30 de julho de 2008

I'm not afraid
Of anything in this world
There's nothing you can throw at me
That I haven't already heard
I'm just trying to find
A decent melody
A song that I can sing
In my own company

I never thought you were a fool
But darling, look at you. Ooh.
You gotta stand up straight, carry your own weight
'Cause tears are going nowhere baby

You've got to get yourself together
You've got stuck in a moment
And now you can't get out of it
Don't say that later will be better
Now you're stuck in a moment
And you can't get out of it

I will not forsake
The colors that you bring
The nights you filled with fireworks
They left you with nothing
I am still enchanted
By the light you brought to me
I listen through your ears
Through your eyes I can see

You are such a fool
To worry like you do.. Oh
I know it's tough
And you can never get enough
Of what you don't really need now
My, oh my

You've got to get yourself together
You've got stuck in a moment
And you can't get out of it
Oh love, look at you now
You've got yourself stuck in a moment
And you can't get out of it
Oh lord look at you now
You've got yourself stuck in a moment
And you cant gt out of it

I was unconscious, half asleep
The water is warm 'til you discover how deep
I wasn't jumping, for me it was a fall
It's a long way down to nothing at all

You've got to get yourself together
You've got stuck in a moment
And you can't get out of it
Don't say that later will be better
Now you're stuck in a moment
And you can't get out of it

And if the night runs over
And if the day won't last
And if your way should falter
Along this stony pass

It's just a moment
This time will pass

U2 (2000) - Stuck in a moment - All that you can't leave behind album


Pronto, eu sei que é U2 (sem minimizar, claro, mas nao é das minhas bandas favoritas) mas houve "Alguém" que pôs isto a tocar na minha jukebox mental e não pude resistir... Fits like a glove! ;) E "Eles" sabem...

P.S. - Como é natural nestas coisas, ao ir à procura da letra encontrei o video. Recomendo-o, como complemento do sentido com que postei a letra. Adoro a cena final! ;D

23 de julho de 2008

Surgiu-me nos últimos dias uma pergunta para a qual não tenho tido resposta: porque é que queres tanto dar a mão a alguém que não está, e ignoras as que estão estendidas?

Bem, é uma pergunta manhosa. Não tenho resposta e, francamente, sinto-me um pouco constrangido. Porque pareço ingrato, pareço desprovido de qualquer sentido de reconhecimento por aqueles que me cedem o seu tempo e boa-vontade, vendo-me mais em baixo (ou mais em cima), continuando-me a focar em quem não devia ter nenhuma consideração ou impulso de lembrança. O que é passado, passado está. No entanto, a nossa mente continua a processar e a lembrar-se de coisas perfeitamente inúteis ou que, existindo, só servem para nos magoar. Não é esse o caminho que quero mas também sei que bloquear-se esse tipo de pensamentos é inútil, uma perda de tempo e, em última análise, podemos ficar seriamente magoados. Que fazer então? Que fazer para esquecer a saudade do que nos fazia sentir bem?
A resposta óbvia é arranjar novas memórias, fixarmo-nos no presente e viver um dia de cada vez. Ora, isto, mais uma vez, não é fácil, e, de momento, é um trabalho de paciência. E essa foi outra coisa que me apercebi hoje. Este é um tempo para estar quietinho, esperar e ter paciência. Muita paciência. A inquietação e anseio por tempos antigos, em que a vida corria a 1000 à hora e pouco se pensava nela, pode assolar-nos de quando em vez mas há que reconhecer que tudo está certo no momento em que as coisas acontecem (como me vou rir quando reler isto). Não o tinha reconhecido até agora. Revoltava-me estar "quieto" em casa, não poder sair, ter sempre o mesmo dia-a-dia e, acima de tudo, esperar quando sentia (e sinto) que tudo à minha volta corre sem parar. "E eu aqui parado a olhar!", revoltava-me eu. Mas é suposto ficar a olhar (nem tudo o que é suposto sabe bem, não é?). É tempo disso. E, assim, esperarei.

12 de julho de 2008

Olho para trás, vejo tudo quanto escrevi e penso: serei este mesmo Eu? Penso na imagem que poderei dar ao escrever todas estas letras, todos os pequenos textos em que me exponho, em que tenho exposto toda a dor que me vem assolando (a qual é bem maior do que aquilo que descrevo) e chego à conclusão que devo parecer uma pessoa horrível, amargurada e totalmente desiludida com a Vida.

Estão certos.

No entanto, esse grau de desilusão a que cheguei permite-me largar todo o ser tendencial que existe numa pessoa que não desceu ao fundo do poço (será?) e poder tentar avaliar, imparcialmente, o valor que esta Vida tem.
É de noite e, por isso, as minhas palavras poderão sair mais... benevolentes. Hoje dei por mim a pensar, seriamente, que só as pessoas que receberam muito más notícias a seu próprio respeito e que vêm o seu futuro limitado é que (dizem) conseguem ver a Vida em todo o seu esplendor e beleza, dar o seu "real" valor (seja o que isso for). Pois nestes dias, apercebi-me que já dava à Vida algum valor no passado mas, no fundo, tudo acaba por correr em auto-gestão, ou seja, damos sempre tudo por garantido, que todas as coisas sempre estarão lá. Ora isto, quanto a mim, poderá ser duplamente perigoso: por um lado, isso é uma ilusão perigosa que, assim que se desvanece, mostra o quão periclitantes somos; por outro lado, desvanecida a ilusão em que se vivia, e tomado a consciência daquilo que aparentemente somos - um "grão" fugaz ao vento desta realidade - corre-se o sério risco de nos acharmos ainda mais diminutos e irrelevantes ao tomarmos consciência em simultâneo que, apesar de partirmos a qualquer instante, o mundo continuará, impassível e inamovível, como se nada fosse. "Céus, é a minha vida! Ao menos tirem um diazito de folga para pensarem no que se perdeu!", pensam então, e eu pergunto, vocês pensam nos milhares que estão a morrer de fome, de doenças, nos que estão a lutar contra doenças incuráveis, que dariam tudo para ter mais um dia como tiveram em tempos idos... o que eles não davam pelos tempos idos... Quando esses partem, lembram-se deles? Sabem sequer que eles partem? Não, pois não?... Por vocês também só os que vos são chegados é que se lamentarão mas o mundo continuará a girar e as pessoas a cantar no carro e a jantar alegremente em redor da mesa, enquanto que, ao redor de outra mesa, outras pessoas choram porque se extinguiu aquilo que para elas era uma Luz. E essas pessoas não serão as mesmas porque tudo na vida nos muda, e afinal, o mundo não é o mesmo porque essas pessoas mudaram. Porque o mundo somos nós. "Mas ele nao vai parar quando partirmos!!". Pois não. É angustiante, não é? Muito para além da mítica depressão de adolescente em que nos apaixonamos por correntes filosóficas que exploram essa vertente angustiante da Existência da vida.

A Existência? O que é isso?

Eu não sei e gostava que me explicassem. Porque as explicações que eu tenho, tenho-as tirado do que me acontece e, mesmo assim, não é com a frieza lógica de um raciocínio, o que contribui para uma franca confusão. São mais as excepções que a regra, antes, é mesmo a lógica de "cada caso é um caso". E é com base nisto tudo que olho e vejo (quando não estou perdido de nauseas e vertigens, deixando-me terrivelmente pessimista) que a Vida é, de facto, um milagre. Não o digo por ser bonito, não o digo tendo-o em mente todos os dias (nem de semana a semana, se calhar), não o digo porque estou quase a deitar-me e foi mais um dia que passou e ainda estou grato por estar vivo sem saber o que o amanhã me reserva. Digo-o porque é de facto um milagre, um milagre existirmos, um milagre termos essa capacidade de podermos mudar o mundo, de poder ter consciência do que nos rodeia (para o Bem e para o Mal), de apreciar (quando temos cabeça para isso) as coisas boas da vida, de sentirmos o Bem, o Amor, a Felicidade, a Alegria, a Vitória, o Mal, o Ódio, a Tristeza, a Desilusão, a Perda... Parafraseando o slogan de uma campanha, "É seres Humano, estúpido!". Se estou vivo, porque é que não hei-de aproveitar isso mesmo? É que mais facilmente estamos mortos (numa La Palissada de génio)! Isso sim, é que é para sempre! E aí é que não poderemos gozar nada (quem me conhece sabe que não sou totalmente desta opinião), não podendo usufruir, pelo menos, de tudo o que temos no presente. E essa história do Presente ainda é outra: sendo tudo tão fugaz e irrepetível porque é que não se há-de aproveitar tudinho até ao fim (desde que possamos)? Até as lágrimas, até as saudades...

É que somos um "grão", sim... mas um "grão" de Ouro!

4 de julho de 2008



Esta é sobre ti. Tem amor e ódio é para ires
ouvindo nas tuas horas de ócio.
Ínfima parte de um sonho perdido, libertei-o já
o tinha esquecido. É o sinal.
Espero um momento na sombra da rua, ouço
uma voz que me lembra a tua.
Passei pelo risco de sofrer por não ler
os teus sinais.
É o sinal para recomeçar.

Quero ver gente, quero ver a terra
chegar a casa e ter alguém à espera

quero um presente, quero ser bera
quero ser submissa, quero ser a fera
.

Leva-me às areias quentes que mastigam os
sentimentos e me deixam nua perante os
elementos. Ensina-me a escavar objectos sem
estragar, para que sorrir seja sempre vulgar.
Dá-me de beber finas gotas desse mel, para
que o meu saber não esteja só no papel.
Incita-me a lembrar do teu gosto pelo mar para
que um dia fique pronta a zarpar.

Espero que amanhã tudo seja diferente
e que tu possas estar presente.

Refrão (x2)

Incita-me a atirar os dados sem soprar
para que te vencer seja vulgar.

Refrão...

Mesa - Esquecimento - 2003(ou 4)

3 de julho de 2008

"In all affairs it's a healthy thing now and then to hang a question mark on the things you have long taken for granted."
B. Russell (o que eu adoro este homem!...)

Uhhnn?? A sério???...

Ao que eu adiciono (já mais a sério): e se nao formos nós a fazê-lo, a Vida trata disso.

29 de junho de 2008


Olhei-me há pouco ao espelho e não gostei do que vi. Não gosto do que vejo. Estou cansado, cansado demais para tudo. Sou a imagem da derrota, sinto-me derrotado por tudo, de inúmeras batalhas contra inimigos invisíveis, fantasmas, monstros horríveis, muitos dos quais que fazem parte do meu Eu físico. Dói-me tudo - corpo e alma. Sinto-me irremediavelmente perdido, só tenho vontade de chorar e não consigo, as lágrimas não me saem e ainda fico mais irritado por isso. E depois, pergunto-me: para quê? Para quê chorar, para quê entrar num pranto se vou continuar a sentir-me mal-disposto, derrotado, fraco, muito fraco... E prossigo, contendo tudo, tendo medo de tudo o que faço e de todos quanto encontro porque me sentirei mal e não posso sentir-me mal, "é uma vergonha, um homem assim e a sentir-se mal, olha para a figura que estás a fazer... Fraco, fraco!!..." Falta-me o ar, respirar fundo não ajuda, não me tira a dor, o mal-estar, não afasta os fantasmas, os dias passam e são somente "mais do mesmo"... a luz angustia-me, deprime-me (ainda mais, quem sabe), certos sons deixam-me atordoado, ainda mais mal-disposto, é a náusea que me invade e me persegue a cada momento do meu dia... é relato de dor este... de nada adianta contar mas esperava, secretamente, que ajudasse... no entanto, pelos vistos, este "mal" não desaparece nem por nada... é o fundo do buraco, é a Escuridão no seu pior, o espesso Medo para o qual resvalei e me fui afundando, estilo areia movediça... o Medo cerca-me em tudo o que faço, desde o primeiro acordar até ao ultimo bocejar antes de fechar os olhos... cada esquina da Vida me assusta, antes, o dobrar de cada esquina assusta-me, sem saber o que me espera mas sempre antecipando uma dor permanente e injusta... não há uma razão só para isso são muitas e muitas, com raízes profundas, de modo que agora cada coisa desconhecida que me apareça, cada coisa nova (mesmo com boas perspectivas) leva-me a uma desconfiança e falta de esperança atroz. Não esperar nada de bom é um pesadelo que ninguém deveria viver. Creio ser, até, contrário à natureza humana... mas é o meu dia-a-dia...

Que saudades de ser "normal"...

"I was standing by the edge of the water
I noticed my reflection in the waves
Then I saw you looking back at me
And I knew that for a moment
You were calling out my name
You took away my hero
Will you take away my pain..."

DT-1998

24 de junho de 2008

Look around
Where do you belong
Don't be afraid
You're not the only one

Don't let the day go by
Don't let it end
Don't let a day go by in doubt
The answer lies within

Life is short
So learn from your mistakes
And stand behind
The choices that you make

Free each day
With both eyes open wide
And try to give
Don't keep it all inside

Don't let the day go by
Don't let it end
Don't let a day go by in doubt
The answer lies within

You've got the future on your side
You're gonna be fine now
I know whatever you decide
You're gonna shine

Don't let the day go by
Don't let it end
Don't let a day go by in doubt
You're ready to begin
Don't let a day go by in doubt
The answer lies within...

Dream Theater - Octavarium (2005)

Dedicado à Cati, por... tantas coisas, escolhe umas...

17 de junho de 2008

Depois do ultimo comentário que recebi ao post anterior e enquanto estava a escrever a resposta ao mesmo, estava a lembrar-me de uma música (de um grupo do qual já transcrevi algumas letras para este blog). Como referi nesse comentário, uma das maneiras de nos sentirmos felizes é aliarmos a Paz com aquilo que Somos. E é nessa onda que vou transpor a letra, com a qual me identifiquei desde o primeiro momento em que a ouvi. Ressalvo que NÃO concordo com a linha que porei a itálico (pelos mesmos motivos que referi nesse comentário).

Once it was good, just to be alive
Life was so simple, I was satisfied with myself
You were a friend, it was crystal clear
I would have walked through fire for you, oh I swear

Look at me, I came to be the one you loathe
Now I know, it all makes sense
No defence, no more lies or alibis
Truth is pain
I feel for you no more...

Then I was lost, it broke my heart in two
Couldn't believe that you would sacrifice what we had
Now I get by, time will heal my wounds
Vengeance is mine when time will banish you into despair

Look at me, I came to be the one you loathe
Now I know, it all makes sense
No defence, no more lies or alibis
Truth is pain
I feel for you no more...


A.C.T. - Silence (2006)

P.S. - O "I feel for you no more" era a parte em que me andava a enganar... sem admitirmos as coisas, nunca se irá a lado nenhum.

10 de junho de 2008

O passado acaba sempre por nos alcançar. Sempre. Por mais que queiramos fugir, ele vem sempre ao nosso encontro, muitas vezes nem estando presente, sendo só a sua insinuação e possibilidade de existência que leva a uma materialização muito mais real (e agressiva). É como o azeite, é uma verdade que vem sempre ao de cima, por muito que o neguemos. Foge-se por vielas e travessas manhosas, recusando-nos revelar à luz do dia o bicho horrendo que personifica o Medo que nos atormenta. O pior de tudo é que ele ataca sem avisar e (ainda por cima) quando estamos com o pé em desapoio.

Isto é uma confissão.

A todos os que me conhecem pessoalmente e que, no último ano, conversaram comigo sobre este assunto (que direi a seguir) peço, antes de mais as minhas humildes e profundas desculpas. Menti-vos. Redondamente. E foi uma mentira que começou em mim e que, tendo-me mentido, menti-vos a vós porque foi uma mentira de Verdade pintada. A tinta, hoje, borrou.
No que é que vos menti? Simples. Tinha-vos dito que o que sentia em relação à Vânia era um assunto morto e encerrado. "Já a tinha esquecido, já a tinha ultrapassado, já não tinha efeito em mim", dizia eu, incauto da vergonhosa mentira a que me, e vos, submetia. Puro engano. Hoje fui brutalmente confrontado, não com ela (acho que cairia para o lado, extrapolando da reacção que eu tive hoje) mas muito simplesmente com uma situação em que, hipoteticamente, poderia vir a ser confrontado com ela, ou alguém desse tempo. Foram horas tormentosas, ficando sempre à espera de reconhecer em cada cara as "fatais" personagens, levando-me a ficar quase petrificado (e quem me conhece pode imaginar como fiquei), ou seja, o Medo atacava de novo e em força, apanhando-me completamente desprevenido.
No meio disto tudo não sei o que mais me assustava, se o simples acto de a encontrar (ou essas pessoas), ou da desilusão de a encontrar acompanhada (facto mais que natural, caso já tenha acontecido), ou a reacção dela caso me visse (e a minha também). Conjecturas. Factos a reter: sim, ela ainda "mexe" comigo (ou a imagem que dela guardei), em certas ocasiões sinto a sua falta e, mais ainda (e mais importante, provavelmente), nunca digam que aprenderam a lição. Como alguém, há bem pouco tempo, me disse: tu ouviste e fixaste mas não aprendeste a lição. Pois bem, eis-me de novo de volta aos bancos da escola. E, quiçá, ao canto da sala com as orelhas de burro. A todos, espero que me perdoem por faltar à verdade convosco.

6 de junho de 2008

... Do alto do meu promontório vejo-te chegar... Ainda não o sabes mas vejo-te chegar... estás lá longe, vais-te chegando à terra lentamente, como fina poalha que sobre uma mesa assenta... como que por acaso, chegas por entre rasgos de luz, danças de cores, brilhos mil que te rodeiam, pó de estrelas que, fátuas, surgem em pano de luzes e sombras... é uma dança, quase, inebriante, encantadora, com pés de sonho e toque de brisa... celebra-se e, ao longe, não se sabe porquê... a coberto da noite tudo é possível, o artifício do Homem tudo pode iluminar, tudo pode esconder, tudo pode festejar ou carpir... É insignificante, visto daqui, todo o aparato, mas, de facto, parece que só para ti tudo isto foi feito... Quem sabe se até foi?... Aproximas-te e tudo é celebrado, a chegada, a viagem, o que há-de vir e a Névoa onde tudo se esconde... mas ninguém sabe e, à vista de todos, este é o maior segredo que podemos guardar...

5 de junho de 2008

Naar zee, naar zee, naar zee,
O! mijn leven te water laten
Op zee, in de vind, op de golven!
Mijn smaak in grote reizen pekelen
Met door de winden opgeworpen schurm.
Mijn vleesvan avontuur met striemend water tuchtlgen,
Het bot van mijn bestaan in ocean kouden drenken,
Mijn cyclonisch en atlantisch wezen
Geselen, sneijden, kerven door winden, schulm en zon,
Mijn zenuwen als touwladders gestrekt,
Harp in de handen van de wind

Tradução:

“No mar, no mar, no mar,
Eh! pôr no mar, ao vento, às vagas,
A minha vida!
Salgar de espuma arremessada pelos ventos
Meu paladar das grandes viagens.
Fustigar de água chicoteante as carnes da minha aventura,
Repassar de frios oceânicos os ossos da minha existência,
Flagelar, cortar, engelhar de ventos, de espumas, de sóis,
Meu ser ciclónico e atlântico,
Meus nervos postos como enxárcias,
Lira nas mãos dos ventos!”


Alvaro de Campos

... a partir de um poema exposto em Oostende, provincia de West-Vlaanderen, Bélgica.

Quantos poemas à beira mar, nós, a nação que deu novos mundos ao mundo por via marítima, temos nós por cá?

1 de junho de 2008

Há regressos e regressos. Creio que, no imaginário de cada um, a palavra "regresso" possa evocar sentimentos bem positivos e algo nostálgicos. Não sei como é com o resto das pessoas, mas, para mim, "regresso" e "casa" são quase gémeos siameses. Não consigo, espontaneamente, associar regresso a coisas desagradáveis.
Não foi esse o caso deste meu último regresso. Este enquadrou-se perfeitamente no meu conceito: doce, sereno e esperado... rever esta terra bendita e amaldiçoada, sentir o ar (um pouco menos o sol, mas isso não importa), a energia que rodeia... Mas fui apanhado desprevenido. Passo a explicar: a adaptação a um país estranho (estando nós nesse país totalmente sós) é um processo complexo (não é fácil ser romano em Roma). Se não conhecermos a língua, habituarmo-nos à mesma é um trabalho árduo - se depois a queremos assimilar, mais trabalho ainda há a fazer. Depois, os ritmos. Cada país, cada cidade tem o seu pulsar muito próprio; sermos apanhados no remoinho do seu dia-a-dia pode ser complicado mas nada que não se preveja. Por último (e este não se faz em meses mas em anos) a mentalidade. Com este é preciso ter cuidado, não sejamos "contaminados" pela mesma. Uma coisa é compreender, outra é adoptar (a não ser os bons hábitos). Findo tudo isto, sentindo-nos medianamente integrados, a ideia que nos sobrevem é que apesar de tudo mantemos a nossa identidade como cidadão de outro país.

Tudo muito bem.

Experimentem, no entanto, regressar (depois de todo esse trabalho feito) ao vosso país de origem. Pois é, não é linear. Nós já NÃO somos aquilo que éramos. Não somos (no nosso caso) "só" Portugueses. Somos Portugueses e mais qualquer coisa... Qualquer experiência (pessoal) modifica a pessoa. Podemos não gostar, manter a nossa isenção ao máximo mas a questão é que estamos (subliminarmente) a ser modificados, sem nos darmos conta. Sem nos darmos conta, da mesma forma que dizíamos "no meu país, não é assim..." ou "nós fazemos de outra maneira...", passamos a dizer a mesma coisa quando regressamos "lá eles faziam assim...". Isto não implica, ressalve-se, que concordemos com uma maneira ou com outra. No fundo, creio que é uma forma de mostrar que passamos por aquela experiência, que aprendemos qualquer coisa com ela e que (espera-se) usemos do melhor. No meu caso, não nego que, na mudança subliminar, tenha aprendido a gostar do local onde estive; não sei o que é que gosto nele nem porque é que gosto dele - só sei que gosto (será um caso de síndrome de Estocolmo?). Citando Pessoa "Primeiro estranha-se, depois entranha-se...".
... E agora, à luz de tudo isto, pergunto(-me), regressei, ou parti?

12 de maio de 2008

Perder-me. Eis algo que tenho feito por aqui. Tenho-me perdido pelas ruas, com esse mesmo propósito: tão só e apenas perder-me. É uma decisão fácil, basta chegar a um sitio em que nunca tenhamos estado e dizer, "agora vou por aqui" sem saber o que espera ao virar da esquina.
Ontem foi o melhor desses dias (nesse objectivo): tendo ido a Antwerpen (leia-se Ántverpên), não sabendo o que me esperava, deparei-me logo à partida com uma cidade, de um tamanho da qual pensava que só Bruxelas teria neste país. Mas não. Tinha, pois, a tarefa facilitada. Cidade enorme, sem ponta por onde lhe pegasse. E, assim, vagueei...
Porquê perdermo-nos? Por vezes faz falta. Faz falta perdermo-nos, não termos certezas de nada na vida, ou, pelo menos, deixarmos as coisas que julgamos que são referências para que saibamos que podemos (ou não) viver sem essas referencias, desmascarar falsos ídolos, pés de barro, ilusões e miragens que nos desviam de onde deveriamos caminhar... Cada um saberá por onde... E depois as surpresas, os encontros inesperados, as descobertas, a intensa força de descobrir que somos auto-suficientes e conseguirmos, mergulhando na obscuridão, vencer o desconhecido (que tantas vezes assusta) e trazer Luz (ou trazer à Luz) coisas que estavam bem escondidas na bruma.
Acredito, assim também, que ao mesmo tempo que parto à descoberta de novas geografias, novos locais, parto analogamente à minha Descoberta, à procura de novos caminhos no meu Interior, de asteroides no meu Universo pessoal, de novas e maravilhosas galáxias que nos constituem, entrelaçando-se assim os dois actos de forma muito interessante. Perdermo-nos obriga a isso. Obriga a centrarmo-nos em nós mesmos, obriga a ter certezas pessoais, internas, saber que somos capazes, no meio do imponderável, de manter a serenidade. Tendo como ponto de referência o "Estou aqui. Este sou Eu e vim aqui parar porque quis." encontramos novos caminhos para outras paranças, porque aceitamos, à partida, a Responsabilidade do que fazemos (passo enorme) e quem somos. Só esse gesto é revelador, experimentem se o desejarem... Tudo o resto, cada um saberá o que encontrará.

23 de abril de 2008

Ainda a propósito do meu ultimo post, vieram mesmo a propósito as palavras do nosso Nobel estrangeirado. Não posso dizer que seja dos escritores que mais admiro mas é um dos nossos maiores escritores vivos, logo, o que ele diz sempre valerá "qualquer coisa". E rezou ele assim aos jornalistas...

"Não deixando de dizer que "este é um país de coisas negativas, mas é o meu País", revelou que em Lanzarote descobriu o português: "Temos a língua mais bonita do mundo, ela é o ar que respiramos." "Todos somos responsáveis por ela, a começar pela Comunicação Social. Leiam Fernão Lopes, Camões, Bernardim Ribeiro, António Vieira, Pessoa, Eça, Camilo, Antero, Almada Negreiros", aconselhou."

in DN Online, 23/04/08

E mais nada!...

14 de abril de 2008

Pois, passado que está este longo interregno, creio que é altura de dizer qualquer coisa sobre isso...

Não estou em Portugal. Estou, para quem não sabe, numa média cidade belga, chamada Gent. É uma cidade pacata (para uma cidade) tipicamente da Europa central, plana, sem um monte q se veja em milhas ao redor... A minha alma lusitana reclama pelas ondas, pelo cheiro do mar, pelos montes, colinas, serras, vales, pelo sol, pelo ar perfumado que temos e que, desgraçados Portugueses!, não sabem que o têm... Eu, que sabia que iria sentir falta de tudo isso, nunca imaginei o quanto poderia sentir essa falta absurda de uma energia tão portuguesa, de um solo, um ambiente que nos está enraizado no genoma (quase)... É uma sensação quase febril, um estado de falta de saúde, como se nos tivesse sido arrancado um algo que sabemos que nos pertence, nosso por direito e conquista, nosso por Vida.
Não sabemos as bençãos que nos foram garantidas mas isso, creio, é mal internacional... Não temos noção que a nossa maior riqueza é, definitivamente, a gente.. Não temos a "beleza" nórdica? Só para quem não quiser ver! Temos, invés, um coração genuíno e honesto, um coração que, mesmo quando fala pelas costas, pelo menos fala! "És um cabrão (mas não te guardo mais ressentimento do que isto...)". Cão que ladra não morde, já dizia a minha avó.

Falam do nosso Governo, mas esta gente aqui esteve mais de meio ano com um governo provisório! Uma diferença para melhor: ao menos têm os dois pilares da sociedade (Saúde e Educação) bem firmes e assegurados. De resto, tão mau ou pior que nós... Os salários são melhores mas isso é a consequência de bons politicos no passado (outra coisa que não tivemos), influências regionais e não dos políticos do presente... Este é um país à beira da cisão! Em Portugal, goza-se com os tripeiros, com os alentejanos, com os transmontanhos, com os beirões, com os algarvios, os açoreanos e os madeirenses, enfim, uns com os outros, mas nunca, nunca, ouvi dizer a alguém que outrem não era Português, que o Porto, Vila Real, Braga, Faro, Beja, Funchal, São Miguel não são, nunca foram, nunca serão Portugal... já aqui, não é bem assim... A Bélgica é uma ficção num mapa, quando um dia alguém traçou a régua e esquadro uma "zona tampão" entre a Alemanha e a França... no dia a dia, a Flandres e a Valónia são dois siameses que se odeiam (por "N" motivos) apenas unidos por um cordão que só merece o desprezo de ambas as partes por que os mantém estupidamente unidos: Bruxelas. Ódios, ressentimentos de décadas...

É a Saudade a falar?... Talvez... Mas, mais do que isso, é a identidade de ser Português e o contraste de maneiras de ser e viver deste povo que estão a chocar em mim e a revoltar-me... Olhem para todos os grandes vultos da nossa cultura do Passado que passaram pelo estrangeiro e tentem ver para além das linhas causticas que eles nos dedicaram... tentem reconhecer, num Eça, por exemplo, que cada vez que ele criticava os nossos costumes, não era para nos deitar abaixo e minimizar perante outros povos, mas sim, uma forma de nos "espicaçar", a acordar, a sermos tudo aquilo que podemos ser porque ele (tal como eu agora) percebeu que em NADA ficamos atrás desta gente, ela sim, mesquinha e mediocre...

Merecemos mais... é só acreditarem...

21 de março de 2008

Olá Helena!

Como estás? Bem vinda de novo a este mundo! Creio que as coisas devem ter mudado um bocadinho desde a última vez que aqui estiveste... Não sei quando foi mas, muito certamente, também aí nos encontrámos... afinal, és da Família!

Nasceste num país chamado Portugal, numa cidade chamada Lisboa. Não é um país mau. É até bastante pacífico só que tem o problema de ser governado por incompetentes... mas isso terás muito tempo para verificar pelos teus olhitos. O que quero realçar aqui, é a beleza esplêndida deste pais, a riqueza das gentes, o fino ar que dispomos, a Paz que gozamos. É um pais pequenito mas que contém segredos inigualáveis. Se assim o quiseres, terás muito a descobrir. Verás, por exemplo, que somos muito orgulhosos da nossa História, de um certo passado, repassado, há já muito tempo. Mas esse é também um defeito deste país: vive-se demasiado no passado. Mas creio que isso, para ti, não será problema. Fazes parte de uma nova Era, verás o mundo com outros olhos, sentirás as coisas com um coração mais presente. Não olharás, muito provavelmente, para o Passado à procura de consolo, de um algo que te faça sentir importante, perpetuando os teus dias à sombra dessa glória passada. Preferes viver no Agora porque sabes que o mais importante que um Humano tem é a Luz que é, que existe no Presente e sabes (e tomarás consciência disso) que é com isso que deve trabalhar para fazer as coisas andarem para a frente.

Nunca te esqueças que és Humana, um tipo de Anjo muito especial, mas sempre um Anjo. Ser Humano, para além de ser uma Honra, implica muito trabalho (como "sabes" e acabarás por perceber) pois viverás numa Guerra constante dentro de ti, entre a Luz e a Sombra, uma Luta realçada com a vivência com outros Humanos que vivem, cada qual, com a sua Guerra. Mas não te assustes: tal como alguém me disse há uns tempos, existe sempre um Anjo disposta a ajudar-te sempre que precisares e, além disso, tens mais alguns atributos que boa parte das pessoas sobre a Terra (pela altura que te escrevo) não tem, o que poderá (mais uma vez, se assim o quiseres) "facilitar" o Trabalho.

Não é por acaso que nasceste no seio de uma família. Observa-os bem e ama-os, não porque é uma Lei mas porque são, serão certamente os teus melhores Amigos e terás o seu Amor incondicional. Não serão os únicos, contudo, e aos demais que encontrares no teu Caminho partilha com eles o teu Amor e o teu Tempo. Também eles o farão mas, atenção, nem sempre será da maneira que esperas. Olha, então, mede todas as tuas acções e as deles com os olhos do Coração e evitarás tristezas desnecessárias. Aliás, olha sempre tudo o que te rodeia por esses olhos tão especiais: saberás sempre para onde ir e o que fazer. E, acima de tudo, lembra-te que este Caminho, o TEU Caminho, é só Teu e que, apesar de existirem pessoas com que te "acompanham", nenhuma delas tem o poder de o fazer por ti, ou tu o delas. Só tu é que sabes de onde vens, onde estás e para onde vais. Nós (deste e do Outro Lado) estaremos contigo. Sabes que muito mais te poderia dizer, mas, por muito que te contasse, nada substituiria a experiência que é o Milagre de Viver.

Paz e Luz, minha Querida!

19 de março de 2008

I could see you dance
In the middle of the road to my heart,
Your body moving,
A reflection of your soul...

I was alone,
I was tired of this place, of this life...
And there you were,
Like a remedy for my pain...

You were so alone,
“A heart of stone” - they said...
They couldn’t be more wrong,
They just couldn’t be more wrong...

Your voice is fading,
In the echoes of a song you once sang...
Tired and lonely,
Yet so strong that it makes me cry...

Shout out loud!, Dark Poet full of scythe
The time has come for them to
Save you!
Trespassing through Time, if they could
Save You!
Knowledge is a crime and I shall
Save You!
Make your words live on and on,
And on, and on, and on, and on, and on...
On and on...

I could see you dance
In the middle of the road to my heart...

Beardfish - Sleeping In Traffic Pt1 - 2007

...pode ouvir-se aqui...

15 de março de 2008

"The greatest challenge to any thinker is stating the problem in a way that will allow a solution."
(O maior desafio de um pensador é aferir o problema de forma a que permita uma solução)
B. Russell

Ora aqui está o nosso amigo Bertrand novamente à carga, numa citação encontrada por acaso! Devo dizer que não conheço muito da sua vida mas ouvi há uns tempos coisas que não me agradaram sobre certos pontos de vista seus (dos quais não me recordo)... De qualquer forma, não estou aqui para julgar o homem, simplesmente, quero pensar um pouco sobre esta tirada filosófica...

Todos os problemas, para serem compreendidos como problemas, têm que ser aferidos. Os mecanismos de reconhecimento foram inicialmente descritos por Kant, sendo a sua explanação prosseguída por célebres e eminentes epistemologistas como K. Popper (corrijam-me se estiver enganado!). Dependendo, creio, da perspectiva pela qual o aferimos, poderemos vislumbrar uma saída para o novelo que tenhamos em mão. Ora, é aqui que o problema gera outro problema porque encontrar uma perspectiva de solução é quase tão difícil como encontrar a própria solução. No entanto, assim que a encontramos (a perspectiva), o objectivo final torna-se muito mais real. Esta é a minha interpretação e creio que foi nisto que Russell se revelou um "Senhor": ele era um Vulgarizador da Filosofia, tornou-a, com os seus raciocínios rápidos, acessível ao "comum dos mortais", reabriu uma nova época de Racionalismo, de Análise da Realidade ao longo de um século, no qual pareceu que as pessoas fizeram demais e pensaram (correctamente) "de menos" e que, também graças a isso, ou não, se encaminha para uma era de obscurantismo tecnológico, ou seja, "não me interessa como funciona, desde que funcione! Alguém há-de saber isso...". Será este o mundo em que queremos viver?

12 de março de 2008

Betracht dies Herz und frage mich,
Wer hat die Kron' gebunden,
Von wem sind diese Wunden?
Sie ist von mir und doch für mich.
Sieh, wie es Blut und Wasser wient,
Hör, was die Zähren sagen,
Die letzten Tropfen fragen,
Ob es mit dir nicht redlich meint...
Ergib dich, hartes Herz,
Zerfließ in Reu und Schmerz.

Tradução:

Repara neste Coração e pergunta-me,
Quem entrelaçou esta Coroa,
De quem são estas Feridas?
Fui eu que a fiz e sou eu que a carrego.
Vê, este coração chora Sangue e Água,
Escuta o que dizem as Lágrimas:
As ultimas gotas perguntam
se não és sincero...
Rende-te, Coração duro,
E derrete-te em Remorsos e Dor.

Engelsarie aus Grabmusik - W.A. Mozart, 1767

11 de março de 2008

Depois dos ultimos posts, altamente musicais, chega a altura de algo completamente diferente...
Queria partir... de um filme. Vi este filme na 6ª feira e o título é "Into the Wild" (O Lado Selvagem, título em Portugal). E, daí partindo, a pergunta que faço é: quantos de nós têm entrado em contacto com o seu lado selvagem? Quantos é que se ligaram aquele lado em que tudo está imaculado, o local em que são realmente livres? É um local assustador? Pode ser (se assim o deixarmos)! E o caminho para lá chegar não é, muitas vezes, fácil. Pelo caminho, muitas barreiras há que nos impedem de lá chegar... muitos caminhos, muitas encruzilhadas... a Dúvida assola-nos, os nossos preconceitos e regras de auto-domínio impedem-nos de chegar ao nosso ponto mais genuíno... As regras da sociedade, nas quais estamos integrados, e as quais nos são incutidas desde a mais tenra idade, viram-se (quantas vezes!) contra nós e desviam-nos... Perdemo-nos! Esse é um Local ao qual convém que retornemos frequentemente. É lá que está a Essência! Quando tudo no mundo falha, eis algo do tamanho do Universo, dentro de nós, que nunca falhará...