9 de julho de 2009
8 de julho de 2009
David Shore, House M.D., Three Stories, 2004
Would they lie for their lives?...
7 de julho de 2009
“We confess our little faults to persuade people that we have no large ones.”
François de la Rochefoucauld
“People lie.”
Gregory House, M.D. (interpretado por Hugh Laurie)
Não é fácil ser autor de máximas. É preciso, quanto a mim, ter um olho atento, quase clínico e saber conjugar com um talento inato para a construção quase épica de frases que perdurem no imaginário.
Da observação atenta das pessoas e, mais ainda, do Ser Humano, tentando perceber as suas forças e fraquezas, conseguem retirar-se válidas conclusões que, por si só, já nos levariam imenso tempo a emendar, se disso tivessemos mesmo intenção. Mas quem quer emendar realmente as suas falhas? E, antes do mais, quem quer realmente enfrentar as suas falhas, os seus problemas, a sua natureza humana? É tão mais facil olhar para o lado e deixar as coisas passar, iludindo o próximo com jogos de luzes e movimentos, na secreta esperança que ninguém note e, assim consigamos manter a cara e a respeitabilidade.
“Shadows and dust, Maximus!”
Proximo (interpertado por Oliver Reed, no filme Gladiator)
Mas nunca se esqueçam que “a verdade é como o azeite: vem sempre ao de cima” e que até se pode enganar poucas pessoas por muito tempo, ou muitas pessoas por pouco tempo, mas nunca muitas pessoas por muito tempo. Só há uma solução, sem anti-piréticos, sem analgésicos: enfrentar-se, consciencializarmo-nos do que está mal e meter mãos à obra. Se é fácil? Não, não é. As coisas podem ter (e com certeza que terão!) raízes mais profundas que aquelas que poderiamos pensar e pelo caminho encontram-se coisas nada bonitas que é preciso enfrentar com a coragem do melhor guerreiro que alguma pisou este mundo.
Mas já imaginaram como seria a Vida se emendassemos todas as nossas falhas? Já imaginaram a bagagem que teríamos se tivessemos atirado tudo pela janela fora, restando apenas o essencial? Não acham que todo o combate que possamos fazer nesse sentido é um combate válido, como poucos o serão? E não, não nos estamos a combater a nós mesmos, porque este combate é feito com Amor (não o Amor que eu refuto num post algures abaixo, mas o outro que eu disse que era outra conversa – o Amor Universal). Estamos, isso sim, a lutar contra a Escuridão que nos atormenta, aquela que forma as Sombras mais escuras, que vive nas nossas falhas, que se alimenta dos nossos “podres”, que bebe das nossas lágrimas, que baila por entre os nossos pesadelos, que se alegra com as nossas mentiras e que se revela quando menos esperamos. Só se pode combater a escuridão com Luz, só se pode matar o Medo com Coragem e Pura Intenção. “Mas onde está a Luz? Onde é que a tenho?”, perguntam. É tão fácil!... Está no mais intimo de cada um de nós. Mostra-se no gesto carinhoso que temos com quem precisa, na coragem em enfrentar as situações desagradáveis, na força em prosseguir quando mais nada nos sustenta e o último fôlego quer sair dos nossos pulmões. Sim, está nos nossos Corações, está onde e quando nos sentimos genuinamente Nós, em todo o nosso esplendor, com os corações a arder por saber que estamos a fazer o que é Correcto. E assim que Ela brilha em Nós, todas as mentiras se desvanecem, todos os medos soçobram, só a Vida e aquilo que Somos em Essência permanece. Experimentem...
6 de julho de 2009
Um dia vi-te passar, estava eu desprevenido. Devias ter-me avisado, apanhaste-me de cabeça para baixo, a olhar para os pés, em busca de qualquer coisa que me escapava à vista. Já nem me lembro do que era. Como que num vislumbre, apanhei-te pelo canto do olho, já de fugida... Dobravas a esquina movimentada e quase que te perdia. Mas quis algo que acabassemos por ter o mesmo destino e naturalmente acabei por te reencontrar num qualquer café onde parámos.
Sentavas-te à mesa e lias, encantadoramente, de gesto plácido, uma dessas quaisquer revistas de trivialidades, boas para passar o tempo e deixar morrer neurónios de tédio. Pelo jeito como subitamente abanaste a cabeça, impaciente, não tardava até que fechasses a revista. Impetuosa. Pediste um café, uma água das pedras e olhaste para o relógio. Atrasada. O dia estava meio encoberto, mas isso não impedia que o calor se fizesse sentir como se estivessemos nos trópicos.
Tive de sair, o tempo urgia. Saindo, ouvi alguem gritar um nome e vi-te virar. Sabia agora o teu nome e podia associá-lo ao teu passo leve e decidido, ao teu gesto descuidado pela vida, ao olhar seguro e malandro, à sensação que transmitias que sabias perfeitamente o que vinhas cá fazer e como o irias fazer. Sem dúvidas. O teu nome sabia a mil Verões de sabores, a mil aventuras pelo mundo fora, a noites que só na imaginação dos mais indomáveis se podiam conceber e saboreei-o à medida que calcorreava as ruas batidas dessa cidade em fim de dia. Nesses pequenos encantos que a cidade nos reserva, continuei à procura de novas arestas onde prender o meu olhar, pontos de atracção do espírito a transportar-me para outras paragens, outras vidas, outros ritmos que não o costumeiro, entediante e acelerado dia-a-dia onde me perco vezes sem conta...
...ora agora tenho de ir...?...
Transmutaste o meu passeio num passeio de memória fugaz. A cada esquina, em cada pessoa que aí se encontrava, recordava esse breve encontro e procurava nos seus olhos a mesma expressão, a mesma vida que vi nos teus. “Não sejas parvo, foi só uma moça gira que viste, como ela há muitas.”, dizia eu, abstraindo-me para mais uma viela de encantos escondida. Nas janelas, pessoas de idade observavam-me como se adivinhando os meus pensamentos, emitindo um juizo cru: “De que andas tu à procura?”.
Não o sei. Acho que já o soube, um dia, onde há muito tempo só haviam certezas e coisas doces na vida. Agora também as há mas são diferentes. O doce mudou, o salgado também. Têm um pouco de amargo e de ácido até, mas isso até lhes dá outro encanto, dá-lhes vida renovada, uma realidade realçada quase que a 3D que nos transporta para o local onde a primeira vez o saboreámos, nunca deixando de ser o que sou. E, como qualquer outra pessoa, eu sou a soma de todas as coisas que vivi, e de todas as coisas que ainda irei viver, convergindo num único e fugaz instante que continuamente quero apanhar para poder saborear a fundo. Como esta cidade onde passeio, feita de edificios, arruamentos e jardins, que não sabe onde começa e onde acaba, de faces escuras e faces luminosas, de rugas e superficies planas e que me trouxe à memória um vislumbre teu, que é tanto o que eu sou, quanto esta rua que piso e que me levará até casa.
4 de julho de 2009
Uma das perguntas mais feitas pela Humanidade é: “O que é o Amor?”. E, por acaso (mas só por acaso), também eu, ao longo dos tempos, tenho feito essa pergunta. É uma pergunta que eu enquadro na classe “Tricky”. Não há uma resposta fácil, imediata ou, até quem sabe, definitiva.
Hoje, estava eu num dos meus passeios, cheguei a esta conclusão que anteriormente me deixava irritado: o Amor está sobre-estimado. Atrevo-me mesmo a dizer, que o Amor é uma ilusão, uma farsa. É isso. É uma farsa. Tal como as velhas farsas do tempo do Mestre Gil Vicente, existe um enredo, um cenário e personalidades diferentes que, por serem o que são, têm maior ou menor tendência para criar em si certas expectativas e imagens perante determinados estímulos. O encontrar alguém que nos agrada é um desses acontecimentos que despoleta espectativas e tudo o que construimos na nossa mente depende, essencialmente, daquilo que somos. Por tudo isso, o Amor é uma farsa, pura ilusão. E, como ilusão que é, tem a tendencia a, um dia, desvanecer-se em fumo. PUF! O tempo encarrega-se disso. Porque as mesmas caracteristicas das pessoas que levaram a que criassem essas ilusões, são os maiores obstaculos a que isso se venha a realizar: porque são essencialmente diferentes! Isso traz sempre conflito, sempre trará. Ora, se o Amor é uma coisa assim tão essencial, tão fenomenal, porque é traz tanta coisa má, tanto conflito? O Bem só pode gerar coisas boas, nunca coisas más. Por isso, do alto da minha sabedoria (que é minha e ninguém ma tira), junto a minha voz às incontaveis outras por esse mundo fora: Love is overrated!
P.S. – O Amor Universal é outra historia... sublinhe-se!
3 de julho de 2009
A Vida também é feita de ciclos. Há ciclos para tudo, desde os ritmos circadianos da nossa biologia, passando pelos ciclos de ensino até ao hemiciclo da Assembleia (quem sabe, se fossem um ciclo completo, se não seriam mais competentes?...). São precisos dois pressupostos para que algo seja considerado um ciclo: que hajam, pelo menos, duas fases bem distintas, e que elas se alternem com um determinado periodo (ou ritmo... é como quiserem). Ora, aqui está o busílis da questão: é que havendo pelo menos duas fases distintas, e como o espírito humano nunca deixa de opinar o seu gosto por tudo o que lhe acontece, haverá sempre uma melhor que a outra. Ou seja, estando integrados num ciclo é natural que nos sintamos melhor uma altura, e pior noutra. Perfeitamente normal. O problema reside agora no tipo de ciclo. Porque existem os ciclos virtuosos e os ciclos viciosos e isto é chato. É chato porque à partida obriga á aplicação de uma 3ª dimensão: para cima ou para baixo. São, de qualquer forma, uma espiral.
Observo à minha volta e vejo espirais. Espirais que sobem (poucas) e espirais que descem (mais). Vejo pessoas cabisbaixas e cansadas, vejo poucas caras sorridentes, cada vez menos... é um retrato em espiral o que tiro às pessoas por quem passo... procuro, quase desesperadamente, no rosto de quem passa, a Luz, a Centelha Divina num sorriso, num olhar, num gesto que se escapa pela multidão... Nada, evadem-se perante o meu olhar... Que vergonha haverá em olhar outro Ser Humano? Que ideia foi essa plantada na quase absoluta maioria das pessoas?... Levantem-se!! Vocês têm o Poder!! Não abdiquem dele!! Não desistam perante a existência de ciclos viciosos!! Perguntem quantas pessoas sabem o oposto de 'ciclo vicioso'. Poucas saberão, certamente... É sintomático e é preocupante. Em suma, e é triste dizer isto, a sociedade está doente (ou, pelo menos, adoentada) de uma doença epidémica, em riscos de se tornar, ou com laivos de ser, endémica. Urge, portanto, curá-la. E essa cura começa em cada um de nós. Com resolução, com intenção, com propósito.
Eu comecei há umas semanas a minha cura. Tinha atingido um ponto quase irreparável de ruptura interna, de desespero, de dor e, creio ser isto o pior, de falta de fé. Em mim. Na Vida. Ninguém me arrastou. Não foi como num filme, em que uma pessoa cai no chão e acorda num hospital, quase miraculosamente curado. Nada disso. Fui eu que decidi curar-me. Pedi. Procurei. E estou a ter.
O caminho ainda é longo, como é natural. Tudo é muito recente mas, falando-se de mim, creio que a expressão "ter calma" ou "ir com calma" é quase uma antítese. Não é isso excepção neste caso, em que o meu proprio corpo tem aceitado muito bem a mudança e tem evoluido muito favoravelmente. É claro que as circunstâncias envolventes têm ajudado mas, como em tudo, não se pode ficar quieto à espera que as coisas caiam no colo e foi o que fiz. Ou, como diz o adágio da velha sabedoria popular: "Ajuda-te que Deus te ajudará".
E depois, a fantástica mudança de todos à nossa volta. É quase um acontecimento físico: tu vibras mais e quem está à tua volta acabará também por elevar a sua vibração. Por outras palavras, sê feliz, sorri, e começarás (mais cedo ou mais tarde), como que por magia, a ver sorrisos à tua volta. E sorrirás mais. E eles sorrirão mais.
Espiral Ascendente...
28 de maio de 2009
Out of the Blue...
Tenho a cidade a meus pés. Numa noite morna como esta, há que aproveitar as belas coisas que a natureza nos dá. Sinto tudo longe de mim, a confusão, o ruído, a agitação desmesurada, a indiferença das pessoas na rua, a pressa de querer chegar sabe-se lá onde, o olhar que, focado, não consegue captar nem a imagem maior do que se passa à sua volta nem o pequeno detalhe que está mesmo ao seu lado... Como se pode ser assim tão cego? Será por querer? Será por não poder? Juro que não percebo as pessoas, por vezes, neste sentido: por nao saberem o poder imenso que têm nas suas mãos. Mesmo dizendo-lhes! A vida é uma dádiva, sim, mas é acima de tudo para quem a souber aproveitar. A mesa estendida com a comida em cima da mesa, que não se consegue ou quer tocar é tão inutil como uma pessoa com fome sem nada para comer.
O que levanta a questão: a nossa realidade, não seremos nós (em pequena ou larga medida) que a fazemos? A pergunta pode parecer estúpida mas creio que nao o é. E não o é no seguinte: as pessoas que estão tão enroladas na sua rotina, no seu dia-a-dia, na sua vidinha, saberão elas o que têm? saberão elas que podem ter muito mais? saberão elas que, mesmo sem sairem da sua rua, têm um mundo de infinitas coisas à sua volta?
Estive a pensar no teu post, mana linda, e tinha pensado nos últimos tempos nessa perspectiva da vida. Quando se perde tudo, quando se sente que se perde tudo, não há outro remédio senão esperar que o Tempo faça o que melhor sabe fazer e, lentamente, recomeçar a pegar em todos os pedacinhos da nossa vida, um por um. Lentamente, como numa grande arrumação, encontra-se tanta coisa que é também necessário fazer um trabalho de selecção, de triagem, do que serve e do que não serve. "O que é que isto está para aqui a fazer?!?", dir-se-á tanta vez, num misto de surpresa, alegria e alguma nostalgia... Não basta só ultrapassar as experiências. Não basta só tirar daí as lições, crescer. Porque acaba-se sempre por se levar a lição e a aula connosco... e pesa, mesmo mesmo muito. E um dia colapsa-se, cai-se por terra com todo esse peso tremendo, sem apelo nem agravo. Cai-se e pronto.
Que fazer?...
O que melhor o ser Humano sabe: levantar-se. Mas é preciso querer. E é preciso querer tanto que nos parece que nem a energia deste e de todos os outros Universos chega para nos fazer levantar uma mão, quanto mais o corpo. Mas temos que o fazer. É a nossa essência, está na nossa essência. E aqui se chega a uma conclusão "brilhante": é a nossa carga que também nos faz perder o contacto com a nossa essência e nos faz sentir que perdemos a motivação para tudo. Será? Não só mas também.
Há nuvens que nos enredam o Coração. De onde vêm elas? De todo o lado. Até de dentro de nós mesmos, quando assim o deixamos ou, quiçá, queremos. A sensação de não nos conseguirmos encontrar, de não nos conseguirmos ver. Não só mas também.
Deixam-se coisas para trás. Tem que ser. Mas deixando isso para trás, não me estarei também a deixar para trás? Sim, um pouco... mas há a lição valerosa da cobra: para crescer ela tem de deixar a sua pele para trás. É um pouco de si e no entanto ela deixa. Sabe que já não lhe serve, que perdeu o seu propósito. "Mas é o que ela é!" Não! É o que ela foi. E no entanto nunca deixa de ser cobra, a mesma, a de sempre. Simplesmente chega o momento e voila! Just do it! Entra cobra e sai cobra! Há medos? Se há, ela nem pensa neles.
Pensa-se demais, talvez... ou sente-se de maneira errada, quiçá? Isso poderá ficar para outro dia... corrijo, finalmente, e se a isso me for permitido, Malraux: "...within this prison we can draw from ourselves feelings powerful enough to prove our wholeness or our nothingness.". Now, you choose...
26 de maio de 2009
Battle pt. 2, ou, Como ser atormentado sequencialmente todos os dias à mesma hora...
1) Estar acordado! - Dá jeito! Acho que batalha que é batalha deve poder concentrar toda a atenção no combate, de modo a que seja justo (no mínimo);
2) Conhecer o meu adversário, ou objectivo - e, neste caso, nem a um nem a outro. Lutar contra quem? E para quê?
Já não bastava, então, estar a tentar reequilibrar-me (sendo essa uma das maiores batalhas, a qual têm vindo a acompanhar regularmente os desenvolvimentos), também de noite tenho de estar com pé atrás? Como é que querem que uma pessoa consiga desempenhar bem as suas funções todos os dias se não ha condições?... Não há, não! E posso garantir que esta noite julguei estar á beira da insanidade... que ia começar a ver coisas ou assim (tão absurdo e surreal foi o pesadelo).
Ontem encontrei esta foto na net...

...e achei que é a imagem que melhor me descreve de momento. Das duas uma, ou sou convencido, ou até me menorizo...
"Coitadinho de ti, sempre a queixar-te... és um menino!! Não podes com nada!... Com que então não gostas de pesadelos?... E também não gostas de não sentires nada em relação a coisas que gostavas... e de te sentires injustificadamente ansioso... e o rabinho lavadinho com aguínha de malvas, não?... ohhh páaa, cresce e aparece!"
Sim, sim, eu sei que posso ser tudo isso e mais alguma coisa... mas quem sabe aquilo que eu sou e do que gosta sou eu! Como ja disse uma vez, os outros só terão um vislumbre daquilo que sou (assim como eu deles). É um mundo de vislumbres, no fundo. Se eu digo que sou um ser de Luz, apresentem-me provas que não o sou. Se eu digo que tenho direito a ser feliz, porque acredito ser esse uma das nossas condições de passagem por este mundo, provem-me que não tenho esse direito. Se eu digo que é possivel ter mais e melhor, mostrem-me onde está escrito que não posso!!
É absolutamente impressionante o que o ser Humano faz do seu Ser... fazer dele um antro de ressentimentos contra outrém em vez de uma casa de Amor é algo que me deixa muito muito confuso... sim, também sou humano, também tenho os meus telhados de vidro nesse assunto (são mais cúpulas, se calhar) e não sou nenhum santo nessa matéria. Só posso dizer que tento melhorar e é precisamente por saber que devo fazer do meu Ser uma casa de Amor que tento melhorar. E se, ao partilhar estas coisas com outros, conseguir fazer alguém pensar, já é uma pequena vitória.
Fazendo as continhas e a prova dos nove, o que mais me assusta no meio disto tudo é que sei (mesmo nao querendo vê-lo por ser algo tão... [preencher á vontade do freguês]) que o maior inimigo de mim mesmo sou eu, é esta Dualidade em que vivemos de Bom/Mau, Luz/Escuro, Quente/Frio, Felicidade/Dor (et al.); é por ter um inimigo tão sabedor, tão conhecedor do que eu sou, das minhas falhas e pontos fracos, ter um inimigo que é uma faceta minha e, agrura máxima, ter que a amar (como nos poderemos amar senão a 100%?). E, curioso (ou síndrome de Estocolmo, quase), é impossível passarmos sem ele. Não é uma habituação, é mesmo a nossa natureza. No fundo são as minhas duas crianças: o Eu e o Também Eu. Amo às duas (pesadelos à parte) mas brevemente tenho de comprar trela e açaime a um deles...
18 de maio de 2009
9 de maio de 2009

"Perfection is achieved, not when there is nothing more to add, but when there is nothing left to take away." Antoine de Saint-Éxupèry
e
"Somos feitos de luz, toda a existência é feita de luz e, no entanto, o fenómeno mais estranho é vivermos nas trevas.
É realmente inacreditável como vivemos no escuro. É impressionante! Estamos todos a fazer um grande milagre: somos feitos de luz e vivemos na escuridão.
O motivo é que nunca olhamos para nós mesmos - olhamos para todos, observamos aqui e ali. Os nossos olhos estão constantemente a saltar de um objecto para outro, mas nunca ficam quietos e em silêncio para terem um pequeno vislumbre de nosso ser.
Esse pequeno vislumbre transforma-o, acorda-o. E então não há morte, não há limites para si. Você é ilimitado, você é a própria liberdade - e a alegria da liberdade é infinita." Osho, mestre Zen - "Meditações Para o Dia" (tirado daqui)
8 de maio de 2009
28 de abril de 2009
"In the beginning the Elder Children of Ilúvatar were stronger and greater than they have since become; [...].And Oromë loved the Quendi (the Elves), and named them in their own tongue Eldar, the people of the stars; but that name was after borne only by those who followed him upon the westward road.
Yet many of the Quendi were filled with dread at his coming; and this was the doing of Melkor. For by after-knowledge, the wise declare that Melkor, ever watchful, was first aware of the awakening of the Quendi, and sent shadows and evil spirits to spy upon them and waylay them. So it came to pass, some years before teh coming of Oromë, that if any of the Elves strayed far abroad, alone or few together, they would often vanish, and never return; and the Quendi said that the Hunter had caught them, and they were afraid. [...] Now Melkor greatly hated and feared the riding of Oromë, and either he sent indeed his dark servants as riders, or he set lying whispers abroad, for the purpose that the Quendi should shun Oromë, if ever they should meet. [...]
But of those unhappy ones who were ensnared by Melkor little is known of a certainty. For who of the living has descended into the pits of Utumno, or has explored the darkness of the counsels of Melkor? Yet it is held true by the wise of Eressëa, that all those Quendi who came into the hands of Melkor, before Utumno was broken, were put there in prison, and by slow arts of cruelty were corrupted and enslaved; and thus did Melkor breed the hideous race of the Orcs in envy and mockery of the Elves, of whom they were afterwards the bitterest foes. For the Orcs had life and multiplied after the manner of the Children of Ilúvatar; and naught that had life of its own, nor the semblance of life, could ever Melkor make since its rebellion in the Ainulindalë before the Beginning: so say the wise. And deep in their dark hearts the Orcs loathed the Master whom they served in fear, the maker only of their misery. This it may be was the vilest deed of Melkor, and the most hateful to Ilúvatar."
J.R.R. Tolkien - "The Silmarillion" - Chapter 3 (1977)
24 de abril de 2009
We're the key to a hidden tomorrow
We're the keepers of justice and hope
The flower that breaks through the black crust of sadness
We are many, we're proud, we're as one…
And we're the millions of grains on a seashore…
We're the spark of the earth, of the moon and the sun,
We're the blind eyes of love and endless devotion,
We are many, we're proud, we're as one…
We're as one…
We're as one…
Time is high. Now's the time
For a mindrevolution
You can change and it starts
Like a wave deep inside
Everything you send out
Will come back to the giver
With the blind eyes of love
You're saving your soul
And the world
Shine on!
Shine on, the next big company is buying your soul
Stand up!
Stand tall, you are a customer but you ain't no fool
Shout out!
Shout NO! when all they want is to sell you more time
Get up!
Get out, get in your car and we'll go for a ride…
Take a trip down the backstreets of the brave and free
Where the handful will prosper without shame and face…
There's a legion of "different" realities.
It's a crime,
It's a shame,
And disgrace!
Get home!
Get on with all the things that you need to be
Be real!
Be true, enjoy the power and start to believe
It's you!!
It's you, you know you live and you learn to be free…
Think twice,
Think straight and soon you climb up the old learning tree…
There's a businessman's dream to embrace this town…
But his goodwill is hollow and without soul
In most repulsive ways he'll exploit our land
Then in time kick us out
Then in time kick us out
In the cold!
We're the keepers of justice and hope!….
Time is high. Now's the time
Time for a mindrevolution
Time is high. Now's the time
It's time for a mindrevolution
What's the shape of our dreams in the twilight?
What's the sound of a working mans heart?
What's the weight of the burdens he carries?
What's the story behind all the scars?
All the labour makes a grown man go humble
All lost credos he desperately seeks
All the images of lives not forgotten
Taking shape when he's losing his sleep
What's a good man to do with his visions?
What's an honest mans role in this scene?
What's the price for a life extraordinary?
What's that echo now?….
"I have a dream"…
When's the right time for mindrevolutions?
As we travel the unknown to touch all our goals
And we're finally hitting this sharp resolution
In our hearts, in our center of all…
We're the key to the hidden tomorrow…
We're the keepers of justice and hope,
The flower that breaks through the black crust of sadness…
We are many, we're proud, we're as one!…
And we're the millions of grains on a seashore…
We're the spark of the earth, of the moon and the sun…
We're the blind eyes of love and endless devotion…
We are many, we're proud, we're as one!…
We're the millions that travel beside you…
We're not asking for much on our way…
Did I hear someone whisper "compassion"?
We are many, we're proud and we're here!!
We're the key to the hidden tomorrow…
We're the keepers of justice and hope,
The flower that breaks through the black crust of sadness…
We are many, we're proud, we're as one
We are many, we're proud, we're as one…
Kaipa – Mindrevolutions (2004)
Eis o meu novo vício!… peço desculpa por não colocar aqui a música mas acho que ninguém que visite o blog tem tempo para ouvir 25 minutos de musica… mas garanto-vos, está plenamente à altura da letra. E tenho a certeza quase absoluta que, quer a letra quer a musica, vieram directo do Outro Lado… para nosso Bem.
21 de abril de 2009
“If a man is offered a fact which goes against his instincts, he will scrutinize it closely, and unless the evidence is overwhelming, he will refuse to believe it. If, on the other hand, he is offered something which affords a reason for acting in accordance to his instincts, he will accept it even on the slightest evidence. The origin of myths is explained in this way.” Bertrand Russell
Há já muito tempo que não faço um comentário a um dos meus “amigos” filósofos que recorrentemente aparece por estas bandas (bem, há muito que não faço um post, ponto!), após me ter aparecido esta citação, decidi voltar aos “grandes” palcos “bloguentos”.
Esta constatação de Russell sobre a natureza humana das nossas constatações ou crenças é a descrição cabal da nossa natureza ou grande tendência 3D. No geral, como Humanos que somos, gostamos muito de provas palpáveis sobre tudo. Todos temos um grande gene de S. Tomé que vem ao de cima para que tenhamos as maiores certezas sobre tudo. Isto é pensar “dentro da caixa”. A dependência material, tridimensional das nossas crenças, é quase um facto implicito á nossa existencia: repare-se que a primeira coisa que pensamos quando se nos apresenta qualquer coisa é “deixa cá ver no que é isto vai dar”. Resultados. Causa-efeito. Provas. Entra porco sai chouriço. Não importa a maneira como isto vai acontecer, o que importa é que aconteça. Se possível, já. E se acontecer, acreditamos piamente porque resultou! Bem, e então, caro amigo Russell, que dizer sobre a Fé? Que perspectiva tem sobre a Fé? Que lugar tem ela na nossa existência, no nosso quotidiano, no nosso dia-a-dia? É simplesmente o acto de esperar até que alguma prova venha, ou é simplesmente o simples acto de acreditar sem prova alguma?… É que a constatação de Russell nao tem em conta este dado que está bem presente nas nossas vidas. A Fé em algo. A Fé em Deus. A Fé nos outros. A Fé em nós mesmos.
A Fé é um estado necessário à nossa existência (assim o proclamo do alto da minha "imensa" sabedoria). Nós dependemos muitas vezes da Fé, muito mais do que o que pensamos. Falando brevemente por experiência própria, tendo perdido (não sei se temporariamente) a Fé em certas coisas, sinto agora a falta dessa base de sustentação inabalável que me apoiava todos os dias, que me fornecia a segurança e o bem-estar interno que necessitava para poder prosseguir o meu caminho. Perdê-la foi, em primeira instância, um choque terrivel, e noutras instâncias, o desabar de toda a existência pessoal, tal como a concebia. Começou por uma constatação muito simples, do tipo “E se as coisas não forem assim?”, passando à constatação de “mas eu nao tenho que acreditar em algo que não faz sentido dado o quadro actual das coisas”, levando à perda da Fé no que antigamente acreditava inquestionavelmente. Em suma, não tenho pedras basilares (ou as mesmas pedras basilares). Passei a crer apenas nas perguntas que eu fazia e que me fornecem um dos sustentáculos para continuar a caminhar por este mundo. Não perdi, no entanto, a Fé de todo. Sei disso. Há coisas que continuo a acreditar como Verdades que ardem dentro de mim e que, apesar de ter questionado a sua existência e razão, sinto-as como parte do meu Ser, irrevogáveis e brilhantes. No fundo, é isso que é a Fé: é sentir algo em nós, vivo, e aceitar essa existência como a única prova que necessitamos, fazendo todo o sentido, questionando ou não. Podemos dizer, como eu disse, que perdemos a Fé, seja em absoluto, seja relativamente a algo, mas na verdade não é isso que acontece: há apenas a Questão, há apenas a Dúvida Sistemática, que constantemente podemos sentir que nos assola, mas que é útil, propositada e restruturante – através dela demolimos paredes que impediam o nosso avanço pessoal, limpamos o que já não faz sentido, o que é velho e bolorento, arejando o Ser, abrindo espaço a que pedras de toque surjam para que continuemos a evoluir, a caminhar para um amanhã melhor, mais concreto, propositado e com mais Luz nas nossas Vidas. A Fé, essa, continua sempre lá, mesmo que, por momentos, a sintamos fugidia, ausente ou até mesmo contrária. Tem muitas caras mas o seu objectivo é só um: sentir com muito Amor, e dar-nos a sentir (sem sabermos muito bem porquê ou para quê), aquilo que Somos. Sem dúvidas.
27 de março de 2009
Enough!!!
Tal como há uns tempos me apeteceu entrar, agora quero sair! E EU VOU!!!
…e, como sempre, so help me God!
23 de março de 2009
Quando “Eles” fazem das Deles… (Ou “Como ficar com um sorriso daqueles…”)
First meditate, be blissful, then much love will happen of its own accord. Then being with others is beautiful and being alone is also beautiful. Then it is simple, too. You don't depend on others and you don't make others dependent on you. Then it is always a friendship, a friendliness. It never becomes a relationship, it is always a relatedness. You relate, but you don't create a marriage. Marriage is out of fear, relatedness is out of love. You relate; as long as things are moving beautifully, you share. And if you see that the moment has come to depart because your paths separate at this crossroad, you say good-bye with great gratitude for all that the other has been to you, for all the joys and all the pleasures and all the beautiful moments that you have shared with the other. With no misery, with no pain, you simply separate.
Osho The White Lotus Chapter 10
Commentary:
The branches of these two flowering trees are intertwined, and their fallen petals blend together on the ground in their beautiful colors. It is as if heaven and earth are bridged by love. But they stand individually, each rooted in the soil in their own connection with the earth. In this way they represent the essence of true friends, mature, easy with each other, natural. There is no urgency about their connection, no neediness, no desire to change the other into something else. This card indicates a readiness to enter this quality of friendliness. In the passage, you may notice that you are no longer interested in all kinds of dramas and romances that other people are engaged in. It is not a loss. It is the birth of a higher, more loving quality born of the fullness of experience. It is the birth of a love that is truly unconditional, without expectations or demands.
:’)
…é tudo o que consigo dizer…
12 de março de 2009
Battle
“You weak, pathetic fool!”
(linha do personagem Shao Kahn, do jogo “Mortal Kombat II”)
- Hahahah!! Não vais conseguir… nunca te livrarás destes pensamentos… nunca te livrarás destes medos, nunca te livrarás desta negritude, nunca te livrarás dos inicios de dia angustiantes, absurdos, das nauseas, das vertigens! Enfim, pequenito, nunca deixarás de ser o que és: FRACO!
- Sou somente humano, coisa feia, sabes o que é que isso quer dizer? Isso, simplesmente, significa que só “existes” porque EU existo. Se não fosse esta Dualidade, TU não terias substancia, enrgia, matéria, serias, enfim, aquilo que és: NADA!
- Nada? Tens a certeza que sou um Nada? Um Nada deixar-te-ia no estado em que por vezes te deixo? Um Nada conseguiria fazer com que te alheies de tudo e todos á tua volta, dos que mais te amam, dos que se preocupam contigo, dos que querem partilhar contigo as suas existências? Um Nada far-te-ia perder todo o interesse pelas tuas ‘paixões’? Grandes paixões que tu tens, pequenito… ao primeiro ataque que faça, corres a recolher-te no teu interior miserável, agarrando-te… a quê?
- Agarrando-me à coisa que mais conta: a própria Vida, que perpassa todas as tuas acções e cuja Luz me chega mesmo por entre essa névoa negra com que gostas de me apanhar nos momentos mais inesperados… o pior, coisa peçonhenta, é que ultimamente pareces estar em todo o lado… e atacas tantas vezes que nem me lembro da ultima vez em que me senti… perfeito.
- Menino, não és só tu que és multidimensional… e sinto-me particularmente orgulhoso da minha eficiência… o meu plano é perfeito e jogo com uma das coisas que mais prezas: a tua memória. Lembras-te de dizeres: “a minha Memória é a minha maior qualidade e o meu maior tormento”? Pois eu também sei disso e este plano é, e tem sido, uma jogada de longo alcance. A tua memória cria fantasmas, a tua memória pertence à tua biologia, á tua mente e liga-se ao inconsciente, ao que não consegues controlar. E é lá que me encontro. É lá que fico, puxando os cordelinhos que te fazem reagir sempre da mesma maneira às mesmas situações, aos mesmos estímulos… são “reflexos condicionados” do sub-consciente, cãozinho marioneta!
- O teu raciocínio falha numa coisa muito grave: os reflexos condicionados NÃO são definitivos. E até uma árvore que tenha sido podada para ser desfigurada, nao deixa, com tempo, de ser bela. A Natureza, um dos rostos de Deus, é imparável no seu rumo. E, além disso, que tens tu a ganhar com isso, com a minha queda? A minha Vida? Já viste que é apenas uma ‘batalha’ numa longa ‘guerra’? Nesta até podes atingir o teu objectivo, mas na proxima surgirei mais forte, mesmo que lá estejas, como certamente estarás… como vês, é uma vitória pírrica a tua, coisa nojenta.
- Pequeno ridículo, é essa a beleza do meu trabalho: eu continuarei por aqui, a derrotar-vos um por um, a inutilizar a vossa vida, fazendo-vos olhar para aquilo que não interessa, fazendo-vos desperdiçar aquilo que não interessa, fazendo-vos pensar aquilo que tu, por estes dias, tantas vezes pensas: “everything is so pointless…”… queres maior vitória que essa?
- Continuo sem perceber que vitória há nisso… A minha alma é imortal e, quer queiras quer não, a minha capacidade para ver, reconhecer e fazer o Bem continua intacta. É isso que transportarei para o Outro Lado e para outra Vida daqui a muitos e muitos anos (espero!).
- Coisito, o meu poder, como verás, é muito maior e mais vasto que o que pensas… é tão velho como a Humanidade, fui eu que vos impedi, e impeço, de evoluir mais do que aquilo que são capazes. E é tão fácil encontrar os vossos pontos fracos! São sempre os mesmos!
- Um ponto há contra o qual nunca serás mais forte: o Amor, o verdadeiro Amor, o Amor de Deus, a Luz e tudo o que deles advém. Podes fazer com que me feche numa redoma, podes fazer com que me afaste de tudo e todos, podes fazer com que tenha medo de cair num lado totalmente negro, num lado em que já antes me lançaste
(mas do qual saí, lembras-te? Quem ganhou afinal?)
e ao qual até posso voltar, podes continuar a inundar a minha cabeça com imagens absolutamente terríficas, deprimentes, podes fazer com que o meu corpo se sinta mal, se sinta doente, podes fazer tudo isso, mas nunca, NUNCA, poderás tirar aquilo que EU Sou, pois, no final e afinal, é isso que vem e virá sempre ao de cima, pois é isso que te derrota, pois é isso que é Eterno e é isso que ficará, muito depois de deixares de ‘existir’.
- Vemo-nos por aí, fraco!
- E ‘por aí’ cairás!
“If you know the enemy and know yourself, you need not fear the result of a hundred battles. If you know yourself but not the enemy, for every victory gained you will also suffer a defeat. If you know neither the enemy nor yourself, you will succumb in every battle.”
“You have to believe in yourself.”
Sun Tzu - “The Art of War”
21 de fevereiro de 2009
"A Beggining is a very delicate time..."
(Princess Irulan, as interpreted by Virginia Madsen, from the motion picture "Dune", by David Lynch, based on the book by Frank Herbert)
Começo por puxar um pequeno fio… só um… no meio da noite escura, em que todas as sombras são correntes que nos amarram ao nosso interior, puxar o fio do espírito de modo a que possamos brilhar. Confesso que foi difícil fazê-lo, as vozes dissonantes, os fantasmas, os inúmeros medos que, no interior, se multiplicam a uma velocidade demasiado rápida para que os possa travar, as sombras que a Luz que me ilumina ao incidir nas arestas cortantes do meu interior projecta na minha Alma, o “ruido de fundo” que “de fundo” pouco tem, tudo isso dificultou imenso o trabalho que ontem me foi destinado…
Sento-me contigo… vais-me guiando, vais-me ajudando a puxar esse fio que tantas vezes me escapa e que me pode dar (mais alguma) paz de espírito que me tem faltado… o momento em que finalmente mergulho nesse mundo místico vem acompanhado de côr, de vibração, de forças muito, muito maiores que possamos imaginar… Procuro a força da Terra, da Mãe, a Essência do Físico, a que nos dá certezas e outras coisas que tanto precisava agora… Ligo-me á força do Divino, do Pai, a Essência do Espírito e sinto-o abençoar-me… A junção das duas completa o seu efeito, traz-me tranquilidade, silencia o “ruido de fundo” de modo que só as questões fundamentais restam…
Que é que Eu Sou?
O que é que eu quero nesta vida?
Às duas respondo: Não sei. Cúmulo da desorientação. Sou aquilo que no dia-a-dia tiver de ser. Faço o que no dia-a-dia tiver de fazer, de trabalhar… Viver no Agora tem destas coisas também, a dar nada como certo, “Take none for granted, expect everything”, a vaguear á deriva num mar de emoções que só uma força de vontade cedida sabe-se lá por Quem nos faz continuar a boiar… confia-se no físico, confia-se na mente… que não me falhem ambos, costumo pedir.
Ao abrir os olhos, a desorientação interna traduz-se na desorientação externa… pestanejo vezes sem conta, não por causa da luz (que não existe, é de noite) mas como forma de tentar ver mais claramente onde estou. Passado uns segundos, “assento”. Ainda bem que me abraças, minha Irmã, sempre fico a saber (se não onde estou) com quem estou, que não estou sozinho. É um abraço de eternidades, aquele que sabemos que se repetiu tantas e tantas vezes noutras vidas. Neste mundo paralelo as coisas fazem um pouco mais de sentido mas rapidamente temos a Vida a chamar-nos à Realidade.
“Meninos, acabou-se o recreio!”
Sim, já percebemos… que chato… posso ficar mais uns minutos?… Não?…
Continuo a dizer-te que os sinais eram para ti. Eu nao pedi nenhuns, só pedi paz de espírito mas ainda era muito cedo nessa noite para a ter. Se calhar ainda é muito cedo neste dia para a pedir e mais ainda para tê-la. De forma que esse magnífico canídeo ‘fauve’ de rabo felpudo que teve o santo desplante de ficar a olhar para nós como se fossemos os ultimos humanos na Terra teve muito mais impacto em ti do que em mim, garanto-te. No entanto, não deixou de ser giro… com tantas pessoas a chamarem-me de Principezinho, e com coisas como estas, um dia corro o risco de acreditar… mas o Principezinho nao teve medo que a Raposa tivesse raiva (sabia lá ele o que era raiva…). Em vez disso, usou a sua Inocência e Alto Estatuto Nobiliárquico (que sempre transmitem alguma tranquilidade) e trocou os dois dedos de conversa mais fabulosos que alguma vez li na minha (ainda curta) Vida. Eu só fiquei quietinho a ver se ela me/nos falava…
(silêncio… corujas ou mochos só uns momentos antes…)
Bem me parecia… a convencida só deve falar para o Jet-set Interestrelar…
Hora de exorcisar fantasmas! A noite já vai longa mas uma das coisas que mais ansiava chegou no caminho de volta, por entre sombras de coração e memórias há muito cobertas de pó. Houve que soprar essa poalha irritante que faz alergia à Alma e expor isso à Luz. Mais uma vez, aqui se confirma o princípio que uma pessoa só, por muito forte que seja, não consegue fazer certas coisas. Um fosforo não basta, tem que haver uma tocha. Queimaram-se dores, lagrimas e véus de fantasmas num delicioso Auto de Fé que a Inquisição da Luz tratou de arranjar… A fogueira que isso trouxe foi o suficiente para espantar os espíritos trauliteiros mais incautos que por estas bandas passeavam, ou andavam em férias, estilo Club Med. Be GONE!
Ficas sabendo que ontem chorei por ti mas, minha querida, não foram as mesmas lagrimas que chorei de outras vezes, não foram dores, remorsos, culpas e ciumes que chorei mas sim alegria, doçura e carinho pelos tempos que passámos juntos… foi bom e terás sempre um lugar aqui dentro de mim, fazendo parte da minha vida como fazes (por dela teres partilhado), mas nada mais.
Não sei que sonhei de ontem para hoje. Sei que a página virou e está em branco. A caneta está na minha mão e, agora, quem vai escrever a História (“La Storia”) SOU EU.
10 de fevereiro de 2009
Ontem deu-me uma onda de saudosismo. De repente estava a falar novamente de Gent, dei por mim com um mapa da cidade na mão, a ver de novo todos aqueles nomes que, há um ano atrás nada me diziam e depois, faziam todo o sentido… Rosemarijn Plein, Kouter, Veldstraat, Gentbrugge, Zwijnaarde, Sint-Pieters Station, Koren Markt, Vrijdagmarkt, Peter Benoitlaan, De Pintelaan, Schooldrijf, Sint-Denijslaan, Sint-Jacobsnieuwstraat, Brabantdam, Hoevelport… Parques, jardins, ruas, pessoas, conversas, cursos de água, edificios, ‘lifestyle’, tudo me acorria á cabeça e ao coração… a emoção foi muita… tal como disse quando voltei de lá, aquilo é parte de mim, do que eu sou. Foi a minha primeira liberdade pessoal, a Experiência Única… é quase como que um primeiro Amor…
As saudades fazem bem, fazem-nos perceber as coisas que muitas vezes não tínamos consciência que nos importavam realmente, que somos nós, ver a Luz daquilo que realmente importa, o Bem que há nas coisas à nossa volta. O Tempo é o grande filtro, separando o trigo da Alegria, da Felicidade, do joio das más experiências, dos maus encontros, das tristezas… dizem que a Belgica é um país do mar do Norte, do nevoeiro, da chuva. Para mim, é o pais das tardes suaves, dos ‘pôr-de-sol’ serenos e doces, das corridas á chuva ou ao sol, das viagens de comboio e de electrico… para mim, é o tomar das rédeas do meu destino, é o assumir-me como ser único, independente… para mim foi crescer, nunca deixando de ser criança…
Vista de Belfry (a Torre de Vigia da cidade);
em frente, a Sint-Niklaas Kerk (igreja de S. Nicolau)
Sint-Michiels Kerk (Igreja de São Miguel) - cuja torre ficou inacabada
Vrijdagmarkt – Estátua de Jacob van Artevelde
(capitão-general de Gent durante a guerra dos Cem Anos)