exagerar... aquilo até é bonito mas... olha, tu é que sabes o que te inspira... tu e cada um...
- Pois, e também foi por um bocado de falta de inspiração que eu fechei aquilo. Ás vezes até queria escrever qualquer coisa e não tinha ponta de ideia sobre que escrever... e tu sabes que eu adoro escrever imenso, textos longos. Escrevia lá meia dúzia de linhas e não conseguia escrever mais! Era frustrante! Além disso, comecei a ver que acabava por escrever sempre sobre a mesma coisa... sentia que me estava a repetir... isso é que eu sentia que era uma ofensa a quem se dava ao trabalho de ler o que eu escrevia...
- Olha, eu não achei isso. Fiquei mais ofendido por teres dito que terminaste o blog.
- Mas era assim tão bom, gostavas assim tanto?
- Bem, não era nenhum romance do Lobo Antunes mas lia-se bem... era diferente...
- Então olha, não sei... vou pensar no assunto..."
E pensei. Pensei no prazer que tinha em partilhar muitas das coisas convosco, para que pudessem saber como é que outra pessoa sente e vê a vida, talvez para se aperceberem que existem mais pessoas que se angustiam com o que vocês se angustiam, que têm as mesmas frustrações mas que, tal como vocês, não desistem e vão à luta. Porque a Vida é uma luta. A Vida dá trabalho e, talvez por isso, é que ela não é nada fácil por vezes. Custa levantar do chão? Custa! mas tem de ser... Custa engolir sapos? levar um estalo e não dizer nada? sermos insultados e não responder? sofrermos injustiças e não poder corrigir? aturar o mau feitio e ignorância dos outros? sofrermos desilusões dia sim dia sim? dizerem-nos que não e afinal, com boa vontade até se diria que "sim" mas não estão para isso? não ter as vontadinhas satisfeitas? Acordem meus queridos, a Vida é isto e muito mais... muitíssimo mais... é a busca pelo que está certo, pelo que se tem mesmo que fazer, a busca do "sonho", é transcendermo-nos mais do que aquilo que julgamos possível, é sermos herois cada minuto, a cada respirar e cada pulsação por enfrentarmos cada dia com uma coragem que não se sabe de onde é que vem mas que nos impele a continuar... porque tem de ser... mas o "porque tem de ser" tem motivos que a razão desconhece e aí somos impelidos para as palavras do poeta e lembramo-nos do coração e percebemos que o "tem de ser" está gravado a letras de Amor no nosso coração... acordarmos de manhã e descobrir um motivo diferente do "tem de ser" dá-nos energia renovada e entusiasmo para abrir os olhos e rirmo-nos para o sol... Aconteceu-me isso ontem!... senti-me muito bem e senti uma atmosfera, um ambiente tão parecido com o que senti há uns bons anos atrás que dei por mim a sorrir muito... Nestes dias conturbados dou por mim a sorrir muitas vezes... mas também dou por mim a querer chorar muitas vezes... é conforme o que a vida me oferece e eu aceito, devoro-a em dentadas suculentas e peço ainda mais! Saboreio cada emoção, cada sorriso, cada lágrima, cada "pequeno ódio de estimação", cada gargalhada, cada pensamento que me ocorre fora do comum, cada sonho, cada pesadelo... Mas não pensem que sou mais ou menos do que vocês! Vocês também são assim ou, se não são, têm o potencial para o ser! Pois somos Humanos, Únicos e é nossa a Vida...
Não me canso de o repetir e vou continuar a fazê-lo até que nunca mais ninguém leia isto... numa resposta aos comentários que me fizeram tinha dito que dei a minha palavra como não ia continuar com o blog... Pois bem, que a desonra caia sobre mim por não ter mantido a minha palavra nisto (situação raríssima) mas sou Humano e também erro (não me servindo disto como desculpa) e por isso aqui estou... O sentido original não é o mesmo? Paciência, a Vida também não é sempre a mesma coisa! O giro é escrever sobre ela e ver ao longo do tempo como é que ela mudou. Não prometo actualizações frequentes mas prometo que cada vez que encontrar algo de útil e diferente para partilhar que o farei... esse é o meu compromisso de Honra e este cumpri-lo-ei porque o meu coração está aí também... como li por aí, "enquanto houver um que venha ler, vale a pena continuar a escrever..."... e assim será...
7 de janeiro de 2008
Ladies and Gentlemen, last but (never) not least...
Morreu ontem o Homem... Luiz Pacheco (do qual aqui reproduzi um excerto de um texto seu), faleceu ontem com 82 anos de uma vida em pleno e com ainda muito para nos dar... e chocar (como era seu hábito) as mentes mais fechadas deste país, aquelas que aceitam o pó em cima da mesa e, sobretudo, das mentes... se puderem, aconselho, tentem encontrar obras suas. Não vão dar esse tempo por perdido.
Foi este o meu conselho neste que foi o 1º post de 2008. E o último. De sempre. De hoje em diante, este blog fechou as portas. Não por Luiz Pacheco (convém dizer), mas por mim. A razão deste blog deixou de existir há algum tempo (vinha eu a reparar) e acho que a blogosfera vai agradecer. O site manter-se-á activo por mais uns meses (max. um ano) mas depois encerrá-lo-ei de vez. Para qualquer assunto, aqui fica o e-mail: lux.elementum@gmail.com . Foram 3 anos e uns meses em que ficaram patentes momentos muito importantes da minha vida, em que conheci, através do blog, pessoas extraordinárias, se debateram por vezes ideias...em suma, uma óptima experiência!
A todos os que leram, muito obrigado e bem hajam! E sim, enquanto houver vida, estes serão sempre dias conturbados...
Foi este o meu conselho neste que foi o 1º post de 2008. E o último. De sempre. De hoje em diante, este blog fechou as portas. Não por Luiz Pacheco (convém dizer), mas por mim. A razão deste blog deixou de existir há algum tempo (vinha eu a reparar) e acho que a blogosfera vai agradecer. O site manter-se-á activo por mais uns meses (max. um ano) mas depois encerrá-lo-ei de vez. Para qualquer assunto, aqui fica o e-mail: lux.elementum@gmail.com . Foram 3 anos e uns meses em que ficaram patentes momentos muito importantes da minha vida, em que conheci, através do blog, pessoas extraordinárias, se debateram por vezes ideias...em suma, uma óptima experiência!
A todos os que leram, muito obrigado e bem hajam! E sim, enquanto houver vida, estes serão sempre dias conturbados...
24 de dezembro de 2007
Tenho pensado muito no que vou escrever mas acho que o melhor é fazê-lo como sempre fiz: "straight from the heart"...
É Natal, não é preciso eu acrescentar mais nada quanto a isto, é um facto, estamos na época festiva... Milhões de pessoas têm milhões de motivos para gostarem desta época mas eu pertenço aos outros milhões de pessoas que têm milhões de motivos para detestarem esta época... As minhas razões têm raizes profundas e, como "planta" que é, todos os anos cresce e cresce e cresce...
O mundo não está um lugar bonito para se viver... podia ser mas não está a ser um lugar bonito para se viver e não são épocas como estas que ajudam a ser... muito pelo contrário, é uma época onde a hipocrisia e o cinismo imperam... Não estou a dizer que haja boa vontade algures, até pode haver, mas acho que acima de tudo existe um puro sentimento de inveja e ciúme, algo que se sobrepõe ao aclamado espírito de comunhão e solidariedade que deveria caracterizar o Natal... são as compras que se "têm" que fazer para 90% das pessoas que não se gosta realmente mas que se "tem" de oferecer senão ficamos com a impressão de se ter ganho um inimigo para a eternidade, é a corrida de encontrar uma prenda melhor do que a do ano passado mas não suficientemente boa ou melhor que a que vamos dar aos que gostamos que, por sua vez, não será melhor que a que já nos demos, é a má vontade com que se arrastam as crianças que queria um brinquedo que não vão receber porque é muito caro e vão ter que se contentar com um muito pior, é o mau humor das pessoas nas compras, é isto, é aquilo e aqueloutro, é só dizer...
As minhas razões são mais pessoais... baseiam-se num conjunto de experiências que aconteceram e nunca deviam ter acontecido, e noutras que aconteceram e deixaram de acontecer... O Natal é para as crianças, lá isso é e tem de ser assim... o meu Natal foi assassinado aos 10 anos. Porque foi aos 10 anos que deixei de fazer uma festa de crianças (ou com crianças) para fazer uma festa sem crianças, só pessoas idosas com as quais não me identificava minimamente... família, sim, mas família que não me dizia nada, que só via quase de ano a ano, em contraste com outra família que eu via quase todos os fim-de-semana... Natal sem alegria, Natal com queixas, ressentimentos à mesa, um Natal de nome, só casca, esqueleto... Não melhorou durante anos, até há 4 anos, altura em que mudei de casa e fiz a primeira consoada só com os meus pais... Pensei a início que seria mais uma consoada sem vida mas foi especial, diferente, muito gira... No entanto, há um aspecto muito importante no Natal: a preparação do mesmo! Isto, até aos 10 anos foi fantástico, deixou de o ser, e há 2 anos voltou a ser durante, precisamente, 2 anos... este ano voltou a deixar de ser e, portanto, não tenho nada que me diga que é Natal porque não o preparei minimamente.
As prendas.. bem, disso não me posso queixar porque nunca recebi prendas daquelas de sonhar (o que é diferente de não receber prendas)... fui, o que costumo chamar, um "babão" - passava a época pré-Natalícia a babar-me com o que via na televisão e depois babava-me com aquilo que eu via os outros tinham recebido... se isto era mau, pior ficou porque calhou-me o castigo de Sísifo: quando tinha chegado ao cimo (a uma situação boa), a pedra rebolou de novo para o fundo da encosta... coisas da Vida...
A nossa vida também é feita de memórias. E muitas vezes é das memórias que se cria a expectativa de coisas que hão-de acontecer... As minhas memórias de Natal são, na sua maioria, más. Mas também tenho memórias boas e é nisso que penso nestas alturas e não me deixa tão amargo em relação a esta época... De resto, motivos todos temos para encarar as coisas de uma forma ou outra... O meu 1º desejo de Natal não se vai realizar, já o sei, o meu 2º também não (e era tão simples) mas o meu 3º desejo espero que se concretize: que, quem quer que leia isto, tenha um Natal (em todas as suas vertentes) bem melhor do que os que eu tive, sem ressentimentos, sem amarguras, mas com muita muita alegria e Amor!...
É Natal, não é preciso eu acrescentar mais nada quanto a isto, é um facto, estamos na época festiva... Milhões de pessoas têm milhões de motivos para gostarem desta época mas eu pertenço aos outros milhões de pessoas que têm milhões de motivos para detestarem esta época... As minhas razões têm raizes profundas e, como "planta" que é, todos os anos cresce e cresce e cresce...
O mundo não está um lugar bonito para se viver... podia ser mas não está a ser um lugar bonito para se viver e não são épocas como estas que ajudam a ser... muito pelo contrário, é uma época onde a hipocrisia e o cinismo imperam... Não estou a dizer que haja boa vontade algures, até pode haver, mas acho que acima de tudo existe um puro sentimento de inveja e ciúme, algo que se sobrepõe ao aclamado espírito de comunhão e solidariedade que deveria caracterizar o Natal... são as compras que se "têm" que fazer para 90% das pessoas que não se gosta realmente mas que se "tem" de oferecer senão ficamos com a impressão de se ter ganho um inimigo para a eternidade, é a corrida de encontrar uma prenda melhor do que a do ano passado mas não suficientemente boa ou melhor que a que vamos dar aos que gostamos que, por sua vez, não será melhor que a que já nos demos, é a má vontade com que se arrastam as crianças que queria um brinquedo que não vão receber porque é muito caro e vão ter que se contentar com um muito pior, é o mau humor das pessoas nas compras, é isto, é aquilo e aqueloutro, é só dizer...
As minhas razões são mais pessoais... baseiam-se num conjunto de experiências que aconteceram e nunca deviam ter acontecido, e noutras que aconteceram e deixaram de acontecer... O Natal é para as crianças, lá isso é e tem de ser assim... o meu Natal foi assassinado aos 10 anos. Porque foi aos 10 anos que deixei de fazer uma festa de crianças (ou com crianças) para fazer uma festa sem crianças, só pessoas idosas com as quais não me identificava minimamente... família, sim, mas família que não me dizia nada, que só via quase de ano a ano, em contraste com outra família que eu via quase todos os fim-de-semana... Natal sem alegria, Natal com queixas, ressentimentos à mesa, um Natal de nome, só casca, esqueleto... Não melhorou durante anos, até há 4 anos, altura em que mudei de casa e fiz a primeira consoada só com os meus pais... Pensei a início que seria mais uma consoada sem vida mas foi especial, diferente, muito gira... No entanto, há um aspecto muito importante no Natal: a preparação do mesmo! Isto, até aos 10 anos foi fantástico, deixou de o ser, e há 2 anos voltou a ser durante, precisamente, 2 anos... este ano voltou a deixar de ser e, portanto, não tenho nada que me diga que é Natal porque não o preparei minimamente.
As prendas.. bem, disso não me posso queixar porque nunca recebi prendas daquelas de sonhar (o que é diferente de não receber prendas)... fui, o que costumo chamar, um "babão" - passava a época pré-Natalícia a babar-me com o que via na televisão e depois babava-me com aquilo que eu via os outros tinham recebido... se isto era mau, pior ficou porque calhou-me o castigo de Sísifo: quando tinha chegado ao cimo (a uma situação boa), a pedra rebolou de novo para o fundo da encosta... coisas da Vida...
A nossa vida também é feita de memórias. E muitas vezes é das memórias que se cria a expectativa de coisas que hão-de acontecer... As minhas memórias de Natal são, na sua maioria, más. Mas também tenho memórias boas e é nisso que penso nestas alturas e não me deixa tão amargo em relação a esta época... De resto, motivos todos temos para encarar as coisas de uma forma ou outra... O meu 1º desejo de Natal não se vai realizar, já o sei, o meu 2º também não (e era tão simples) mas o meu 3º desejo espero que se concretize: que, quem quer que leia isto, tenha um Natal (em todas as suas vertentes) bem melhor do que os que eu tive, sem ressentimentos, sem amarguras, mas com muita muita alegria e Amor!...
18 de dezembro de 2007
"And when we touch the future dies,
I see the face of my demise,
I'm all alone without a friend,
I see my fate; my bitter end...
Thought I was the bigger man
But all I've done is a grain of sand...
Thought I gave the best of me
But all it was, was vanity...
All is vanity
All is vanity..."
Spock's Beard - Snow
Constatações, dúvidas, vislumbres de um futuro (indesejado)... :/
I see the face of my demise,
I'm all alone without a friend,
I see my fate; my bitter end...
Thought I was the bigger man
But all I've done is a grain of sand...
Thought I gave the best of me
But all it was, was vanity...
All is vanity
All is vanity..."
Spock's Beard - Snow
Constatações, dúvidas, vislumbres de um futuro (indesejado)... :/
16 de dezembro de 2007
Ultimamente, por vezes, sinto-me assim...
Our garden is running dead dry
We're watching the flowers die
This Eden is running to weed
Under dense and darkened skies
We're watching love die
Weeds linger past the doors
Green fingers from the dark fields
The thorn cut thru the walls
Piercing thru the armours
It'll reach out for your heart
This evil is still standing by
They strike by the end of the day
This Sinister parasite dwell
In this house where there used to be love
Now it borders to hell
They feed on fear and weakness
Like a sleeping cancer growth
Screaming to break free
To join the dawn of madness
Where King of Chaos rule
Now passing borderlines
We're stunned, disarmed and helpless
A crown of thorn to rule us
In years of silent sadness
The weed of all mankind
Outras vezes sinto-me assim...
You don't know who sent you here - You can't see them pull the strings
I bet they've got a damn good reason - I hope there's someone listening
Ihope what they say is true - That God can see thru souls of men
And all the blood upon our windows will be like teardrops in the rain...
...
Where did all the goodness - where did all Love go?
Where is all the kindness - can love find a home?
First you build me up and then you break me down.
I don't want your money - I just need your time.
World is getting older now! World is getting colder now!
Egos getting bigger - It's playground for the wicked!
No one is really listening - No room for reasoning!
The cash machine just opened up it's jaws & now it's giggling.
Look when you stand on the brink of that dark hole
It's like the world just collapsed in this space.
If you look for a trace of redemption - You're not likely to find in this place
Mas, apesar de tudo, em pano de fundo, sinto-me sempre assim...
I'm the voice of summer - now won't you ride the wave?
I am life in motion & laughter on the scale.
If you take me seriously - I'll take you serious too
Ride together into the sunset, that's all we can do.
You can call me dreamer - You can call me plain.
A tiny bit of sunshine in between the driving rains.
You can call me father - You can call me son.
A little bit of yesterday & future wrapped in one.
...
Hey - when you stand on the brink
Looking for answers - looking for answers
Love is One - Love is all - Love is kind
Love put on many faces
Love is the only answer - Love's what you feel
You can invest in love but never ask for payback...
Bonito quando outros conseguem dizer o que sentimos e somos...
Letras por "The Flower Kings" e "Kaipa"
Our garden is running dead dry
We're watching the flowers die
This Eden is running to weed
Under dense and darkened skies
We're watching love die
Weeds linger past the doors
Green fingers from the dark fields
The thorn cut thru the walls
Piercing thru the armours
It'll reach out for your heart
This evil is still standing by
They strike by the end of the day
This Sinister parasite dwell
In this house where there used to be love
Now it borders to hell
They feed on fear and weakness
Like a sleeping cancer growth
Screaming to break free
To join the dawn of madness
Where King of Chaos rule
Now passing borderlines
We're stunned, disarmed and helpless
A crown of thorn to rule us
In years of silent sadness
The weed of all mankind
Outras vezes sinto-me assim...
You don't know who sent you here - You can't see them pull the strings
I bet they've got a damn good reason - I hope there's someone listening
Ihope what they say is true - That God can see thru souls of men
And all the blood upon our windows will be like teardrops in the rain...
...
Where did all the goodness - where did all Love go?
Where is all the kindness - can love find a home?
First you build me up and then you break me down.
I don't want your money - I just need your time.
World is getting older now! World is getting colder now!
Egos getting bigger - It's playground for the wicked!
No one is really listening - No room for reasoning!
The cash machine just opened up it's jaws & now it's giggling.
Look when you stand on the brink of that dark hole
It's like the world just collapsed in this space.
If you look for a trace of redemption - You're not likely to find in this place
Mas, apesar de tudo, em pano de fundo, sinto-me sempre assim...
I'm the voice of summer - now won't you ride the wave?
I am life in motion & laughter on the scale.
If you take me seriously - I'll take you serious too
Ride together into the sunset, that's all we can do.
You can call me dreamer - You can call me plain.
A tiny bit of sunshine in between the driving rains.
You can call me father - You can call me son.
A little bit of yesterday & future wrapped in one.
...
Hey - when you stand on the brink
Looking for answers - looking for answers
Love is One - Love is all - Love is kind
Love put on many faces
Love is the only answer - Love's what you feel
You can invest in love but never ask for payback...
Bonito quando outros conseguem dizer o que sentimos e somos...
Letras por "The Flower Kings" e "Kaipa"
8 de dezembro de 2007
Paro e olho pela janela. É fim de tarde... O contraste da luz de dentro e de fora faz-me lembrar certas pessoas... Mas ainda não vou por aí. Prefiro limitar-me (e é o que é neste momento) à luz que vejo desaparecer lá fora e a que está cá dentro, no quarto... Tento tirar uma foto para mais tarde poder recordar de como aconchegante, como "memoriosa" é este conjunto de cores que eu vejo. Infelizmente não tenho o melhor aparelho para isso e a foto fica-se pelas intenções...
Não queria ficar em casa hoje. Não sei porquê. Apetecia-me sair, estar com pessoas, falar de tudo e de nada, mas por aqui fiquei... De repente, num destes momentos em que tudo pára e nos pomos a olhar sem razão para um local, reparei no que disse acima e imediatamente a minha memória viajou... Bom da coisa, viajou para locais onde me senti tão bem, e melhor ainda, viajou para diversas ocasiões... Foi a altura da serenidade, a altura do recolhimento, uma luz que se vai e outra que chega, ou que parece que chega porque a que se vai era mais forte e a outra já la estava... sempre esteve... Nunca passaram por isso com pessoas? Eu já, e sem dúvida que aquilo que senti se dividiu entre a alegria do tesouro (re)encontrado/reconhecido e o sentimento de estupidez de termos demorado tanto tempo a reconhecer algo que sempre esteve lá. E não, a não estou a falar de ninguém em particular nem de algo que esteja a passar... simplesmente lembrei-me! Mas comecei há pouco a falar da diferença de luz nas pessoas. Tenho sentido (mais ultimamente que outra coisa) isso nas pessoas... Estando com elas sinto o que elas podem ser, conhecendo como conheço as suas atitudes, o seu modo de pensar, aquilo em que acreditam e, não raramente, sinto um grande potencial naquilo que são. É claro que, no fundo, é apenas uma imagem do que elas realmente são visto que, pela nossa condição, nunca saberemos como serão. Mas também, que interessa saber? Só se for por medo! Queremos saber com o que contamos, para quê? Para nos defendermos (por medo), por interesse? Eu costumo dizer que gosto de conhecer as pessoas mas também admito que não é somente pelo prazer que tenho em conhecê-las; ocasiões há, e sobretudo se tiver que conviver diariamente com elas, é para defesa ("gathering some intel")... Mas novamente o medo, aquele que se disfarça ardilosamente de coisas tão comuns que, se formos a dar por isso, já estão impregnadas no nosso quotidiano... e tão depressa ele se entranha que nem damos conta do quanto ele consegue manobrar as nossas atitudes... Há pouco tempo falei de uma vertente, nas relações amorosas, mas aplica-se a tantas tantas coisas... E, obviamente, levando o raciocínio até ao fim, é o Medo que leva a que a diferença entre aquilo que somos e aquilo que podemos ser se acentue... O mais engraçado é que, se agora se confrontarem com o "porque é que" fazem, e se o Medo estiver na base do que fazem, ele próprio vai criar barreiras de defesa. Como? Óbvio: gerando mais medo! É a única coisa que sabe fazer! :D Não cedam... confrontem o que sentem, o que fazem, os velhos hábitos bolorentos sem sentido e pensem se vale mesmo a pena gastar a vossa energia com isso quando podiam gastá-la em algo muito melhor: em como serem mais felizes e mais vocês próprios...
Olho agora pela janela e já é noite... o sentimento agora é outro: descanso, introspecção para o que se fez, preparar o amanhã... quem disse que, quando a luz está longe, não acontecem coisas importantes?...
Não queria ficar em casa hoje. Não sei porquê. Apetecia-me sair, estar com pessoas, falar de tudo e de nada, mas por aqui fiquei... De repente, num destes momentos em que tudo pára e nos pomos a olhar sem razão para um local, reparei no que disse acima e imediatamente a minha memória viajou... Bom da coisa, viajou para locais onde me senti tão bem, e melhor ainda, viajou para diversas ocasiões... Foi a altura da serenidade, a altura do recolhimento, uma luz que se vai e outra que chega, ou que parece que chega porque a que se vai era mais forte e a outra já la estava... sempre esteve... Nunca passaram por isso com pessoas? Eu já, e sem dúvida que aquilo que senti se dividiu entre a alegria do tesouro (re)encontrado/reconhecido e o sentimento de estupidez de termos demorado tanto tempo a reconhecer algo que sempre esteve lá. E não, a não estou a falar de ninguém em particular nem de algo que esteja a passar... simplesmente lembrei-me! Mas comecei há pouco a falar da diferença de luz nas pessoas. Tenho sentido (mais ultimamente que outra coisa) isso nas pessoas... Estando com elas sinto o que elas podem ser, conhecendo como conheço as suas atitudes, o seu modo de pensar, aquilo em que acreditam e, não raramente, sinto um grande potencial naquilo que são. É claro que, no fundo, é apenas uma imagem do que elas realmente são visto que, pela nossa condição, nunca saberemos como serão. Mas também, que interessa saber? Só se for por medo! Queremos saber com o que contamos, para quê? Para nos defendermos (por medo), por interesse? Eu costumo dizer que gosto de conhecer as pessoas mas também admito que não é somente pelo prazer que tenho em conhecê-las; ocasiões há, e sobretudo se tiver que conviver diariamente com elas, é para defesa ("gathering some intel")... Mas novamente o medo, aquele que se disfarça ardilosamente de coisas tão comuns que, se formos a dar por isso, já estão impregnadas no nosso quotidiano... e tão depressa ele se entranha que nem damos conta do quanto ele consegue manobrar as nossas atitudes... Há pouco tempo falei de uma vertente, nas relações amorosas, mas aplica-se a tantas tantas coisas... E, obviamente, levando o raciocínio até ao fim, é o Medo que leva a que a diferença entre aquilo que somos e aquilo que podemos ser se acentue... O mais engraçado é que, se agora se confrontarem com o "porque é que" fazem, e se o Medo estiver na base do que fazem, ele próprio vai criar barreiras de defesa. Como? Óbvio: gerando mais medo! É a única coisa que sabe fazer! :D Não cedam... confrontem o que sentem, o que fazem, os velhos hábitos bolorentos sem sentido e pensem se vale mesmo a pena gastar a vossa energia com isso quando podiam gastá-la em algo muito melhor: em como serem mais felizes e mais vocês próprios...
Olho agora pela janela e já é noite... o sentimento agora é outro: descanso, introspecção para o que se fez, preparar o amanhã... quem disse que, quando a luz está longe, não acontecem coisas importantes?...
Pegando na sugestão da Nocas, cá vai o meu contributo para a cadeia (esta até é interessante) da pag. 161...
E reza assim a dita página...
"-Quero lá saber da próxima geração, querido. O que me interessa, somos nós.
- Só és rebelde da cintura para baixo - afirmou ele.
Para ela, o dito soava extremamente espirituoso, e apertou Winston nos braços, encantada.
Os meandros da doutrina do Partido não lhe despertavam o mínimo interesse. Sempre que ele começava a falar dos princípios do SOCING, do duplopensar, da mutabilidade do passado, da negação da realidade objectiva, e se punha a usar palavras de novilíngua, ela mostrava-se maçada e confusa dizendo não ligar a essas coisas. Já se sabia que eram tudo balelas, por isso de que servia estar alguém a ralar-se? Sabia quando aplaudir e quando apupar, e chegava! À insistência dele em falar sobre tais assuntos, tinha o hábito desconcertante de adormecer. Era capaz de adormecer a qualquer hora e em qualquer posição. Conversando com ela, Winston percebeu a facilidade em exibir uma aparente ortodoxia sem se ter a menor noção do que era a ortodoxia. De certo modo, a visão que o partido fomentava do mundo e das coisas impunha-se com maior êxito às pessoas incapaz de a compreender. Podia-se levá-las a aceitar as mais flagrantes violações da realidade, porque nunca viam claramente a enormidade do que se lhes pedia, nem se interessavam suficientemente pela vida pública para se aperceberem do que estava a acontecer. Graças à falta de entendimento, conservavam saúde de espírito. Engoliam tudo e mais alguma coisa, e o que engoliam não lhes fazia mal, pois não deixava atrás de si o menor resíduo, como grãos de milho, sem serem digeridos, entram e saem pelo corpo de um pássaro."
1984, George Orwell (pag. 161 da edição portuguesa pela editora Antígona)
Não foi nada fácil escolher um excerto com sentido próprio para se colocar aqui... Ora, como eu não tenho amigos blogueiros, pela minha parte fico por aqui... :)
E reza assim a dita página...
"-Quero lá saber da próxima geração, querido. O que me interessa, somos nós.
- Só és rebelde da cintura para baixo - afirmou ele.
Para ela, o dito soava extremamente espirituoso, e apertou Winston nos braços, encantada.
Os meandros da doutrina do Partido não lhe despertavam o mínimo interesse. Sempre que ele começava a falar dos princípios do SOCING, do duplopensar, da mutabilidade do passado, da negação da realidade objectiva, e se punha a usar palavras de novilíngua, ela mostrava-se maçada e confusa dizendo não ligar a essas coisas. Já se sabia que eram tudo balelas, por isso de que servia estar alguém a ralar-se? Sabia quando aplaudir e quando apupar, e chegava! À insistência dele em falar sobre tais assuntos, tinha o hábito desconcertante de adormecer. Era capaz de adormecer a qualquer hora e em qualquer posição. Conversando com ela, Winston percebeu a facilidade em exibir uma aparente ortodoxia sem se ter a menor noção do que era a ortodoxia. De certo modo, a visão que o partido fomentava do mundo e das coisas impunha-se com maior êxito às pessoas incapaz de a compreender. Podia-se levá-las a aceitar as mais flagrantes violações da realidade, porque nunca viam claramente a enormidade do que se lhes pedia, nem se interessavam suficientemente pela vida pública para se aperceberem do que estava a acontecer. Graças à falta de entendimento, conservavam saúde de espírito. Engoliam tudo e mais alguma coisa, e o que engoliam não lhes fazia mal, pois não deixava atrás de si o menor resíduo, como grãos de milho, sem serem digeridos, entram e saem pelo corpo de um pássaro."
1984, George Orwell (pag. 161 da edição portuguesa pela editora Antígona)
Não foi nada fácil escolher um excerto com sentido próprio para se colocar aqui... Ora, como eu não tenho amigos blogueiros, pela minha parte fico por aqui... :)
3 de dezembro de 2007
"The only limit to our realization of tomorrow will be our doubts of today." Franklin D. Roosevelt
Eu sei que é bom chegar a um blog, vermos as coisas e sairmos como se uma lufada de ar fresco nos tivesse atingido, deixando-nos bem dispostos, ou, de alguma forma, diferentes... Mas também é bom pensarmos nas coisas que nos aparecem por isso, aqui vos lanço o "reptil": comentai a frase supra-plagiada!
P.S. -"A child of five would understand this. Send someone to fetch a child of five." Groucho Marx
Eu sei que é bom chegar a um blog, vermos as coisas e sairmos como se uma lufada de ar fresco nos tivesse atingido, deixando-nos bem dispostos, ou, de alguma forma, diferentes... Mas também é bom pensarmos nas coisas que nos aparecem por isso, aqui vos lanço o "reptil": comentai a frase supra-plagiada!
P.S. -"A child of five would understand this. Send someone to fetch a child of five." Groucho Marx
28 de novembro de 2007
Não, hoje não tenho nenhum apontamento mais profundo para partilhar convosco... vou simplesmente falar da foto que faz parte do novo visual cá do estaminé... esta foto foi tirada no inicio do Verão, na Peninha, em plena serra de Sintra, e fala por si... para mim, não é só uma foto bonita (pelo menos, para mim, é!)... há muito simbolismo, a começar pelo local, nos elementos que a compõem... seja, ou não, só uma foto achei que merecia um lugar neste cantinho onde partilho um pouco do meu mundo...
17 de novembro de 2007
" - Posso bem dizer isto sozinho. O amor humano é um acto de solidão. Falarei sozinho. Vi-te a primeira vez no corpo de outra mulher, o nosso amor é uma série de acasos, encontros e desencontros, aparece nos olhos desta, nas palavras de outra, nas carícias e ternura de uma outra... Vive, cresce, enriquece-se de semelhantes contrastes, sedimentos, memórias, repulsas, ódios, amarguras, desesperanças, todas elas casuais, inesperadas... É como um feto: rola no calor vazio do mar uterino até tomar forma, definir-se entre homem e mulher, leva tempo, uma vida interior a nascer - as mães é que sabem. Até nascer, inteiro e perfeito, definido. E quando isso acontece, quando já sabemos tudo dele, está pronto para morrer. Amei-te no corpo doutra, talvez fosse já o teu corpo a saudade doutro ou um outro corpo onde juntei tudo, tudo, dos corpos que conheci. Amei-te muito, ah! sim, amei-te muito e sei-o porque te amo ainda. No meio da desesperança e do medo, qualquer coisa há e sobe acima das nossas cabeças, dá sinal de nós lá mesmo onde não ousámos chegar, donde desistimos, ao cimo no mais alto, onde as nossas mãos não tocam e o barulho dos nossos gritos mal pode ouvir-se... Aí, lá no alto,está o nosso amor - pobre, ferido, sujo, humílimo embora, e tão cheio de medo, tão apavorado, tão frágil. Como um papagaio de criança, que golpe de vento derruba no chão, ou a falta de vento lhe corta o voo, ou a um gesto irreflectido do menino que segura a guita se estatela, partido, sobre as árvores, os muros, além. Amo, logo existo. Essa é a grande verdade. Mas tão frágil este amor, tão mesquinho, tão dependente das coisas. Tão torturado. Como o amor de mãe, tal e qual como o amor de mãe: parece forte e eterno e um dia, um dia como ainda não houvera outro assim, vamos beijar a nossa mãe à cama, como todas as manhãs desde crianças, dar-lhe os bons-dias, e ela já lá não está. Dizemos «bom dia, mãezinha» e não nos responde, olhamo-la calada e quieta e não percebemos, nos seus olhos abertos há uma tristeza tão grande, tão vazia e tão calada, uma tristeza como nunca víramos outra assim, uma tristeza que já não é para nós, que não tem nada a ver connosco, sem irritação, sem mágoa, sem zanga, sem dúvidas, mas parada e vazia, ausente, alheia, calma. Uma tristeza imperturbável e altiva. Olhamos a nossa mãe e pela primeira vez temos medo. É já uma outra pessoa, hostil e calada, uma coisa imunda que se afaste e repele, nos dá vontade de fugir. E a pergunta que eu agora lhes faço, a vocês que uma bela manhã, quando tudo parecia certo e igual, quando tudo estava como na véspera, viram a vossa mãe morta, posta ajeitada num caixão e tudo de repente ficou diferente e desumano, e vocês sozinhos num mundo hostil e parado, o que eu pergunto é isto: lembram-se, lembras-te, da tua mãe? dos risos, do cheiro das suas roupas, das palavras murmuradas, da carícia suave dos seus beijos? Lembras-te? E das vezes que a viste chorar,e chorar por tua causa, por ti? Nesse dia o mundo mudou e era tudo tão forte e coerente e organizado até então; pois lembras-te, é o que te pergunto, como era o mundo antes? Conheço um rapaz que já nem se lembra como era o rosto da mãe, outros nem sabem o que isso foi, tristes que nunca a viram. O meu pai ensinou-me pouco, mas dizia: «perdi pai e perdi mãe, posso perder tudo o mais». E, no entanto, quando me perdeu a mim que lhe saí ao torto, essa é uma história comprida, chorou... Assim é o amor dos homens, tão incerto e desprevenido, tão mutável e enganador. [...]"
in Exercícios de Estilo, Luiz Pacheco,1971
in Exercícios de Estilo, Luiz Pacheco,1971
6 de novembro de 2007
Como é que se pode ir à luta de qualquer coisa quando, à partida, se sai numa posição defensiva? Como nos entregarmos a outra pessoa quando se pensa acima de tudo em nos protegermos a nós mesmos? Hoje foi isso que me apercebi num colega meu... O rapaz está (e muito bem) a ficar "apanhado" por uma pessoa que eu conheço... ambos são optimas pessoas, ambos têm um passado algo doloroso (quem não tem?) e ambos têm medo de se magoar... naturalíssimo... No entanto, querem proteger-se... investirem e protegerem-se... ir e ficar... estão a ver a lógica da coisa? Pois... eu também não! Quando, de uma vez por todas, é que as pessoas deixam de viver no Medo e passam a viver na Luz? Cheguei a dizer-lhe isto: já estou como a música dos Xutos - "se gosto de ti, se gostas de mim, se isso nao chega tens o mundo ao contrário..." Esses tipos é que têm razão! Só encontro pessoas assim á minha volta! Como querem que um possível relação dê certo se se baseia no medo e nao no Amor que, supostamente, deveriam partilhar (e partilhar implica dar um bocadinho... isto em termos práticos...)? E das relações parto para o resto... como queremos que a Vida evolua se temos medo das sombras, da escuridão, do nevoeiro pelo qual por vezes temos que passar para que isso aconteça? Há fantasmas na Vida? Há. Temos que os enfrentar? Temos!... porque é por isso que eles existem, para os enfrentarmos, com todo o coração e com muito Amor, para que, de cada luta, sejamos mais nós, mais Humanos, mais Divinos...
22 de outubro de 2007
Hoje estive com uma amiga minha que já nao via ha muito tempo. Soube muito muito bem! Sabe sempre bem rever pessoas de um passado cada vez mais distante, sentir que o tempo não passou, que se conversa como se ainda ontem estivessemos estado juntos...
Infelizmente, no meio de risadas e de conversas triviais, o tema central não era propriamente feliz. Não o vou, obviamente, revelar, mas a verdade subjacente é a da felicidade inerente e do que fazer quando essa felicidade está, erradamente, indexada ao que realmente importa: o nosso Eu, a Alma, o Interior. Soa a egoista? Respondam-me então, se não formos nós a viver a nossa vida, quem o fará? A Felicidade (conceito tão vago) é algo que só depende de nós. Nós a atraimos, nós a repelimos. Factores externos sempre existiram e sempre existirão, certamente, mas se estivermos consolidados em nós e cientes do que verdadeiramente somos, saberemos por as coisas em perspectiva e, assim, diminuir o possivel sofrimento tantas vezes desnecessário... no final, e no essencial, tudo se resume a isto: AMEM-SE, por favor (a vós mesmos)! Contra mim falo, certamente, porque quantas vezes me esqueço disto, no calor das situações... e, se calhar também, por saber desta verdade essencial é que reclamo tanto :)
Infelizmente, no meio de risadas e de conversas triviais, o tema central não era propriamente feliz. Não o vou, obviamente, revelar, mas a verdade subjacente é a da felicidade inerente e do que fazer quando essa felicidade está, erradamente, indexada ao que realmente importa: o nosso Eu, a Alma, o Interior. Soa a egoista? Respondam-me então, se não formos nós a viver a nossa vida, quem o fará? A Felicidade (conceito tão vago) é algo que só depende de nós. Nós a atraimos, nós a repelimos. Factores externos sempre existiram e sempre existirão, certamente, mas se estivermos consolidados em nós e cientes do que verdadeiramente somos, saberemos por as coisas em perspectiva e, assim, diminuir o possivel sofrimento tantas vezes desnecessário... no final, e no essencial, tudo se resume a isto: AMEM-SE, por favor (a vós mesmos)! Contra mim falo, certamente, porque quantas vezes me esqueço disto, no calor das situações... e, se calhar também, por saber desta verdade essencial é que reclamo tanto :)
14 de outubro de 2007
"To be, or not to be, that is the Question:
Whether 'tis Nobler in the minde to suffer
The Slings and Arrowes of outragious Fortune,
Or to take Armes against a Sea of troubles,
And by opposing end them: to dye, to sleepe
No more; and by a sleepe, to say we end
The Heart-ake, and the thousand Naturall shockes
That Flesh is heyre too? 'Tis a consummation
Deuoutly to be wish'd. To dye to sleepe,
To sleepe, perchance to Dreame; I, there's the rub,
For in that sleepe of death, what dreames may come,
When we haue shuffel'd off this mortall coile,
Must giue vs pawse. There's the respect
That makes Calamity of so long life:
For who would beare the Whips and Scornes of time,
The Oppressors wrong, the poore mans Contumely,
The pangs of dispriz'd Loue, the Lawes delay,
The insolence of Office, and the Spurnes
That patient merit of the vnworthy takes,
When he himselfe might his Quietus make
With a bare Bodkin? Who would these Fardles beare
To grunt and sweat vnder a weary life,
But that the dread of something after death,
The vndiscouered Countrey, from whose Borne
No Traueller returnes, Puzels the will,
And makes vs rather beare those illes we haue,
Then flye to others that we know not of.
Thus Conscience does make Cowards of vs all,
And thus the Natiue hew of Resolution
Is sicklied o're, with the pale cast of Thought,
And enterprizes of great pith and moment,
With this regard their Currants turne away,
And loose the name of Action. [...]"
Hamlet, Act III, Scene IV
No belo "Olde Aenglish"... se nao perceberem, repitam em voz alta que chegam lá... e pensem no que ele diz...
Whether 'tis Nobler in the minde to suffer
The Slings and Arrowes of outragious Fortune,
Or to take Armes against a Sea of troubles,
And by opposing end them: to dye, to sleepe
No more; and by a sleepe, to say we end
The Heart-ake, and the thousand Naturall shockes
That Flesh is heyre too? 'Tis a consummation
Deuoutly to be wish'd. To dye to sleepe,
To sleepe, perchance to Dreame; I, there's the rub,
For in that sleepe of death, what dreames may come,
When we haue shuffel'd off this mortall coile,
Must giue vs pawse. There's the respect
That makes Calamity of so long life:
For who would beare the Whips and Scornes of time,
The Oppressors wrong, the poore mans Contumely,
The pangs of dispriz'd Loue, the Lawes delay,
The insolence of Office, and the Spurnes
That patient merit of the vnworthy takes,
When he himselfe might his Quietus make
With a bare Bodkin? Who would these Fardles beare
To grunt and sweat vnder a weary life,
But that the dread of something after death,
The vndiscouered Countrey, from whose Borne
No Traueller returnes, Puzels the will,
And makes vs rather beare those illes we haue,
Then flye to others that we know not of.
Thus Conscience does make Cowards of vs all,
And thus the Natiue hew of Resolution
Is sicklied o're, with the pale cast of Thought,
And enterprizes of great pith and moment,
With this regard their Currants turne away,
And loose the name of Action. [...]"
Hamlet, Act III, Scene IV
No belo "Olde Aenglish"... se nao perceberem, repitam em voz alta que chegam lá... e pensem no que ele diz...
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