Ainda a propósito do meu ultimo post, vieram mesmo a propósito as palavras do nosso Nobel estrangeirado. Não posso dizer que seja dos escritores que mais admiro mas é um dos nossos maiores escritores vivos, logo, o que ele diz sempre valerá "qualquer coisa". E rezou ele assim aos jornalistas...
"Não deixando de dizer que "este é um país de coisas negativas, mas é o meu País", revelou que em Lanzarote descobriu o português: "Temos a língua mais bonita do mundo, ela é o ar que respiramos." "Todos somos responsáveis por ela, a começar pela Comunicação Social. Leiam Fernão Lopes, Camões, Bernardim Ribeiro, António Vieira, Pessoa, Eça, Camilo, Antero, Almada Negreiros", aconselhou."
in DN Online, 23/04/08
E mais nada!...
23 de abril de 2008
14 de abril de 2008
Pois, passado que está este longo interregno, creio que é altura de dizer qualquer coisa sobre isso...
Não estou em Portugal. Estou, para quem não sabe, numa média cidade belga, chamada Gent. É uma cidade pacata (para uma cidade) tipicamente da Europa central, plana, sem um monte q se veja em milhas ao redor... A minha alma lusitana reclama pelas ondas, pelo cheiro do mar, pelos montes, colinas, serras, vales, pelo sol, pelo ar perfumado que temos e que, desgraçados Portugueses!, não sabem que o têm... Eu, que sabia que iria sentir falta de tudo isso, nunca imaginei o quanto poderia sentir essa falta absurda de uma energia tão portuguesa, de um solo, um ambiente que nos está enraizado no genoma (quase)... É uma sensação quase febril, um estado de falta de saúde, como se nos tivesse sido arrancado um algo que sabemos que nos pertence, nosso por direito e conquista, nosso por Vida.
Não sabemos as bençãos que nos foram garantidas mas isso, creio, é mal internacional... Não temos noção que a nossa maior riqueza é, definitivamente, a gente.. Não temos a "beleza" nórdica? Só para quem não quiser ver! Temos, invés, um coração genuíno e honesto, um coração que, mesmo quando fala pelas costas, pelo menos fala! "És um cabrão (mas não te guardo mais ressentimento do que isto...)". Cão que ladra não morde, já dizia a minha avó.
Falam do nosso Governo, mas esta gente aqui esteve mais de meio ano com um governo provisório! Uma diferença para melhor: ao menos têm os dois pilares da sociedade (Saúde e Educação) bem firmes e assegurados. De resto, tão mau ou pior que nós... Os salários são melhores mas isso é a consequência de bons politicos no passado (outra coisa que não tivemos), influências regionais e não dos políticos do presente... Este é um país à beira da cisão! Em Portugal, goza-se com os tripeiros, com os alentejanos, com os transmontanhos, com os beirões, com os algarvios, os açoreanos e os madeirenses, enfim, uns com os outros, mas nunca, nunca, ouvi dizer a alguém que outrem não era Português, que o Porto, Vila Real, Braga, Faro, Beja, Funchal, São Miguel não são, nunca foram, nunca serão Portugal... já aqui, não é bem assim... A Bélgica é uma ficção num mapa, quando um dia alguém traçou a régua e esquadro uma "zona tampão" entre a Alemanha e a França... no dia a dia, a Flandres e a Valónia são dois siameses que se odeiam (por "N" motivos) apenas unidos por um cordão que só merece o desprezo de ambas as partes por que os mantém estupidamente unidos: Bruxelas. Ódios, ressentimentos de décadas...
É a Saudade a falar?... Talvez... Mas, mais do que isso, é a identidade de ser Português e o contraste de maneiras de ser e viver deste povo que estão a chocar em mim e a revoltar-me... Olhem para todos os grandes vultos da nossa cultura do Passado que passaram pelo estrangeiro e tentem ver para além das linhas causticas que eles nos dedicaram... tentem reconhecer, num Eça, por exemplo, que cada vez que ele criticava os nossos costumes, não era para nos deitar abaixo e minimizar perante outros povos, mas sim, uma forma de nos "espicaçar", a acordar, a sermos tudo aquilo que podemos ser porque ele (tal como eu agora) percebeu que em NADA ficamos atrás desta gente, ela sim, mesquinha e mediocre...
Merecemos mais... é só acreditarem...
Não estou em Portugal. Estou, para quem não sabe, numa média cidade belga, chamada Gent. É uma cidade pacata (para uma cidade) tipicamente da Europa central, plana, sem um monte q se veja em milhas ao redor... A minha alma lusitana reclama pelas ondas, pelo cheiro do mar, pelos montes, colinas, serras, vales, pelo sol, pelo ar perfumado que temos e que, desgraçados Portugueses!, não sabem que o têm... Eu, que sabia que iria sentir falta de tudo isso, nunca imaginei o quanto poderia sentir essa falta absurda de uma energia tão portuguesa, de um solo, um ambiente que nos está enraizado no genoma (quase)... É uma sensação quase febril, um estado de falta de saúde, como se nos tivesse sido arrancado um algo que sabemos que nos pertence, nosso por direito e conquista, nosso por Vida.
Não sabemos as bençãos que nos foram garantidas mas isso, creio, é mal internacional... Não temos noção que a nossa maior riqueza é, definitivamente, a gente.. Não temos a "beleza" nórdica? Só para quem não quiser ver! Temos, invés, um coração genuíno e honesto, um coração que, mesmo quando fala pelas costas, pelo menos fala! "És um cabrão (mas não te guardo mais ressentimento do que isto...)". Cão que ladra não morde, já dizia a minha avó.
Falam do nosso Governo, mas esta gente aqui esteve mais de meio ano com um governo provisório! Uma diferença para melhor: ao menos têm os dois pilares da sociedade (Saúde e Educação) bem firmes e assegurados. De resto, tão mau ou pior que nós... Os salários são melhores mas isso é a consequência de bons politicos no passado (outra coisa que não tivemos), influências regionais e não dos políticos do presente... Este é um país à beira da cisão! Em Portugal, goza-se com os tripeiros, com os alentejanos, com os transmontanhos, com os beirões, com os algarvios, os açoreanos e os madeirenses, enfim, uns com os outros, mas nunca, nunca, ouvi dizer a alguém que outrem não era Português, que o Porto, Vila Real, Braga, Faro, Beja, Funchal, São Miguel não são, nunca foram, nunca serão Portugal... já aqui, não é bem assim... A Bélgica é uma ficção num mapa, quando um dia alguém traçou a régua e esquadro uma "zona tampão" entre a Alemanha e a França... no dia a dia, a Flandres e a Valónia são dois siameses que se odeiam (por "N" motivos) apenas unidos por um cordão que só merece o desprezo de ambas as partes por que os mantém estupidamente unidos: Bruxelas. Ódios, ressentimentos de décadas...
É a Saudade a falar?... Talvez... Mas, mais do que isso, é a identidade de ser Português e o contraste de maneiras de ser e viver deste povo que estão a chocar em mim e a revoltar-me... Olhem para todos os grandes vultos da nossa cultura do Passado que passaram pelo estrangeiro e tentem ver para além das linhas causticas que eles nos dedicaram... tentem reconhecer, num Eça, por exemplo, que cada vez que ele criticava os nossos costumes, não era para nos deitar abaixo e minimizar perante outros povos, mas sim, uma forma de nos "espicaçar", a acordar, a sermos tudo aquilo que podemos ser porque ele (tal como eu agora) percebeu que em NADA ficamos atrás desta gente, ela sim, mesquinha e mediocre...
Merecemos mais... é só acreditarem...
21 de março de 2008
Olá Helena!
Como estás? Bem vinda de novo a este mundo! Creio que as coisas devem ter mudado um bocadinho desde a última vez que aqui estiveste... Não sei quando foi mas, muito certamente, também aí nos encontrámos... afinal, és da Família!
Nasceste num país chamado Portugal, numa cidade chamada Lisboa. Não é um país mau. É até bastante pacífico só que tem o problema de ser governado por incompetentes... mas isso terás muito tempo para verificar pelos teus olhitos. O que quero realçar aqui, é a beleza esplêndida deste pais, a riqueza das gentes, o fino ar que dispomos, a Paz que gozamos. É um pais pequenito mas que contém segredos inigualáveis. Se assim o quiseres, terás muito a descobrir. Verás, por exemplo, que somos muito orgulhosos da nossa História, de um certo passado, repassado, há já muito tempo. Mas esse é também um defeito deste país: vive-se demasiado no passado. Mas creio que isso, para ti, não será problema. Fazes parte de uma nova Era, verás o mundo com outros olhos, sentirás as coisas com um coração mais presente. Não olharás, muito provavelmente, para o Passado à procura de consolo, de um algo que te faça sentir importante, perpetuando os teus dias à sombra dessa glória passada. Preferes viver no Agora porque sabes que o mais importante que um Humano tem é a Luz que é, que existe no Presente e sabes (e tomarás consciência disso) que é com isso que deve trabalhar para fazer as coisas andarem para a frente.
Nunca te esqueças que és Humana, um tipo de Anjo muito especial, mas sempre um Anjo. Ser Humano, para além de ser uma Honra, implica muito trabalho (como "sabes" e acabarás por perceber) pois viverás numa Guerra constante dentro de ti, entre a Luz e a Sombra, uma Luta realçada com a vivência com outros Humanos que vivem, cada qual, com a sua Guerra. Mas não te assustes: tal como alguém me disse há uns tempos, existe sempre um Anjo disposta a ajudar-te sempre que precisares e, além disso, tens mais alguns atributos que boa parte das pessoas sobre a Terra (pela altura que te escrevo) não tem, o que poderá (mais uma vez, se assim o quiseres) "facilitar" o Trabalho.
Não é por acaso que nasceste no seio de uma família. Observa-os bem e ama-os, não porque é uma Lei mas porque são, serão certamente os teus melhores Amigos e terás o seu Amor incondicional. Não serão os únicos, contudo, e aos demais que encontrares no teu Caminho partilha com eles o teu Amor e o teu Tempo. Também eles o farão mas, atenção, nem sempre será da maneira que esperas. Olha, então, mede todas as tuas acções e as deles com os olhos do Coração e evitarás tristezas desnecessárias. Aliás, olha sempre tudo o que te rodeia por esses olhos tão especiais: saberás sempre para onde ir e o que fazer. E, acima de tudo, lembra-te que este Caminho, o TEU Caminho, é só Teu e que, apesar de existirem pessoas com que te "acompanham", nenhuma delas tem o poder de o fazer por ti, ou tu o delas. Só tu é que sabes de onde vens, onde estás e para onde vais. Nós (deste e do Outro Lado) estaremos contigo. Sabes que muito mais te poderia dizer, mas, por muito que te contasse, nada substituiria a experiência que é o Milagre de Viver.
Paz e Luz, minha Querida!
Como estás? Bem vinda de novo a este mundo! Creio que as coisas devem ter mudado um bocadinho desde a última vez que aqui estiveste... Não sei quando foi mas, muito certamente, também aí nos encontrámos... afinal, és da Família!
Nasceste num país chamado Portugal, numa cidade chamada Lisboa. Não é um país mau. É até bastante pacífico só que tem o problema de ser governado por incompetentes... mas isso terás muito tempo para verificar pelos teus olhitos. O que quero realçar aqui, é a beleza esplêndida deste pais, a riqueza das gentes, o fino ar que dispomos, a Paz que gozamos. É um pais pequenito mas que contém segredos inigualáveis. Se assim o quiseres, terás muito a descobrir. Verás, por exemplo, que somos muito orgulhosos da nossa História, de um certo passado, repassado, há já muito tempo. Mas esse é também um defeito deste país: vive-se demasiado no passado. Mas creio que isso, para ti, não será problema. Fazes parte de uma nova Era, verás o mundo com outros olhos, sentirás as coisas com um coração mais presente. Não olharás, muito provavelmente, para o Passado à procura de consolo, de um algo que te faça sentir importante, perpetuando os teus dias à sombra dessa glória passada. Preferes viver no Agora porque sabes que o mais importante que um Humano tem é a Luz que é, que existe no Presente e sabes (e tomarás consciência disso) que é com isso que deve trabalhar para fazer as coisas andarem para a frente.
Nunca te esqueças que és Humana, um tipo de Anjo muito especial, mas sempre um Anjo. Ser Humano, para além de ser uma Honra, implica muito trabalho (como "sabes" e acabarás por perceber) pois viverás numa Guerra constante dentro de ti, entre a Luz e a Sombra, uma Luta realçada com a vivência com outros Humanos que vivem, cada qual, com a sua Guerra. Mas não te assustes: tal como alguém me disse há uns tempos, existe sempre um Anjo disposta a ajudar-te sempre que precisares e, além disso, tens mais alguns atributos que boa parte das pessoas sobre a Terra (pela altura que te escrevo) não tem, o que poderá (mais uma vez, se assim o quiseres) "facilitar" o Trabalho.
Não é por acaso que nasceste no seio de uma família. Observa-os bem e ama-os, não porque é uma Lei mas porque são, serão certamente os teus melhores Amigos e terás o seu Amor incondicional. Não serão os únicos, contudo, e aos demais que encontrares no teu Caminho partilha com eles o teu Amor e o teu Tempo. Também eles o farão mas, atenção, nem sempre será da maneira que esperas. Olha, então, mede todas as tuas acções e as deles com os olhos do Coração e evitarás tristezas desnecessárias. Aliás, olha sempre tudo o que te rodeia por esses olhos tão especiais: saberás sempre para onde ir e o que fazer. E, acima de tudo, lembra-te que este Caminho, o TEU Caminho, é só Teu e que, apesar de existirem pessoas com que te "acompanham", nenhuma delas tem o poder de o fazer por ti, ou tu o delas. Só tu é que sabes de onde vens, onde estás e para onde vais. Nós (deste e do Outro Lado) estaremos contigo. Sabes que muito mais te poderia dizer, mas, por muito que te contasse, nada substituiria a experiência que é o Milagre de Viver.
Paz e Luz, minha Querida!
19 de março de 2008
I could see you dance
In the middle of the road to my heart,
Your body moving,
A reflection of your soul...
I was alone,
I was tired of this place, of this life...
And there you were,
Like a remedy for my pain...
You were so alone,
“A heart of stone” - they said...
They couldn’t be more wrong,
They just couldn’t be more wrong...
Your voice is fading,
In the echoes of a song you once sang...
Tired and lonely,
Yet so strong that it makes me cry...
Shout out loud!, Dark Poet full of scythe
The time has come for them to
Save you!
Trespassing through Time, if they could
Save You!
Knowledge is a crime and I shall
Save You!
Make your words live on and on,
And on, and on, and on, and on, and on...
On and on...
I could see you dance
In the middle of the road to my heart...
Beardfish - Sleeping In Traffic Pt1 - 2007
...pode ouvir-se aqui...
In the middle of the road to my heart,
Your body moving,
A reflection of your soul...
I was alone,
I was tired of this place, of this life...
And there you were,
Like a remedy for my pain...
You were so alone,
“A heart of stone” - they said...
They couldn’t be more wrong,
They just couldn’t be more wrong...
Your voice is fading,
In the echoes of a song you once sang...
Tired and lonely,
Yet so strong that it makes me cry...
Shout out loud!, Dark Poet full of scythe
The time has come for them to
Save you!
Trespassing through Time, if they could
Save You!
Knowledge is a crime and I shall
Save You!
Make your words live on and on,
And on, and on, and on, and on, and on...
On and on...
I could see you dance
In the middle of the road to my heart...
Beardfish - Sleeping In Traffic Pt1 - 2007
...pode ouvir-se aqui...
15 de março de 2008
"The greatest challenge to any thinker is stating the problem in a way that will allow a solution."
(O maior desafio de um pensador é aferir o problema de forma a que permita uma solução)
B. Russell
Ora aqui está o nosso amigo Bertrand novamente à carga, numa citação encontrada por acaso! Devo dizer que não conheço muito da sua vida mas ouvi há uns tempos coisas que não me agradaram sobre certos pontos de vista seus (dos quais não me recordo)... De qualquer forma, não estou aqui para julgar o homem, simplesmente, quero pensar um pouco sobre esta tirada filosófica...
Todos os problemas, para serem compreendidos como problemas, têm que ser aferidos. Os mecanismos de reconhecimento foram inicialmente descritos por Kant, sendo a sua explanação prosseguída por célebres e eminentes epistemologistas como K. Popper (corrijam-me se estiver enganado!). Dependendo, creio, da perspectiva pela qual o aferimos, poderemos vislumbrar uma saída para o novelo que tenhamos em mão. Ora, é aqui que o problema gera outro problema porque encontrar uma perspectiva de solução é quase tão difícil como encontrar a própria solução. No entanto, assim que a encontramos (a perspectiva), o objectivo final torna-se muito mais real. Esta é a minha interpretação e creio que foi nisto que Russell se revelou um "Senhor": ele era um Vulgarizador da Filosofia, tornou-a, com os seus raciocínios rápidos, acessível ao "comum dos mortais", reabriu uma nova época de Racionalismo, de Análise da Realidade ao longo de um século, no qual pareceu que as pessoas fizeram demais e pensaram (correctamente) "de menos" e que, também graças a isso, ou não, se encaminha para uma era de obscurantismo tecnológico, ou seja, "não me interessa como funciona, desde que funcione! Alguém há-de saber isso...". Será este o mundo em que queremos viver?
(O maior desafio de um pensador é aferir o problema de forma a que permita uma solução)
B. Russell
Ora aqui está o nosso amigo Bertrand novamente à carga, numa citação encontrada por acaso! Devo dizer que não conheço muito da sua vida mas ouvi há uns tempos coisas que não me agradaram sobre certos pontos de vista seus (dos quais não me recordo)... De qualquer forma, não estou aqui para julgar o homem, simplesmente, quero pensar um pouco sobre esta tirada filosófica...
Todos os problemas, para serem compreendidos como problemas, têm que ser aferidos. Os mecanismos de reconhecimento foram inicialmente descritos por Kant, sendo a sua explanação prosseguída por célebres e eminentes epistemologistas como K. Popper (corrijam-me se estiver enganado!). Dependendo, creio, da perspectiva pela qual o aferimos, poderemos vislumbrar uma saída para o novelo que tenhamos em mão. Ora, é aqui que o problema gera outro problema porque encontrar uma perspectiva de solução é quase tão difícil como encontrar a própria solução. No entanto, assim que a encontramos (a perspectiva), o objectivo final torna-se muito mais real. Esta é a minha interpretação e creio que foi nisto que Russell se revelou um "Senhor": ele era um Vulgarizador da Filosofia, tornou-a, com os seus raciocínios rápidos, acessível ao "comum dos mortais", reabriu uma nova época de Racionalismo, de Análise da Realidade ao longo de um século, no qual pareceu que as pessoas fizeram demais e pensaram (correctamente) "de menos" e que, também graças a isso, ou não, se encaminha para uma era de obscurantismo tecnológico, ou seja, "não me interessa como funciona, desde que funcione! Alguém há-de saber isso...". Será este o mundo em que queremos viver?
12 de março de 2008
Betracht dies Herz und frage mich,
Wer hat die Kron' gebunden,
Von wem sind diese Wunden?
Sie ist von mir und doch für mich.
Sieh, wie es Blut und Wasser wient,
Hör, was die Zähren sagen,
Die letzten Tropfen fragen,
Ob es mit dir nicht redlich meint...
Ergib dich, hartes Herz,
Zerfließ in Reu und Schmerz.
Tradução:
Repara neste Coração e pergunta-me,
Quem entrelaçou esta Coroa,
De quem são estas Feridas?
Fui eu que a fiz e sou eu que a carrego.
Vê, este coração chora Sangue e Água,
Escuta o que dizem as Lágrimas:
As ultimas gotas perguntam
se não és sincero...
Rende-te, Coração duro,
E derrete-te em Remorsos e Dor.
Engelsarie aus Grabmusik - W.A. Mozart, 1767
Wer hat die Kron' gebunden,
Von wem sind diese Wunden?
Sie ist von mir und doch für mich.
Sieh, wie es Blut und Wasser wient,
Hör, was die Zähren sagen,
Die letzten Tropfen fragen,
Ob es mit dir nicht redlich meint...
Ergib dich, hartes Herz,
Zerfließ in Reu und Schmerz.
Tradução:
Repara neste Coração e pergunta-me,
Quem entrelaçou esta Coroa,
De quem são estas Feridas?
Fui eu que a fiz e sou eu que a carrego.
Vê, este coração chora Sangue e Água,
Escuta o que dizem as Lágrimas:
As ultimas gotas perguntam
se não és sincero...
Rende-te, Coração duro,
E derrete-te em Remorsos e Dor.
Engelsarie aus Grabmusik - W.A. Mozart, 1767
11 de março de 2008
Depois dos ultimos posts, altamente musicais, chega a altura de algo completamente diferente...
Queria partir... de um filme. Vi este filme na 6ª feira e o título é "Into the Wild" (O Lado Selvagem, título em Portugal). E, daí partindo, a pergunta que faço é: quantos de nós têm entrado em contacto com o seu lado selvagem? Quantos é que se ligaram aquele lado em que tudo está imaculado, o local em que são realmente livres? É um local assustador? Pode ser (se assim o deixarmos)! E o caminho para lá chegar não é, muitas vezes, fácil. Pelo caminho, muitas barreiras há que nos impedem de lá chegar... muitos caminhos, muitas encruzilhadas... a Dúvida assola-nos, os nossos preconceitos e regras de auto-domínio impedem-nos de chegar ao nosso ponto mais genuíno... As regras da sociedade, nas quais estamos integrados, e as quais nos são incutidas desde a mais tenra idade, viram-se (quantas vezes!) contra nós e desviam-nos... Perdemo-nos! Esse é um Local ao qual convém que retornemos frequentemente. É lá que está a Essência! Quando tudo no mundo falha, eis algo do tamanho do Universo, dentro de nós, que nunca falhará...
Queria partir... de um filme. Vi este filme na 6ª feira e o título é "Into the Wild" (O Lado Selvagem, título em Portugal). E, daí partindo, a pergunta que faço é: quantos de nós têm entrado em contacto com o seu lado selvagem? Quantos é que se ligaram aquele lado em que tudo está imaculado, o local em que são realmente livres? É um local assustador? Pode ser (se assim o deixarmos)! E o caminho para lá chegar não é, muitas vezes, fácil. Pelo caminho, muitas barreiras há que nos impedem de lá chegar... muitos caminhos, muitas encruzilhadas... a Dúvida assola-nos, os nossos preconceitos e regras de auto-domínio impedem-nos de chegar ao nosso ponto mais genuíno... As regras da sociedade, nas quais estamos integrados, e as quais nos são incutidas desde a mais tenra idade, viram-se (quantas vezes!) contra nós e desviam-nos... Perdemo-nos! Esse é um Local ao qual convém que retornemos frequentemente. É lá que está a Essência! Quando tudo no mundo falha, eis algo do tamanho do Universo, dentro de nós, que nunca falhará...
9 de março de 2008
Temptation-
Why won't you leave me alone?
Lurking Every Corner, everywhere I go...
Self Control-
Don't turn your back on me now
When I need you the most...
Constant pressure tests my will
My will or my won't
My Self Control escapes from me still...
Hypocrite-
How could you be so cruel
and expect my faith in return?
Resistance-
Is not as hard as it seems
When you close the door...
I spent so long trusting in you
I trust you forgot
Just when I thought I believed in you...
[Sample is Meryl Streep from the film "Falling In Love".]
"What're you doing?
What're you doing?"
It's time for me to deal
Becoming all too real
living in fear-
Why did you lie and pretend?
This has come to an end
I'll never trust you again
It's time you made your amends
Look in the mirror my friend...
[Sample is Jeremy Irons from the film "Damage".]
"That I haven't behaved as I should"
[Sample is Mary Beth Hurt from the film "Light Sleeper".]
"Everything you need is around you. The only danger is inside you."
[Sample is Jeremy Irons from the film "Damage".]
"I thought you could control life, but it's not like that. There are things you can't control."
Let's stare the problem right in the eye,
It's plagued me from coast to coast...
Racing the clock to please everyone,
All but the one who matters the most...
Reflections of reality
are slowly coming into view...
How in the hell could you possibly forgive me,
After all the hell I put you through?!?
It's time for me to deal,
Becoming all too real,
living in fear-
Why'd I betray my friend?
Lying until the end!
Living life so pretend!
It's time to make my amends,
I'll never hurt you again...
... e é isto, basicamente!...
Why won't you leave me alone?
Lurking Every Corner, everywhere I go...
Self Control-
Don't turn your back on me now
When I need you the most...
Constant pressure tests my will
My will or my won't
My Self Control escapes from me still...
Hypocrite-
How could you be so cruel
and expect my faith in return?
Resistance-
Is not as hard as it seems
When you close the door...
I spent so long trusting in you
I trust you forgot
Just when I thought I believed in you...
[Sample is Meryl Streep from the film "Falling In Love".]
"What're you doing?
What're you doing?"
It's time for me to deal
Becoming all too real
living in fear-
Why did you lie and pretend?
This has come to an end
I'll never trust you again
It's time you made your amends
Look in the mirror my friend...
[Sample is Jeremy Irons from the film "Damage".]
"That I haven't behaved as I should"
[Sample is Mary Beth Hurt from the film "Light Sleeper".]
"Everything you need is around you. The only danger is inside you."
[Sample is Jeremy Irons from the film "Damage".]
"I thought you could control life, but it's not like that. There are things you can't control."
Let's stare the problem right in the eye,
It's plagued me from coast to coast...
Racing the clock to please everyone,
All but the one who matters the most...
Reflections of reality
are slowly coming into view...
How in the hell could you possibly forgive me,
After all the hell I put you through?!?
It's time for me to deal,
Becoming all too real,
living in fear-
Why'd I betray my friend?
Lying until the end!
Living life so pretend!
It's time to make my amends,
I'll never hurt you again...
... e é isto, basicamente!...
6 de março de 2008
Confrontaram-me, ainda há minutos, com o meu passado. E, mais engraçado, com um momento que eu considero muito positivo! Foi muito giro!
O Passado é algo imutável. Coisas boas ou coisas más, ninguém lhes pode mexer. Jamais! Por um lado isso parece cruel (visto que é impossível passarmos pelo mesmo) mas por outro é um alívio porque NÃO temos de passar pelos mesmos momentos maus. De qualquer forma, o Passado parece ter a irritante mania de nos querer "apanhar". E sobretudo, de tentar subverter coisas boas em coisas más, ou más em boas (ou ainda piores). É aí, nesses momentos, creio, que nós vemos o quão forte nós somos, o quanto estamos em paz com aquilo que vivemos. Tudo o que vivi, bom ou mau, sei que teve um propósito, e aquilo que ficou eternizado foi o que eu sentia na altura. Olhando para trás, posso rir-me, posso chorar, posso sentir saudades mas não quer dizer que voltasse a fazer ou evitasse. Já está feito, teve um propósito! Eu escolho viver no Agora. Se isso implicar ser confrontado pelo que disse ou fiz (que tenho a certeza que o fiz com a maior das Verdades), que seja. Há que separar as coisas, a única variável comum ao (meu) Passado e ao Agora, sou eu! E mesmo essa variável, é isso mesmo: uma variável. Mudei, e mudei porque tenho um Passado. Ou seja, sou e não sou o mesmo. Será necessário julgamento e/ou condenação por isso? Podia agora ir pela questão de crimes (mesmo crimes, termo judicial) passados, criminosos que nunca foram julgados e que o deviam ser, mas não é dessa(s) situação(ões) que falo. Falo do nosso passado pessoal, daquele que só a nós diz respeito, sem dano físico pessoal. E mesmo assim, ele tem essa tendência estranha de "pedir contas"... Então, que peça! Mas que se saiba que, ou já paguei, ou estou a pagar...
O Passado é algo imutável. Coisas boas ou coisas más, ninguém lhes pode mexer. Jamais! Por um lado isso parece cruel (visto que é impossível passarmos pelo mesmo) mas por outro é um alívio porque NÃO temos de passar pelos mesmos momentos maus. De qualquer forma, o Passado parece ter a irritante mania de nos querer "apanhar". E sobretudo, de tentar subverter coisas boas em coisas más, ou más em boas (ou ainda piores). É aí, nesses momentos, creio, que nós vemos o quão forte nós somos, o quanto estamos em paz com aquilo que vivemos. Tudo o que vivi, bom ou mau, sei que teve um propósito, e aquilo que ficou eternizado foi o que eu sentia na altura. Olhando para trás, posso rir-me, posso chorar, posso sentir saudades mas não quer dizer que voltasse a fazer ou evitasse. Já está feito, teve um propósito! Eu escolho viver no Agora. Se isso implicar ser confrontado pelo que disse ou fiz (que tenho a certeza que o fiz com a maior das Verdades), que seja. Há que separar as coisas, a única variável comum ao (meu) Passado e ao Agora, sou eu! E mesmo essa variável, é isso mesmo: uma variável. Mudei, e mudei porque tenho um Passado. Ou seja, sou e não sou o mesmo. Será necessário julgamento e/ou condenação por isso? Podia agora ir pela questão de crimes (mesmo crimes, termo judicial) passados, criminosos que nunca foram julgados e que o deviam ser, mas não é dessa(s) situação(ões) que falo. Falo do nosso passado pessoal, daquele que só a nós diz respeito, sem dano físico pessoal. E mesmo assim, ele tem essa tendência estranha de "pedir contas"... Então, que peça! Mas que se saiba que, ou já paguei, ou estou a pagar...
1 de março de 2008
...mas eis que deslizo pelo fino macadame e me dou surpreendido. Aquela sensação típica de alguém que se passeia à beira rio num fim de tarde invade-me... Ninguém o definiu melhor como Cesário...
"Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer. (é mais o contrário, mas pronto, não posso mexer nas rimas...)
...
Batem os carros de aluguer, ao fundo,
Levando à via-férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista, exposições, países:
Madrid, Paris, Berlim, Sampetersburgo, o mundo! [...]"
Lisboa era uma cidade bonita ao fim do dia... A Luz que envolvia a zona ribeirinha era suave como uma cobertura de caramelo quentinho, acabadinho de fazer, e douradito. O cheiro no ar trouxe-me a nostalgia de anos há muito passados e sinto-me pleno de energia e bem-estar... Só me apetecia expandi-la em todas as direcções, que todos sentissem o que sinto!... Olho em meu redor, há sorrisos, há serenidade, há beijos e carinhos, há sorrisos e brincadeiras, conversas de fim de tarde, pequenas sinfonias numa "Opera Universalis" no qual me sinto, simples, figurante... e assim, ouvindo os ultimos acordes da encenação do dia, oiço o cair do pano indigo, sentindo a aturdida preparação para o número da noite...
Hoje, como num dia longínquo, senti-te, Lisboa, a sorrir... Era esse sorriso teu, ou de quem, "alguém", por aí anda?...
"Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer. (é mais o contrário, mas pronto, não posso mexer nas rimas...)
...
Batem os carros de aluguer, ao fundo,
Levando à via-férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista, exposições, países:
Madrid, Paris, Berlim, Sampetersburgo, o mundo! [...]"
Lisboa era uma cidade bonita ao fim do dia... A Luz que envolvia a zona ribeirinha era suave como uma cobertura de caramelo quentinho, acabadinho de fazer, e douradito. O cheiro no ar trouxe-me a nostalgia de anos há muito passados e sinto-me pleno de energia e bem-estar... Só me apetecia expandi-la em todas as direcções, que todos sentissem o que sinto!... Olho em meu redor, há sorrisos, há serenidade, há beijos e carinhos, há sorrisos e brincadeiras, conversas de fim de tarde, pequenas sinfonias numa "Opera Universalis" no qual me sinto, simples, figurante... e assim, ouvindo os ultimos acordes da encenação do dia, oiço o cair do pano indigo, sentindo a aturdida preparação para o número da noite...
Hoje, como num dia longínquo, senti-te, Lisboa, a sorrir... Era esse sorriso teu, ou de quem, "alguém", por aí anda?...
27 de fevereiro de 2008
When I find myself in times of trouble, mother Mary comes to me,
speaking words of wisdom, let it be.
And in my hour of darkness she is standing right in front of me,
speaking words of wisdom, let it be.
Let it be, let it be, let it be, let it be.
Whisper words of wisdom, let it be.
And when the broken hearted people living in the world agree,
there will be an answer, let it be.
For though they may be parted there is still a chance that they will see,
there will be an answer, let it be.
Let it be, let it be, .....
And when the night is cloudy, there is still a light that shines on me,
shine until tomorrow, let it be.
I wake up to the sound of music, mother Mary comes to me,
speaking words of wisdom, let it be.
Let it be, let it be, .....
The Beatles
Ontem vi a retransmissão dos Grammy's deste ano... A certa altura, como é apanágio do espectáculo, apareceu uma versão, que me tocou especialmente, do "Let It Be" dos Beatles, cantada em Gospel. Para mim foi, sem dúvida o momento alto daquela noite... Finalmente um arranjo à altura da musica e da letra!... Questão pendente: quem é a "mother Mary"?
speaking words of wisdom, let it be.
And in my hour of darkness she is standing right in front of me,
speaking words of wisdom, let it be.
Let it be, let it be, let it be, let it be.
Whisper words of wisdom, let it be.
And when the broken hearted people living in the world agree,
there will be an answer, let it be.
For though they may be parted there is still a chance that they will see,
there will be an answer, let it be.
Let it be, let it be, .....
And when the night is cloudy, there is still a light that shines on me,
shine until tomorrow, let it be.
I wake up to the sound of music, mother Mary comes to me,
speaking words of wisdom, let it be.
Let it be, let it be, .....
The Beatles
Ontem vi a retransmissão dos Grammy's deste ano... A certa altura, como é apanágio do espectáculo, apareceu uma versão, que me tocou especialmente, do "Let It Be" dos Beatles, cantada em Gospel. Para mim foi, sem dúvida o momento alto daquela noite... Finalmente um arranjo à altura da musica e da letra!... Questão pendente: quem é a "mother Mary"?
23 de fevereiro de 2008
Muitos poderão perguntar-se porque é que eu ponho tantas letras de músicas num blog que, supostamente, é dedicado ao pensamento sobre as coisas simples (ou não!) como sentimentos que nos podem assolar, de tempos a tempos, em fases da vida, ou que são permanentes... Isto tem dois motivos: o primeiro é por ser absolutamente melómano. Quando ponho qualquer coisa, tenho a irritante mania de imaginar que, a par com a letra, estou a colocar (subliminarmente) a música... é uma pena que nem na vida real eu consiga colocar, transmitir as emoções que sinto ao ouvir uma música com a qual me identifico... seria a perfeita forma de comunicação! Transmitir emoções, inequívocas, entre dois humanos seria maravilhoso.
O segundo motivo, é que as letras, sendo poesia, são o que de melhor consigo encontrar para exprimir o que sinto... Lamento os pobres compositores que aqui cito, por nunca terem imaginado que as suas obras são citadas por motivos tão banais... É poesia de fácil acesso, poesia de "esticar o braço" e já está... não tenho paciência para pegar num livro de conceituada poesia (a não ser nos que já peguei, nos tempos de antanho) e sentir-me identificado com o que se escreve... Normalmente, quando isso eventualmente acontece, há dois tipos de poemas com que me deparo: aqueles que são tão banais e repetitivos que até chateiam, e aqueles que só nas aulas de Português (ou outra língua) podem ser decifrados, de tão críptica é a sua linguagem... Nisso, as letras de músicas têm mais um argumento a favor - o seu factor críptico é facilmente decifrável pelas emoções que a música transmite. No entanto...
No entanto, percebi que as coisas podem não ser assim... Tenho encontrado ultimamente letras que não correspondem ao que a música está a transmitir. Oiço a música antes de perceber o que está a ser cantado e tenho uma impressão que a música será sobre um tema. Procuro então a letra e espanto-me que o que é cantado é quase o oposto do que eu senti pela música. Um exemplo disso é a musica que já aqui postei "The Weed of all Mankind" dos Kaipa. Mas tenho encontrado mais.
A Vida é mudança. A Vida está em mudança. Lembro-me dos tempos em que sentia uma profunda vontade de escrever, ainda não sabendo do quê, e em que as palavras fluíam assim que eu me sentava em frente à folha de papel. Era também o tempo em que conseguía memorizar todas as letras que me apareciam à frente e rara era aquela que não me dissesse algo, ou que não conseguísse aplicar num contexto, ou que não traduzisse ou levantasse uma emoção forte. Com o tempo, tornou-se difícil memorizar mais letras mas, mais ainda, encontrar alguma que me dissesse algo. Comecei, então a interessar-me por álbuns que contassem uma história (os concept albums), já que ao longo de uma história as pessoas passam por muitas emoções e, muitas vezes, as histórias que são contadas são fragmentos das experiências pessoais de quem as escreve... Também isso passou. Compreendo (ou acho que compreendo) que a Vida me diz: está na hora de seres tu a escreveres aquela poesia que, mais que nunca, te tocará - a tua. É aquela a que tu poderás voltar, sempre que quiseres e com a qual te vais identificar sempre... E apesar de já ter escrito qualquer coisa noutros tempos, acho que "esta" há de ser um bocado diferente...
O segundo motivo, é que as letras, sendo poesia, são o que de melhor consigo encontrar para exprimir o que sinto... Lamento os pobres compositores que aqui cito, por nunca terem imaginado que as suas obras são citadas por motivos tão banais... É poesia de fácil acesso, poesia de "esticar o braço" e já está... não tenho paciência para pegar num livro de conceituada poesia (a não ser nos que já peguei, nos tempos de antanho) e sentir-me identificado com o que se escreve... Normalmente, quando isso eventualmente acontece, há dois tipos de poemas com que me deparo: aqueles que são tão banais e repetitivos que até chateiam, e aqueles que só nas aulas de Português (ou outra língua) podem ser decifrados, de tão críptica é a sua linguagem... Nisso, as letras de músicas têm mais um argumento a favor - o seu factor críptico é facilmente decifrável pelas emoções que a música transmite. No entanto...
No entanto, percebi que as coisas podem não ser assim... Tenho encontrado ultimamente letras que não correspondem ao que a música está a transmitir. Oiço a música antes de perceber o que está a ser cantado e tenho uma impressão que a música será sobre um tema. Procuro então a letra e espanto-me que o que é cantado é quase o oposto do que eu senti pela música. Um exemplo disso é a musica que já aqui postei "The Weed of all Mankind" dos Kaipa. Mas tenho encontrado mais.
A Vida é mudança. A Vida está em mudança. Lembro-me dos tempos em que sentia uma profunda vontade de escrever, ainda não sabendo do quê, e em que as palavras fluíam assim que eu me sentava em frente à folha de papel. Era também o tempo em que conseguía memorizar todas as letras que me apareciam à frente e rara era aquela que não me dissesse algo, ou que não conseguísse aplicar num contexto, ou que não traduzisse ou levantasse uma emoção forte. Com o tempo, tornou-se difícil memorizar mais letras mas, mais ainda, encontrar alguma que me dissesse algo. Comecei, então a interessar-me por álbuns que contassem uma história (os concept albums), já que ao longo de uma história as pessoas passam por muitas emoções e, muitas vezes, as histórias que são contadas são fragmentos das experiências pessoais de quem as escreve... Também isso passou. Compreendo (ou acho que compreendo) que a Vida me diz: está na hora de seres tu a escreveres aquela poesia que, mais que nunca, te tocará - a tua. É aquela a que tu poderás voltar, sempre que quiseres e com a qual te vais identificar sempre... E apesar de já ter escrito qualquer coisa noutros tempos, acho que "esta" há de ser um bocado diferente...
14 de fevereiro de 2008
"A sorte, para chegar até mim, tem de passar pelas condições que o meu carácter lhe impõe."
Não sei de quem é esta frase mas sei quem ma mandou (e desde já lhe mando um grande abraço). São frases providenciais que nos aparecem no caminho, nem que seja para me pôr um sorriso na cara (como pôs).
Em primeiro lugar, e depois de algum pensar, subscrevo esta frase. A parte mais estranha aqui é coadunar o conceito de "sorte" com "o meu carácter lhe impõe". A primeira questão é: o que é a sorte? Haverá mesmo sorte? Depende. Se acreditarmos em coincidências, sim, creio que se pode admitir a existência da sorte, já que o conceito de sorte depende do conceito de acaso (que irá dar, obrigatoriamente, à noção de coincidência). Sigamos por este caminho. Para sabermos que algo que nos acontece é uma sorte, tem este acontecimento de ser por nós processado como um acontecimento benéfico, o que depende do nosso carácter e daí a frase fazer todo o sentido.
Outra análise. Independentemente do processo que acabei de referir, suponhamos que existem as condições que criamos para que a sorte aconteça. Daí o célebre dito popular "A sorte somos nós que a fazemos" ou o seu inverso "Quem semeia ventos, colhe tempestades". Novamente, estas condições dependem do nosso carácter, de como nós sentimos as coisas e queremos que elas aconteçam. Se as coisas acontecerem como nós queremos, é uma sorte, claro! Mas aqui perde-se o sentido de acaso que o conceito de sorte implica.
Eu não acredito na sorte. Simplesmente porque não acredito no acaso. No entanto, fico surpreendido com as coisas boas que simplesmente me aparecem no meu caminho e celebro-as. Por vezes não sei reconhecer assim tão bem que são boas, ou exagero no bom que uma situação é, mas isso são contas de outro rosário. Se puder fazer a minha "sorte", faço-a. Se não, sigo a minha Vida, que é só o que tenho de fazer, e depois logo se vê. O que conta, como sempre, é o Agora, já o tinha dito, porque é no Agora que se decidem as coisas e não no Passado (o qual só serve para se tirarem lições) ou no Futuro (que é um bom factor para nos pôr a mexer no Agora, que não existe, onde tudo está por decidir e que, por isso, é errado fiarmo-nos).
Não sei de quem é esta frase mas sei quem ma mandou (e desde já lhe mando um grande abraço). São frases providenciais que nos aparecem no caminho, nem que seja para me pôr um sorriso na cara (como pôs).
Em primeiro lugar, e depois de algum pensar, subscrevo esta frase. A parte mais estranha aqui é coadunar o conceito de "sorte" com "o meu carácter lhe impõe". A primeira questão é: o que é a sorte? Haverá mesmo sorte? Depende. Se acreditarmos em coincidências, sim, creio que se pode admitir a existência da sorte, já que o conceito de sorte depende do conceito de acaso (que irá dar, obrigatoriamente, à noção de coincidência). Sigamos por este caminho. Para sabermos que algo que nos acontece é uma sorte, tem este acontecimento de ser por nós processado como um acontecimento benéfico, o que depende do nosso carácter e daí a frase fazer todo o sentido.
Outra análise. Independentemente do processo que acabei de referir, suponhamos que existem as condições que criamos para que a sorte aconteça. Daí o célebre dito popular "A sorte somos nós que a fazemos" ou o seu inverso "Quem semeia ventos, colhe tempestades". Novamente, estas condições dependem do nosso carácter, de como nós sentimos as coisas e queremos que elas aconteçam. Se as coisas acontecerem como nós queremos, é uma sorte, claro! Mas aqui perde-se o sentido de acaso que o conceito de sorte implica.
Eu não acredito na sorte. Simplesmente porque não acredito no acaso. No entanto, fico surpreendido com as coisas boas que simplesmente me aparecem no meu caminho e celebro-as. Por vezes não sei reconhecer assim tão bem que são boas, ou exagero no bom que uma situação é, mas isso são contas de outro rosário. Se puder fazer a minha "sorte", faço-a. Se não, sigo a minha Vida, que é só o que tenho de fazer, e depois logo se vê. O que conta, como sempre, é o Agora, já o tinha dito, porque é no Agora que se decidem as coisas e não no Passado (o qual só serve para se tirarem lições) ou no Futuro (que é um bom factor para nos pôr a mexer no Agora, que não existe, onde tudo está por decidir e que, por isso, é errado fiarmo-nos).
12 de fevereiro de 2008
Como não me apetece papaguear como costume (não vá eu criar espectativas em quem não devo), ponho simplesmente esta letrinha...
It's getting dark, I hear a voice
It's whispering
I turn around but no one's there
Against my face I sense a breath
I close my eyes, I'm flying
A mellow smell, I taste the air
I realize someone's lying next to me
I feel a hand against my hair, it makes me weak
I'm crying
No one's there to tell you when the moment's coming
You will ever hear when there's a thunder drumming
A tenth of a second, that is all it takes
Everyone says they know how I feel
But I have a wound that won't heal
I see your eyes in every face
You look at me, but I'm afraid to look at you
I'm filled with guilt, I'm filled with grief
It hurts me so, it's painful
I hear your voice in every sound
You talk to me, but I'm too weak to talk to you
They say that time will heal the wound
How do they know? It's my wound!!
No one's there to tell you when the moment's coming
You will ever hear when there's a thunder drumming
A tenth of a second, that is all it takes
Everyone says they know how I feel
But I have a wound that won't heal
Are you there?
I am here
Everywhere
You're in the end
Are you there?
I am here
Everywhere
You're in the end
Life isn't fair, you would taking away far too soon
I have to move on, I've got a wound that won't heal A.C.T. - Silence (2007)
It's getting dark, I hear a voice
It's whispering
I turn around but no one's there
Against my face I sense a breath
I close my eyes, I'm flying
A mellow smell, I taste the air
I realize someone's lying next to me
I feel a hand against my hair, it makes me weak
I'm crying
No one's there to tell you when the moment's coming
You will ever hear when there's a thunder drumming
A tenth of a second, that is all it takes
Everyone says they know how I feel
But I have a wound that won't heal
I see your eyes in every face
You look at me, but I'm afraid to look at you
I'm filled with guilt, I'm filled with grief
It hurts me so, it's painful
I hear your voice in every sound
You talk to me, but I'm too weak to talk to you
They say that time will heal the wound
How do they know? It's my wound!!
No one's there to tell you when the moment's coming
You will ever hear when there's a thunder drumming
A tenth of a second, that is all it takes
Everyone says they know how I feel
But I have a wound that won't heal
Are you there?
I am here
Everywhere
You're in the end
Are you there?
I am here
Everywhere
You're in the end
Life isn't fair, you would taking away far too soon
I have to move on, I've got a wound that won't heal A.C.T. - Silence (2007)
7 de fevereiro de 2008
Hoje estou com a telha. E tirando hoje, tenho andado com a telha. Mas sobretudo hoje, andei especialmente com a telha. Estou a começar a chegar à brilhante conclusão que o mundo não vale a pena o esforço. Lutar é palavra vã. É um mundo onde os egos se degladiam por terem mais peso que o do próximo, onde o bem que é feito não é retribuído nem na mais ínfima atitude de cordialidade. Vão pro diabo que vos carregue!
Mudando de assunto, e falando de algo que vale a pena ser falado (porque proveio de alguém que vale a pena o esforço), chegou-me ás mãos a seguinte frase:
"É um equívoco acreditar que um sistema de pensamento baseado em mentiras é fraco. Nada que tenha sido feito por uma criança de Deus deixa de ter poder. Todas as crenças são reais para aquele que acredita."
À partida esta ideia soa-me perfeitamente lógica mas é necessário analisar cada uma das afirmações que a compõe.
1ª parte - "É um equívoco acreditar que um sistema de pensamento baseado em mentiras é fraco." A nossa sociedade é baseada num sistema de mentiras. Todos sabemos isto. É ela fraca? Como a sociedade se tornou num lugar demasiado grande para verificarmos que, noutro ponto, ocorreu efectivamente algo, confiamos nos meios que nos veiculam a informação. Tirando no mundo científico, não creio que haja outro meio em que se verificam as fontes. Mesmo qualquer imagem que nos apareça no televisão pode ser editada de modo a ajustar-se aos interesses que estão por detrás de quem dá a notícia. Creio que foi assim que se passou no 11 de Set, em que mostraram imagens do povo palestiniano a festejar, notícia prontamente desmentida pelos próprios, afirmando que as imagens mostradas já eram antigas. É uma questão de credibilidade de quem nos fornece a informação. Politicamente é a mesma coisa: o sistema foi montado tendo em conta uma representatividade de proximidade mas, com o tempo, essa proximidade desvaneceu-se, substituiu-se pela representatividade do partido e, consequentemente, a representatividade dos seus interesses. Tendo em conta que um partido é sempre uma organização um pouco (ou um muito) obscura, não creio que seja um bom augúrio termos pessoas a defender interesses que não fossem os nossos. Conclusão logica: se o fundamento inicial e fundamental se perdeu (já não é verdade), então o sistema é uma mentira. Em termos de sistema de pensamento (lógico ou metafísico) a coisa já pia de outra forma. Envolve um dado importante: fé e a fé, como sabemos, é cega. Num sistema de pensamento temos sempre uma boa parte que é intangível, logo, fica ao nosso critério acreditarmos ou não que seja verdade, mesmo sem provas cabais. E o contrário está também correcto, visto que a mentira é também inverificável. Portanto, em termos absolutos, é viável haver um sistema de pensamento baseado em mentiras. É na inverificabilidade, na intangibilidade que reside a força do sistema.
2ª parte - "Nada que tenha sido feito por uma criança de Deus deixa de ter poder." O que é uma criança de Deus? Fazendo prova de fé, creio que somos todos crianças/filhos de Deus e, como tal, teremos tyodo o poder que Ele nos dá para realizarmos o que tivermos a realizar. Mas ponho-me agora no outro lado da barricada: e se não formos filhos de Deus, mas do acaso? Que poder nos é concedido? Sentimos em nós que temos um poder qualquer mas quem no-lo terá dado? A própria condição humana? A condição de sermos livres, de termos uma vontade? O Poder é independente, por esta ordem de ideias, de sermos crianças de Deus ou não. Independentemente do sistema de pensamento que utilizarmos ser mentira ou não, o poder intrínseco que temos garante que tornemos a matéria da nossa fé real e consistente (não usaria aqui a palavra forte ou fraca).
3ª parte - "Todas as crenças são reais para aquele que acredita." É a integração das duas anteriores! A crença em algo, baseado na fé, tornada realidade pela nossa vontade e poder de o tornar real, ou seja, verificando que existe sobreposição do imaterial, do intuído pela fé, com o que os seus sentidos captam e mente processa (numa palavra, o real) transporta sensivelmente o intuído para a realidade, transmite-lhe força de realidade. Integrando isto com a 1ª parte, não podendo verificar a veracidade concreta do que intui, mesmo que seja mentira, passa a ser real. Não confundir aqui real com verdadeiro, ou lógico com verdadeiro, ou lógico com real. São três conceitos distintos. O verdadeiro pode não ser lógico ou real, o real pode não ser verdadeiro (como só uma mentira o sabe ser) ou lógico e o lógico pode não ser verdadeiro (através de raciocínios distorcidos) ou real (no fundo, uma utopia).
Eu tenho crenças. Para mim são verdadeiras, são reais e têm força. Não as enfio pela garganta abaixo de outros, são para consumo próprio. Um dia alguém poderá mostrar que acredito numa mentira e aí todo o sistema desabará. Tudo bem. Mas faz parte da condição humana acreditarmos em algo superior a nós mesmos, nem que seja no nosso próprio potencial, na nossa existência. Até os nihilistas acreditavam em algo que no fundo era um não-algo: o nada. Admiravam-lhe a infinitude e o facto de nos/tudo transcender, de ele provir e a ele voltar. Mas sempre acreditavam em qualquer coisa. Bom pra eles!
Mudando de assunto, e falando de algo que vale a pena ser falado (porque proveio de alguém que vale a pena o esforço), chegou-me ás mãos a seguinte frase:
"É um equívoco acreditar que um sistema de pensamento baseado em mentiras é fraco. Nada que tenha sido feito por uma criança de Deus deixa de ter poder. Todas as crenças são reais para aquele que acredita."
À partida esta ideia soa-me perfeitamente lógica mas é necessário analisar cada uma das afirmações que a compõe.
1ª parte - "É um equívoco acreditar que um sistema de pensamento baseado em mentiras é fraco." A nossa sociedade é baseada num sistema de mentiras. Todos sabemos isto. É ela fraca? Como a sociedade se tornou num lugar demasiado grande para verificarmos que, noutro ponto, ocorreu efectivamente algo, confiamos nos meios que nos veiculam a informação. Tirando no mundo científico, não creio que haja outro meio em que se verificam as fontes. Mesmo qualquer imagem que nos apareça no televisão pode ser editada de modo a ajustar-se aos interesses que estão por detrás de quem dá a notícia. Creio que foi assim que se passou no 11 de Set, em que mostraram imagens do povo palestiniano a festejar, notícia prontamente desmentida pelos próprios, afirmando que as imagens mostradas já eram antigas. É uma questão de credibilidade de quem nos fornece a informação. Politicamente é a mesma coisa: o sistema foi montado tendo em conta uma representatividade de proximidade mas, com o tempo, essa proximidade desvaneceu-se, substituiu-se pela representatividade do partido e, consequentemente, a representatividade dos seus interesses. Tendo em conta que um partido é sempre uma organização um pouco (ou um muito) obscura, não creio que seja um bom augúrio termos pessoas a defender interesses que não fossem os nossos. Conclusão logica: se o fundamento inicial e fundamental se perdeu (já não é verdade), então o sistema é uma mentira. Em termos de sistema de pensamento (lógico ou metafísico) a coisa já pia de outra forma. Envolve um dado importante: fé e a fé, como sabemos, é cega. Num sistema de pensamento temos sempre uma boa parte que é intangível, logo, fica ao nosso critério acreditarmos ou não que seja verdade, mesmo sem provas cabais. E o contrário está também correcto, visto que a mentira é também inverificável. Portanto, em termos absolutos, é viável haver um sistema de pensamento baseado em mentiras. É na inverificabilidade, na intangibilidade que reside a força do sistema.
2ª parte - "Nada que tenha sido feito por uma criança de Deus deixa de ter poder." O que é uma criança de Deus? Fazendo prova de fé, creio que somos todos crianças/filhos de Deus e, como tal, teremos tyodo o poder que Ele nos dá para realizarmos o que tivermos a realizar. Mas ponho-me agora no outro lado da barricada: e se não formos filhos de Deus, mas do acaso? Que poder nos é concedido? Sentimos em nós que temos um poder qualquer mas quem no-lo terá dado? A própria condição humana? A condição de sermos livres, de termos uma vontade? O Poder é independente, por esta ordem de ideias, de sermos crianças de Deus ou não. Independentemente do sistema de pensamento que utilizarmos ser mentira ou não, o poder intrínseco que temos garante que tornemos a matéria da nossa fé real e consistente (não usaria aqui a palavra forte ou fraca).
3ª parte - "Todas as crenças são reais para aquele que acredita." É a integração das duas anteriores! A crença em algo, baseado na fé, tornada realidade pela nossa vontade e poder de o tornar real, ou seja, verificando que existe sobreposição do imaterial, do intuído pela fé, com o que os seus sentidos captam e mente processa (numa palavra, o real) transporta sensivelmente o intuído para a realidade, transmite-lhe força de realidade. Integrando isto com a 1ª parte, não podendo verificar a veracidade concreta do que intui, mesmo que seja mentira, passa a ser real. Não confundir aqui real com verdadeiro, ou lógico com verdadeiro, ou lógico com real. São três conceitos distintos. O verdadeiro pode não ser lógico ou real, o real pode não ser verdadeiro (como só uma mentira o sabe ser) ou lógico e o lógico pode não ser verdadeiro (através de raciocínios distorcidos) ou real (no fundo, uma utopia).
Eu tenho crenças. Para mim são verdadeiras, são reais e têm força. Não as enfio pela garganta abaixo de outros, são para consumo próprio. Um dia alguém poderá mostrar que acredito numa mentira e aí todo o sistema desabará. Tudo bem. Mas faz parte da condição humana acreditarmos em algo superior a nós mesmos, nem que seja no nosso próprio potencial, na nossa existência. Até os nihilistas acreditavam em algo que no fundo era um não-algo: o nada. Admiravam-lhe a infinitude e o facto de nos/tudo transcender, de ele provir e a ele voltar. Mas sempre acreditavam em qualquer coisa. Bom pra eles!
4 de fevereiro de 2008
Alguém me disse há pouco que, comparando a minha escrita de ultimamente com a de antigamente (quanto antigamente não o sei, mas deduzi que é um antigamente antiguinho), que perdi um bocado da alegria ao escrever... citando (e nao fiques zangada por isso) "parece que quando escrevias na altura não havia uma sombra qualquer sobre ti que há agora...". É normal. A Vida é um processo complexo e, quando uma pessoa é processada, é normal que vá perdendo um pouco da inocência pelo caminho. É assim que eu interpreto ou justifico as palavras desta minha amiga. Acabei por lhe explicar mais propriamente quais as partes do processo responsável por esta perda de inocência, longos e complexos demais para que os explique aqui. A meu ver, creio serem uma mistura de sonhos perdidos, realidades adquiridas e uma estranha sensação de "daqui para onde vou eu?", substancialmente diferente de estar perdido; é uma sensação de estar a fazer o próprio caminho, a própria estrada e percorrê-la. E esta é uma sensação terrível, no sentido de "adamastora", saber que está tudo nas nossas mãos. Muitos sentir-se-iam felizes com esta "dádiva", o poder de fazer o caminho e de o trilhar, mas questão essencial (e não andei a ver Homem-Aranha a mais) é que com maior poder vem maior responsabilidade. E é essa responsabilidade que assusta. Pessoas há que sabem o que eu quero dizer com isto, elas próprias parte desta responsabilidade. Por isso, não me venham com a história de "tens é medo de fazer qualquer coisa com a tua vida" porque se há coisa que não tenho é isso, levantando-me todos os dias para tentar mandar o show para a frente, como grande parte das pessoas. Se podia fazer mais? Se calhar podia, podia meter-me no primeiro avião para África e ir lá ajudar quem precisa (e são tantos...), podia meter-me noutro avião e ir para um país com um nível de vida melhor que este mas nenhum destes é o meu caminho. Não são a minha "cena". Também ainda estou a tentar perceber mais propriamente qual é a minha "cena" mas vou começando a vislumbrar. O que não é o mesmo que vislumbrar o caminho.
26 de janeiro de 2008
Et voilá! Finalmente, após horas de experimentação informática em HTML, aqui está o novo rosto aqui do espaço (os autores estão no rodapé). O modelo que escolhi está optimizado para o Explorer e não tanto para o Firefox, no qual o titulo e o link superior (para uma página de citações - não me lembrei de melhor mas estou aberto a sugestões!) podem aparecer desformatados. Posto isto, só me resta assegurar que tentarei que a "conversa" continuará a ser o mais estimulante ou interessante possível, como tenho tentado desde os idos de 2004 (tarefa hercúlea!). Espero que gostem! :)
23 de janeiro de 2008
Et ressurrexit tertia die...
- Mas porque é que acabaste com aquilo?...
- É pá, eu achava que aquilo já tinha perdido o sentido inicial, basta ler os posts do inicio... Sabes que nos últimos tempos muitas coisas têm perdido o sentido para mim... o blog foi mais uma coisa delas...
- Tudo bem, mas as pessoas gostavam, de o ler. Paras assim com o blog, sem mais nem menos, as pessoas vão achar que não tens consideração por elas.
- Tens razão. Mas garanto-te que tenho a maior das considerações por elas. Afinal são elas que dão sentido a um blog... se bem que até nisso as coisas mudaram porque originalmente nem estava à espera que alguém lesse o que eu tinha para escrever... foi mesmo porque me apetecia mandar o isco e deitar-me à sombra da arvore a repousar... se mordesse, mordeu!... Por acaso agora no final até estavam a morder relativamente bem! (risos)
- Ok, mas vê lá isso... Acho que se calhar te precipitaste... não tens saudades de escrever lá?
- É claro que sim, aliás eu próprio ainda lá vou de vez em quando ver o que escrevi de outras vezes, levantar o bolor dos arquivos... Por outro lado, eu agora tenho outro local (físico) onde posso escrever e estou a entusiasmar-me por isso... Sabes onde é que da outra vez escrevi?
- Não
- Na Peninha! Digo-te, é brutal! Se pudesse mexer a caneta com o pensamento, ou só sustentá-la no ar, garanto que ela escrevia sozinha...
- Lá estás tu a exagerar... aquilo até é bonito mas... olha, tu é que sabes o que te inspira... tu e cada um...
- Pois, e também foi por um bocado de falta de inspiração que eu fechei aquilo. Ás vezes até queria escrever qualquer coisa e não tinha ponta de ideia sobre que escrever... e tu sabes que eu adoro escrever imenso, textos longos. Escrevia lá meia dúzia de linhas e não conseguia escrever mais! Era frustrante! Além disso, comecei a ver que acabava por escrever sempre sobre a mesma coisa... sentia que me estava a repetir... isso é que eu sentia que era uma ofensa a quem se dava ao trabalho de ler o que eu escrevia...
- Olha, eu não achei isso. Fiquei mais ofendido por teres dito que terminaste o blog.
- Mas era assim tão bom, gostavas assim tanto?
- Bem, não era nenhum romance do Lobo Antunes mas lia-se bem... era diferente...
- Então olha, não sei... vou pensar no assunto..."
E pensei. Pensei no prazer que tinha em partilhar muitas das coisas convosco, para que pudessem saber como é que outra pessoa sente e vê a vida, talvez para se aperceberem que existem mais pessoas que se angustiam com o que vocês se angustiam, que têm as mesmas frustrações mas que, tal como vocês, não desistem e vão à luta. Porque a Vida é uma luta. A Vida dá trabalho e, talvez por isso, é que ela não é nada fácil por vezes. Custa levantar do chão? Custa! mas tem de ser... Custa engolir sapos? levar um estalo e não dizer nada? sermos insultados e não responder? sofrermos injustiças e não poder corrigir? aturar o mau feitio e ignorância dos outros? sofrermos desilusões dia sim dia sim? dizerem-nos que não e afinal, com boa vontade até se diria que "sim" mas não estão para isso? não ter as vontadinhas satisfeitas? Acordem meus queridos, a Vida é isto e muito mais... muitíssimo mais... é a busca pelo que está certo, pelo que se tem mesmo que fazer, a busca do "sonho", é transcendermo-nos mais do que aquilo que julgamos possível, é sermos herois cada minuto, a cada respirar e cada pulsação por enfrentarmos cada dia com uma coragem que não se sabe de onde é que vem mas que nos impele a continuar... porque tem de ser... mas o "porque tem de ser" tem motivos que a razão desconhece e aí somos impelidos para as palavras do poeta e lembramo-nos do coração e percebemos que o "tem de ser" está gravado a letras de Amor no nosso coração... acordarmos de manhã e descobrir um motivo diferente do "tem de ser" dá-nos energia renovada e entusiasmo para abrir os olhos e rirmo-nos para o sol... Aconteceu-me isso ontem!... senti-me muito bem e senti uma atmosfera, um ambiente tão parecido com o que senti há uns bons anos atrás que dei por mim a sorrir muito... Nestes dias conturbados dou por mim a sorrir muitas vezes... mas também dou por mim a querer chorar muitas vezes... é conforme o que a vida me oferece e eu aceito, devoro-a em dentadas suculentas e peço ainda mais! Saboreio cada emoção, cada sorriso, cada lágrima, cada "pequeno ódio de estimação", cada gargalhada, cada pensamento que me ocorre fora do comum, cada sonho, cada pesadelo... Mas não pensem que sou mais ou menos do que vocês! Vocês também são assim ou, se não são, têm o potencial para o ser! Pois somos Humanos, Únicos e é nossa a Vida...
Não me canso de o repetir e vou continuar a fazê-lo até que nunca mais ninguém leia isto... numa resposta aos comentários que me fizeram tinha dito que dei a minha palavra como não ia continuar com o blog... Pois bem, que a desonra caia sobre mim por não ter mantido a minha palavra nisto (situação raríssima) mas sou Humano e também erro (não me servindo disto como desculpa) e por isso aqui estou... O sentido original não é o mesmo? Paciência, a Vida também não é sempre a mesma coisa! O giro é escrever sobre ela e ver ao longo do tempo como é que ela mudou. Não prometo actualizações frequentes mas prometo que cada vez que encontrar algo de útil e diferente para partilhar que o farei... esse é o meu compromisso de Honra e este cumpri-lo-ei porque o meu coração está aí também... como li por aí, "enquanto houver um que venha ler, vale a pena continuar a escrever..."... e assim será...
- É pá, eu achava que aquilo já tinha perdido o sentido inicial, basta ler os posts do inicio... Sabes que nos últimos tempos muitas coisas têm perdido o sentido para mim... o blog foi mais uma coisa delas...
- Tudo bem, mas as pessoas gostavam, de o ler. Paras assim com o blog, sem mais nem menos, as pessoas vão achar que não tens consideração por elas.
- Tens razão. Mas garanto-te que tenho a maior das considerações por elas. Afinal são elas que dão sentido a um blog... se bem que até nisso as coisas mudaram porque originalmente nem estava à espera que alguém lesse o que eu tinha para escrever... foi mesmo porque me apetecia mandar o isco e deitar-me à sombra da arvore a repousar... se mordesse, mordeu!... Por acaso agora no final até estavam a morder relativamente bem! (risos)
- Ok, mas vê lá isso... Acho que se calhar te precipitaste... não tens saudades de escrever lá?
- É claro que sim, aliás eu próprio ainda lá vou de vez em quando ver o que escrevi de outras vezes, levantar o bolor dos arquivos... Por outro lado, eu agora tenho outro local (físico) onde posso escrever e estou a entusiasmar-me por isso... Sabes onde é que da outra vez escrevi?
- Não
- Na Peninha! Digo-te, é brutal! Se pudesse mexer a caneta com o pensamento, ou só sustentá-la no ar, garanto que ela escrevia sozinha...
- Lá estás tu a exagerar... aquilo até é bonito mas... olha, tu é que sabes o que te inspira... tu e cada um...
- Pois, e também foi por um bocado de falta de inspiração que eu fechei aquilo. Ás vezes até queria escrever qualquer coisa e não tinha ponta de ideia sobre que escrever... e tu sabes que eu adoro escrever imenso, textos longos. Escrevia lá meia dúzia de linhas e não conseguia escrever mais! Era frustrante! Além disso, comecei a ver que acabava por escrever sempre sobre a mesma coisa... sentia que me estava a repetir... isso é que eu sentia que era uma ofensa a quem se dava ao trabalho de ler o que eu escrevia...
- Olha, eu não achei isso. Fiquei mais ofendido por teres dito que terminaste o blog.
- Mas era assim tão bom, gostavas assim tanto?
- Bem, não era nenhum romance do Lobo Antunes mas lia-se bem... era diferente...
- Então olha, não sei... vou pensar no assunto..."
E pensei. Pensei no prazer que tinha em partilhar muitas das coisas convosco, para que pudessem saber como é que outra pessoa sente e vê a vida, talvez para se aperceberem que existem mais pessoas que se angustiam com o que vocês se angustiam, que têm as mesmas frustrações mas que, tal como vocês, não desistem e vão à luta. Porque a Vida é uma luta. A Vida dá trabalho e, talvez por isso, é que ela não é nada fácil por vezes. Custa levantar do chão? Custa! mas tem de ser... Custa engolir sapos? levar um estalo e não dizer nada? sermos insultados e não responder? sofrermos injustiças e não poder corrigir? aturar o mau feitio e ignorância dos outros? sofrermos desilusões dia sim dia sim? dizerem-nos que não e afinal, com boa vontade até se diria que "sim" mas não estão para isso? não ter as vontadinhas satisfeitas? Acordem meus queridos, a Vida é isto e muito mais... muitíssimo mais... é a busca pelo que está certo, pelo que se tem mesmo que fazer, a busca do "sonho", é transcendermo-nos mais do que aquilo que julgamos possível, é sermos herois cada minuto, a cada respirar e cada pulsação por enfrentarmos cada dia com uma coragem que não se sabe de onde é que vem mas que nos impele a continuar... porque tem de ser... mas o "porque tem de ser" tem motivos que a razão desconhece e aí somos impelidos para as palavras do poeta e lembramo-nos do coração e percebemos que o "tem de ser" está gravado a letras de Amor no nosso coração... acordarmos de manhã e descobrir um motivo diferente do "tem de ser" dá-nos energia renovada e entusiasmo para abrir os olhos e rirmo-nos para o sol... Aconteceu-me isso ontem!... senti-me muito bem e senti uma atmosfera, um ambiente tão parecido com o que senti há uns bons anos atrás que dei por mim a sorrir muito... Nestes dias conturbados dou por mim a sorrir muitas vezes... mas também dou por mim a querer chorar muitas vezes... é conforme o que a vida me oferece e eu aceito, devoro-a em dentadas suculentas e peço ainda mais! Saboreio cada emoção, cada sorriso, cada lágrima, cada "pequeno ódio de estimação", cada gargalhada, cada pensamento que me ocorre fora do comum, cada sonho, cada pesadelo... Mas não pensem que sou mais ou menos do que vocês! Vocês também são assim ou, se não são, têm o potencial para o ser! Pois somos Humanos, Únicos e é nossa a Vida...
Não me canso de o repetir e vou continuar a fazê-lo até que nunca mais ninguém leia isto... numa resposta aos comentários que me fizeram tinha dito que dei a minha palavra como não ia continuar com o blog... Pois bem, que a desonra caia sobre mim por não ter mantido a minha palavra nisto (situação raríssima) mas sou Humano e também erro (não me servindo disto como desculpa) e por isso aqui estou... O sentido original não é o mesmo? Paciência, a Vida também não é sempre a mesma coisa! O giro é escrever sobre ela e ver ao longo do tempo como é que ela mudou. Não prometo actualizações frequentes mas prometo que cada vez que encontrar algo de útil e diferente para partilhar que o farei... esse é o meu compromisso de Honra e este cumpri-lo-ei porque o meu coração está aí também... como li por aí, "enquanto houver um que venha ler, vale a pena continuar a escrever..."... e assim será...
7 de janeiro de 2008
Ladies and Gentlemen, last but (never) not least...
Morreu ontem o Homem... Luiz Pacheco (do qual aqui reproduzi um excerto de um texto seu), faleceu ontem com 82 anos de uma vida em pleno e com ainda muito para nos dar... e chocar (como era seu hábito) as mentes mais fechadas deste país, aquelas que aceitam o pó em cima da mesa e, sobretudo, das mentes... se puderem, aconselho, tentem encontrar obras suas. Não vão dar esse tempo por perdido.
Foi este o meu conselho neste que foi o 1º post de 2008. E o último. De sempre. De hoje em diante, este blog fechou as portas. Não por Luiz Pacheco (convém dizer), mas por mim. A razão deste blog deixou de existir há algum tempo (vinha eu a reparar) e acho que a blogosfera vai agradecer. O site manter-se-á activo por mais uns meses (max. um ano) mas depois encerrá-lo-ei de vez. Para qualquer assunto, aqui fica o e-mail: lux.elementum@gmail.com . Foram 3 anos e uns meses em que ficaram patentes momentos muito importantes da minha vida, em que conheci, através do blog, pessoas extraordinárias, se debateram por vezes ideias...em suma, uma óptima experiência!
A todos os que leram, muito obrigado e bem hajam! E sim, enquanto houver vida, estes serão sempre dias conturbados...
Foi este o meu conselho neste que foi o 1º post de 2008. E o último. De sempre. De hoje em diante, este blog fechou as portas. Não por Luiz Pacheco (convém dizer), mas por mim. A razão deste blog deixou de existir há algum tempo (vinha eu a reparar) e acho que a blogosfera vai agradecer. O site manter-se-á activo por mais uns meses (max. um ano) mas depois encerrá-lo-ei de vez. Para qualquer assunto, aqui fica o e-mail: lux.elementum@gmail.com . Foram 3 anos e uns meses em que ficaram patentes momentos muito importantes da minha vida, em que conheci, através do blog, pessoas extraordinárias, se debateram por vezes ideias...em suma, uma óptima experiência!
A todos os que leram, muito obrigado e bem hajam! E sim, enquanto houver vida, estes serão sempre dias conturbados...
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